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Mensagem por TheNightTrain em Seg Nov 30, 2009 2:57 pm

A origem marítima da civilização ocidental

por João Carlos Espada, Publicado em 28 de Novembro de
2009


Poderá a origem da civilização
ocidental ter residido na opção pelo mar? Serão as potências marítimas berço de
uma cultura que valoriza a paz civil, o governo pequeno e limitado, os impostos
baixos e a liberdade de empreender?
Opções


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Academia de Marinha promoveu esta semana o XI
Simpósio de História do Mar
. O evento deste ano foi subordinado ao tema
"O Poder do Estado no Mar e a História". Um inesperado convite do presidente da
Academia, almirante Vieira Matias, proporcionou-me uma breve
reminiscência de autores que sublinham a dimensão política da opção pelo
mar.

SOCIEDADE ABERTA Um desses autores foi Karl
Popper
. No seu exílio na Nova Zelândia, durante a Segunda
Guerra Mundial
, Popper escreveu essa grande obra intitulada "A
Sociedade Aberta e os Seus Inimigos
". Apresentou-a como o seu "esforço
de guerra" em defesa das democracias ocidentais, contra os dois totalitarismos
rivais, o nacional-socialismo e o comunismo. O
livro foi publicado em 1945, ainda antes do final da Segunda Guerra, e por
muitos considerado uma espécie de Bíblia das democracias ocidentais. Foi
traduzido em muitas das línguas do planeta, continuando ainda hoje a versão
inglesa a esgotar-se e a ser reeditada.
Popper estabelece uma distinção fundamental entre sociedade
aberta e sociedade fechada. Numa sociedade aberta, por contraste com uma
sociedade fechada, existe liberdade de crítica e liberdade de examinar, rever ou
conservar, normas legais e convenções sociais. Os indivíduos aceitam o fardo da
liberdade e consequente responsabilidade de escolher.

Esta abertura dá
então lugar a um ambiente descentralizado de experimentação, de ensaio e erro, o
qual, por sua vez, é propício à investigação filosófica e científica, à inovação
tecnológica, ao comércio e ao livre empreendimento.

ESPARTA
CONTRA ATENAS
Karl Popper considera que a civilização ocidental é
aquela que emerge da transição das velhas sociedades fechadas tribais para as
novas sociedades abertas. Essa transição começou mais vincadamente na Grécia do
século v a. C., o século da grande geração de Péricles, Tucídides, Heródoto e
Sócrates. Para Popper, a Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta, exprimiu
essencialmente o conflito entre uma sociedade aberta emergente, a democrática
Atenas, e uma sociedade fechada, a Esparta colectivista. Considerou que a
Segunda Guerra Mundial foi uma reedição desse conflito, tendo o lugar de Atenas
sido ocupado pelas democracias ocidentais e o de Esparta pelo nacional-
-socialismo alemão e o comunismo soviético - cuja aliança de facto desencadeou a
guerra e a dupla invasão da Polónia, em Setembro de 1939.
Qual foi, para Karl
Popper, a origem da emergência da sociedade aberta em Atenas? A resposta é
verdadeiramente extraordinária, para aqueles que apreciam a opção pelo
mar.

ATENAS MARÍTIMA "Talvez a mais poderosa causa do
colapso da sociedade fechada tenha sido o desenvolvimento das
comunicações marítimas e do comércio. O contacto estreito com outras tribos
desafia o sentimento de necessidade com que as instituições tribais são
percepcionadas, e a troca, a iniciativa comercial e a independência podem
afirmar-se, mesmo numa sociedade em que o tribalismo ainda prevalece. Estes dois
aspectos, a navegação e o comércio, tornaram-se as principais características do
imperialismo ateniense, tal como ele se desenvolveu no século v a. C. [...]
Tornou-se claro [para os inimigos da democracia em Atenas] que o comércio de
Atenas, o seu comercialismo monetário, a sua política naval e as suas tendências
democráticas eram parte de um único movimento, e que era impossível derrotar a
democracia sem ir às raízes do mal [do ponto de vista dos inimigos da
democracia] e destruir quer a política naval quer o império. Mas a política
naval de Atenas estava baseada nos seus portos, especialmente o Pireu, o centro
do comércio e o bastião do partido democrático, e, estrategicamente, nas
muralhas que fortificavam Atenas e, mais tarde, nas longas muralhas que a
ligavam aos portos do Pireu e de Faleros. Por esta razão, verificamos que,
durante mais de um século, o império, a frota, o porto e as muralhas foram
odiados pelos partidos oligárquicos de Atenas e considerados símbolos da
democracia e fontes da sua força, que aqueles partidos queriam um dia destruir."
[vol. i, pp. 177-8].

