Comentário de Obama inflama polémica sobre discriminação racial

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Comentário de Obama inflama polémica sobre discriminação racial

Mensagem por Admin em Sab Jul 25, 2009 5:09 am

Comentário de Obama inflama polémica sobre discriminação racial
24.07.2009 - 18h34 Rita Siza, Washington
Um comentário do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a propósito da detenção do reputado professor Henry Louis Gates, especialista em Estudos Afro-Americanos na Universidade de Harvard, veio inflamar uma polémica sobre a alegada discriminação racial das autoridades norte-americanas, que manifestam um excesso de zelo contra indivíduos negros e hispânicos.


Barack Obama disse que a polícia de Cambridge “agiu estupidamente” ao insistir em algemar e deter o professor universitário, mesmo depois de constatar que este não era um assaltante — um desabafo que deitou mais água na fervura.

Na semana passada, a polícia recebeu uma chamada de um vizinho de Gates, que tinha visto dois indivíduos com mochilas a tentar entrar na casa do professor, e que alertou as autoridades para a possibilidade de estar em curso um assalto a uma residência. Quando os agentes chegaram ao local, depararam-se com o próprio Gates, que acabara de regressar de uma viagem, e que estava com dificuldades em abrir a porta da rua. Com ele estava um motorista, que transportava a bagagem.

Gates explicou que aquela era a sua casa, mas foi intimado a identificar-se. Depois de ter apresentado os seus documentos e provado que aquela era a sua residência, ter-se-á recusado a colaborar com a polícia, que exigiu que o professor se deslocasse para o exterior da residência. De acordo com o relatório policial, Gates tornou-se agitado, dirigindo invectivas contra o agente, afirmando nomeadamente que este era racista. O seu comportamento foi considerado perigoso pelo agente, que o deteve por “conduta desordeira”.

O caso andou pelas notícias mas sem causar grande controvérsia, até uma jornalista pedir a opinião do Presidente, que é amigo pessoal do professor Gates. A linguagem usada por Obama surpreendeu muita gente — o Presidente costuma medir cuidadosamente as palavras, e por várias vezes revelou extrema cautela em discursos sobre as questões raciais.

Na resposta, Obama começou por dizer que não tinha um conhecimento exacto dos factos, mas que lhe parecia que a polícia tinha agido estupidamente. O Presidente prosseguiu dizendo que vários estudos comprovam a desproporção das detenções de indivíduos negros e hispânicos face a brancos e disse esperar que o incidente não tivesse nenhuma motivação racial.

O comissário da polícia de Cambridge, Robert Haas, lamentou o incidente e retirou as queixas contra o professor universitário, mas o agente responsável pela detenção, sargento James Crowley, disse que não ia pedir desculpas pelo sucedido, nem mesmo depois da “reprimenda” de Obama. “Apoio o Presidente dos Estados Unidos a 110 por cento, mas acho que ele não tem nada que se imiscuir-se num assunto local sem conhecer todos os factos”, disse.

Várias organizações de polícias manifestaram a sua solidariedade com o seu camarada que, ironicamente, até foi professor num curso sobre discriminação racial na escola de cadetes de Lowell. “Eu sei que o que fiz foi correcto e seguiu os protocolos, por isso não tenho nada que pedir desculpas”, disse Crowley a uma rádio de Boston.

A sua integridade foi também defendida pelo seu superior, que refutou as acusações de racismo e comentou as declarações de Obama. “Muitos agentes ficaram extremamente sentidos com o seu comentário. Todos os dias tentamos fazer o melhor pela comunidade, e às vezes cometemos erros. Somos humanos. E tentamos melhorar, aprendendo com o que fizemos mal”, observou.

O Presidente estranhou a reacção às suas palavras, mas não se retratou. “Creio que foi um comentário normal, que não é preciso algemar um homem de meia-idade, que caminha apoiado a uma bengala, e que está dentro da sua própria casa”, referiu. Obama confirmou que “aparentemente o agente que fez a detenção é um polícia extraordinário”, mas disse que o incidente poderia ter sido evitado se “o sangue frio tivesse prevalecido”. E pôs um ponto final no assunto declarando ter “um imenso respeito pelas dificuldades do trabalho da polícia”.

Mas as explicações de Obama não satisfizeram os polícias, que vieram exigir uma desculpa formal do Presidente. Vários comentadores conservadores amplificaram esse pedido. E muitas organizações de defesa dos direitos cívicos saíram a criticar a actuação da polícia. O conhecido comediante negro Bill Cosby defendeu que Gates e Crowley participassem num frente-a-frente para resolver a questão. “Os dois têm de perceber o potencial explosivo desta situação. Não podem deixar o caso ficar fora de controlo”, considerou.
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Re: Comentário de Obama inflama polémica sobre discriminação racial

Mensagem por RONALDO ALMEIDA em Sab Jul 25, 2009 8:06 am

Admin escreveu:Comentário de Obama inflama polémica sobre discriminação racial
24.07.2009 - 18h34 Rita Siza, Washington
Um comentário do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a propósito da detenção do reputado professor Henry Louis Gates, especialista em Estudos Afro-Americanos na Universidade de Harvard, veio inflamar uma polémica sobre a alegada discriminação racial das autoridades norte-americanas, que manifestam um excesso de zelo contra indivíduos negros e hispânicos.


Barack Obama disse que a polícia de Cambridge “agiu estupidamente” ao insistir em algemar e deter o professor universitário, mesmo depois de constatar que este não era um assaltante — um desabafo que deitou mais água na fervura.

Na semana passada, a polícia recebeu uma chamada de um vizinho de Gates, que tinha visto dois indivíduos com mochilas a tentar entrar na casa do professor, e que alertou as autoridades para a possibilidade de estar em curso um assalto a uma residência. Quando os agentes chegaram ao local, depararam-se com o próprio Gates, que acabara de regressar de uma viagem, e que estava com dificuldades em abrir a porta da rua. Com ele estava um motorista, que transportava a bagagem.

Gates explicou que aquela era a sua casa, mas foi intimado a identificar-se. Depois de ter apresentado os seus documentos e provado que aquela era a sua residência, ter-se-á recusado a colaborar com a polícia, que exigiu que o professor se deslocasse para o exterior da residência. De acordo com o relatório policial, Gates tornou-se agitado, dirigindo invectivas contra o agente, afirmando nomeadamente que este era racista. O seu comportamento foi considerado perigoso pelo agente, que o deteve por “conduta desordeira”.

O caso andou pelas notícias mas sem causar grande controvérsia, até uma jornalista pedir a opinião do Presidente, que é amigo pessoal do professor Gates. A linguagem usada por Obama surpreendeu muita gente — o Presidente costuma medir cuidadosamente as palavras, e por várias vezes revelou extrema cautela em discursos sobre as questões raciais.

Na resposta, Obama começou por dizer que não tinha um conhecimento exacto dos factos, mas que lhe parecia que a polícia tinha agido estupidamente. O Presidente prosseguiu dizendo que vários estudos comprovam a desproporção das detenções de indivíduos negros e hispânicos face a brancos e disse esperar que o incidente não tivesse nenhuma motivação racial.

O comissário da polícia de Cambridge, Robert Haas, lamentou o incidente e retirou as queixas contra o professor universitário, mas o agente responsável pela detenção, sargento James Crowley, disse que não ia pedir desculpas pelo sucedido, nem mesmo depois da “reprimenda” de Obama. “Apoio o Presidente dos Estados Unidos a 110 por cento, mas acho que ele não tem nada que se imiscuir-se num assunto local sem conhecer todos os factos”, disse.

Várias organizações de polícias manifestaram a sua solidariedade com o seu camarada que, ironicamente, até foi professor num curso sobre discriminação racial na escola de cadetes de Lowell. “Eu sei que o que fiz foi correcto e seguiu os protocolos, por isso não tenho nada que pedir desculpas”, disse Crowley a uma rádio de Boston.

A sua integridade foi também defendida pelo seu superior, que refutou as acusações de racismo e comentou as declarações de Obama. “Muitos agentes ficaram extremamente sentidos com o seu comentário. Todos os dias tentamos fazer o melhor pela comunidade, e às vezes cometemos erros. Somos humanos. E tentamos melhorar, aprendendo com o que fizemos mal”, observou.

O Presidente estranhou a reacção às suas palavras, mas não se retratou. “Creio que foi um comentário normal, que não é preciso algemar um homem de meia-idade, que caminha apoiado a uma bengala, e que está dentro da sua própria casa”, referiu. Obama confirmou que “aparentemente o agente que fez a detenção é um polícia extraordinário”, mas disse que o incidente poderia ter sido evitado se “o sangue frio tivesse prevalecido”. E pôs um ponto final no assunto declarando ter “um imenso respeito pelas dificuldades do trabalho da polícia”.

Mas as explicações de Obama não satisfizeram os polícias, que vieram exigir uma desculpa formal do Presidente. Vários comentadores conservadores amplificaram esse pedido. E muitas organizações de defesa dos direitos cívicos saíram a criticar a actuação da polícia. O conhecido comediante negro Bill Cosby defendeu que Gates e Crowley participassem num frente-a-frente para resolver a questão. “Os dois têm de perceber o potencial explosivo desta situação. Não podem deixar o caso ficar fora de controlo”, considerou.

O IDIOTA , ja pediu desculpas a POLICIA!! Que GANDA vespa.
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Re: Comentário de Obama inflama polémica sobre discriminação racial

Mensagem por Vitor mango em Qua Set 05, 2012 12:38 am

amen

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Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
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Re: Comentário de Obama inflama polémica sobre discriminação racial

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