ESPARTA CONTINENTAL Eis, numa breve
passagem de entre muitas outras, a extraordinária proposta de Karl Popper: a
sociedade aberta do Ocidente, apoiada no duplo pilar grego-romano e
judaico-cristão, emerge das comunicações marítimas e do comércio de Atenas. A
sua principal opositora, Esparta, é uma potência continental, fechada,
colectivista, autoritária, centralizada, inimiga do comércio, da família e da
propriedade privada, que vê no mar e na opção pelo mar a principal ameaça ao seu
fechamento. Para Popper, esta oposição entre potências marítimas e potências
continentais manter-se-ia até aos nossos dias. Em 1938-39, as principais
potências continentais, a Alemanha nazi e a Rússia soviética, aliar-se-iam para
esmagar as democracias ocidentais. E estas foram defendidas pela aliança entre
as duas grandes potências marítimas: a Inglaterra e os Estados Unidos da
América.
Karl Popper não era, no entanto, um historiador, mas sim um
filósofo. Deixou-nos páginas veementes em defesa das potências marítimas,
sobretudo Atenas, Inglaterra e os Estados Unidos da América, mas nunca
desenvolveu esse argumento com base em dados históricos detalhados.

O
historiador que talvez mais tenha contribuído para evidenciar a relação entre a
opção pelo mar e a democracia é Peter Padfield, autor de uma
monumental trilogia sobre as potências marítimas.

A OPÇÃO PELO
MAR
Em "Maritime Supremacy and the Opening of the Western
Mind
" (1999), cujo título faz uma clara referência à ideia de Popper
sobre a abertura intelectual, Padfield descreve a emergência da
Holanda como potência marítima e comercial no século xvii, bem
como a sua gradual substituição pela Inglaterra no século xviii. O livro
seguinte, intitulado "Maritime Power and the Struggle for
Freedom
" (2003), descreve o conflito entre a Inglaterra
e as potências terrestres espanhola e francesa, com a
ascendência britânica à supremacia naval no século xix. O terceiro volume,
"Maritime Dominion and the Triumph of the Free World" (2008),
prolonga a narrativa até ao século xx, com os Estados Unidos a
sucederem a Inglaterra como potência marítima dominante, e a
Alemanha e a Rússia a substituírem a Espanha e
a França como potências continentais.
Ao longo desta imponente trilogia, o
argumento de Padfield mantém-se. "A supremacia marítima é a chave que permite
responder à maior parte das grandes questões da história moderna, certamente
permite decifrar o enigma de como e porquê nós - as democracias ocidentais -
somos como somos." Isto deve--se, explica o autor, a que nos tempos modernos as
potências marítimas sempre prevaleceram sobre os seus inimigos continentais,
fazendo assim com que os sistemas de valores marítimos tenham prevalecido sobre
os continentais.

VALORES MARÍTIMOS Mas quais são os
sistemas de valores marítimos? Retomando o argumento de Karl Popper, Peter
Padfield sustenta que são valores de liberdade, comércio livre, livre
empreendimento, estado de direito e governo representativo ou democrático, que
responde a um parlamento eleito livremente e que, por isso, não usa e abusa dos
impostos nem interfere de forma vanguardista nos modos de vida pacíficos das
pessoas.
"A limitação do poder executivo parece ser a característica
definidora do poder dos mercadores no governo. [...] O receio de que o
governante pudesse ser arrastado para aventuras desnecessárias cujos custos
arruinariam o comércio e a probidade financeira levou os interesses dos
comerciantes a limitarem o poder dos governantes. [...] Do que os mercadores das
potências marítimas ocidentais usufruíam era da liberdade de investir onde quer
que vissem uma oportunidade [...] protegidos pela lei contra constrangimentos ou
violência arbitrária, viessem estes de reis, ministros, barões ou populares."
[vol. ii, vol. i, p. 1 e p. 21].

REVOLUÇÃO FRANCESA
REGRESSIVA
Esta combinação de "liberdade, tolerância e riqueza" tende a
libertar o génio humano, sustenta Padfield. Pelo contrário, as potências
continentais tendem a valorizar a rigidez, o fechamento ao exterior e ao
comércio, a organização estatal centralizada, o esmagamento das estruturas
intermédias da sociedade civil, como as famílias ou as igrejas, e a constante
interferência, revolucionária ou contra--revolucionária, nos modos de vida das
pessoas. Neste sentido, argumenta Padfield, tanto a Revolução Francesa como o
império napoleónico foram fenómenos regressivos. A Inglaterra marítima e
comercial, pelo contrário, representava o progresso e a liberdade. Diz Padfield
sobre a Revolução Francesa de 1789:
"Se houve uma transformação social que se
reclamou dos textos do 'iluminismo' - ou até dos ideais britânicos do século
xviii - foi sem dúvida a Revolução Francesa de 1789. No entanto, três anos após
o fim do Antigo Regime emergiu a antítese de um Estado liberal: a centralização
foi levada a novos extremos e as instituições das ditaduras do século xx - a
polícia secreta e as delações dentro das famílias - foram experimentadas por
antecipação; e, de toda esta perturbação, emergiu Napoleão, um típico chefe
militar continental que quis dominar a Europa." [vol. ii, p.
28].

DUAS CULTURAS A explicação de Padfield para este
paradoxo da Revolução Francesa - que ainda hoje apaixona os estudiosos do tema -
é particularmente curiosa. Ele argumenta que os revolucionários franceses usavam
a linguagem da liberdade inglesa e americana, mas entendiam essa mesma linguagem
de forma completamente diferente. Na origem dessa dissonância cognitiva estaria
a diferença entre uma tradição marítima e uma tradição continental.
A França
entendia a liberdade marítima de uma forma continental: onde a Inglaterra e a
América viam limitação, separação e equilíbrio de poderes, os franceses viam a
substituição do antigo absolutismo real por um novo absolutismo popular. Onde a
tradição marítima via um governo pequeno e limitado, a tradição continental via
um governo intrusivo, autoincumbido da missão de "libertar" e "iluminar" as
pessoas. Por outras palavras, a Revolução Francesa e, a seguir, o império de
Napoleão, embora recorressem a uma linguagem importada de uma cultura marítima,
acentuavam os mesmos atavismos centralizadores e arbitrários que tinham herdado
de uma cultura absolutista continental, não marítima.

Tags: história,
mar,
karl
popper,
peter padfield

http://www.ionline.pt/conteudo/35213-a-origem-maritima-da-civilizacao-ocidental

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Mensagem por TheNightTrain em Seg Nov 30, 2009 3:00 pm

Olha estes aqui contra os navegadores...



Krugman acusa China de "roubar" empregos



Pedro Duarte


23/10/09 19:20


As grávidas também têm desejos será que também sabem navegar? Há mar e mar, há ir e voltar. Krugman_pagina

Krugman nota que, ao manter a sua moeda fraca, a China retira investimento de outras nações.








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O Nobel da Economia afirmou hoje que a China está a minar a retoma
global, ao "roubar" empregos que de outra forma teriam ido para países
que não crescem tão depressa.

“Normalmente,
eu seria dos primeiros a rejeitar as alegações de que a China está a
roubar os empregos dos outros, mas neste momento é a verdade nua e
crua”, disse Krugman num artigo hoje publicado no jornal “New York
Times”.

Ao manter a sua política de uma moeda fraca, a China
retira procura dos outros países, incluindo as nações mais pobres, e
aumenta a procura dos seus produtos, explica o professor da
Universidade de Princeton.

O Prémio Nobel nota também que a
abordagem “cautelosa” tomada pelas autoridades norte-americanas em
relação à China neste assunto “não faz muito sentido”, já que os EUA
beneficiariam se a China começasse a vender a “montanha de dólares” que
detém, por si estimada em 2,1 biliões de dólares, uma vez que tornaria
as exportações dos EUA mais competitivas.

Deste meados de Março,
o dólar caiu 14% face ao euro e 7% relativamente ao iene japonês, mas
as autoridades chinesas têm garantido a estabilidade do câmbio entre o
dólar e o yuan chinês.

http://economico.sapo.pt/noticias/krugman-acusa-china-de-roubar-empregos_72637.html

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jul 12, 2012 5:02 am

AMEN

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
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Vitor mango
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