Todas as emoções cabem no sonho

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Mensagem por TheNightTrain em Qua Fev 03, 2010 11:20 am

31 Janeiro 2010 - 00h00

Comportamento: Sono


Todas as emoções cabem no sonho


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A crise preocupa-nos, faz-nos lembrar mais dos sonhos. Já o sexo ocupa o mesmo espaço nas cabeças de homens e mulheres.

Os mais cépticos dirão que o tempo não está para sonhos. Os mais optimistas, que mais vale sonhar com melhores dias do que ser consumido pela realidade. Mas quando os olhos se fecham para dormir, os portugueses poderão ter tendência a sonhar mais em época de crise. Ou melhor, a recordarem-se mais do que sonharam quando acordam. 'Se nos sentirmos mais agitados com a crise, se houver problemas que nos preocupam teremos sonhos mais marcantes, que tendem a ser mais facilmente recordados', explica a psicóloga da consciência Sandra Gonçalves. Por outro lado, 'há pessoas que podem viver essa mesma agitação mas fecham a porta ao mundo interior e, por isso, à recordação dos sonhos'. Porque nisto do mundo onírico cada um também é como cada qual.
Certo é que todos sonhamos. 'Todos os dias. A menos que não durmamos. O sono é composto por várias fases, desde o adormecimento ao sono profundo, sendo neste último, o REM, que os sonhos ocorrem', afirma o psicólogo clínico Rui Carreteiro. Nesta fase os músculos quase não se movimentam, os olhos mexem-se muito e o padrão electro-encefálico é semelhante ao da vigília. Sandra Gonçalves acrescenta: 'Se as pessoas não sonhassem teriam perturbações fortíssimas e seriam incapazes de funcionar diariamente'. E não estranhe se for habitual não se recordar dos sonhos – não quer dizer que não aconteçam.
'A nossa memória é selectiva, daí não conseguirmos armazenar toda a informação. Entre as diversas razões podemos citar um acesso mais dificultado ao inconsciente, menor capacidade de auto-análise ou um maior cansaço', contextualiza Rui Carreteiro. Para Sandra Gonçalves, o valor que se dá aos sonhos, as crenças individuais e o acordar acelerado, com o despertador a ditar o ritmo ou viver com 'demasiada pressa sem atenção às experiências interiores', também entram na equação do esquecimento.
PASSADO DOS SONHOS
Ao longo dos séculos os sonhos premonitórios apimentaram as páginas dos livros e foram associados a alguns dos mais importantes episódios da História da Humanidade. A referência a sonhos com ‘poderes’ adivinhatórios remonta à Antiguidade Grega, com fervorosas tentativas de explicação a favor e contra. Cícero insurgiu-se contra a ideia de que eram manifestação de divindade. Sustentava que representavam as reminiscências das acções e reacções do estado de vigília. Ainda assim, muitas vezes os presságios ligados aos sonhos guiaram as grandes figuras da História nas suas escolhas: O faraó Tutmés IV sonhou que o deus Sol mandava que libertasse sua imagem, a Esfinge, da areia. Ao obedecer à ordem recebida em sonho, Tutmés ascendeu ao trono. Mas na Idade Média os sonhos foram considerados manifestações demoníacas, tanto que a sua interpretação era proibida, sob pena de morte na fogueira.
O obscurantismo permaneceu até meados do século XIV, quando surgiram os estudos de Alfred Maury, primeiro grande estudioso do universo dos sonhos, que os definiu como o ‘talento do inconsciente’. Esta teoria ganhou relevância com Sigmund Freud, que descrevia a análise do sonho, por ele introduzida, como a ‘estrada real para o conhecimento dos processos mentais do inconsciente’. Reconhecendo o carácter místico que as correntes esotéricas atribuem aos sonhos, Rui Carreteiro avisa que 'o nosso profundo inconsciente sabe mais do que aquilo que partilha com a consciência. Por isso é provável que sonhemos com coisas que depois aconteçam, o que não significa que sejamos adivinhos, mas apenas que, às vezes, mesmo ‘sem saber’ já sabíamos..'.
Para o especialista do sono Anselmo Pinto 'aquilo que as pessoas dizem ser sonhos premonitórios são, muitas vezes, mensagens do cérebro. Há determinadas alterações do nosso organismo, como a sensação de enfarte, que se sentem durante o sono e podem ser sinais muito preciosos, porque o cérebro tem acesso a essas informações'. O médico atende doentes 'que dizem que dormem muito mal porque sonham muito. Mas não é por sonhar que se dorme mal, o que acontece é que se se lembra de vários sonhos por noite é sintoma de que acorda muitas vezes – e isso é dormir mal'. Sobre o mundo onírico diz que convém ter em conta a censura dos sonhadores. Porque 'a partir do momento em que eu acordo o doente durante a terapia ele já não está a dormir. Como está acordado já está no seu eu. Se o indivíduo tiver uma tara, no sonho ela vai manifestar-se mas a censura compõe de acordo com os seus princípios e educação, embora não voluntariamente. Quando se conta um sonho acrescenta-se um ponto ou tira-se dois ou três'.
Mas cada caso é um caso, defende a psicologia, que desde o tempo de Freud é mestre na análise de sonhos no divã. Porque as interpretações populares podem ser redutoras por não se conhecer a individualidade do sonhador: a sua vida, contexto, personalidade. 'Quem sonha é que sabe e a nossa tarefa enquanto psicólogos será auxiliar a passar além do óbvio. Um sonho pode ter a ver com algo muito diferente do que dizem as primeiras impressões. Um escandaloso, por exemplo, pode falar-nos da nossa vida espiritual. Não recomendo a panóplia de manuais pré-mastigados em nome da nossa liberdade de sonharmos. Quem quiser trabalhar os sonhos deve fazê-lo com psicólogos experientes que não são assassinos de sonhos – ou seja, que não o matam logo que é contado, atribuindo-lhe um sentido', defende Sandra Gonçalves.
Imagine que sonha que está a correr. 'Certamente seria fugir. Mas fugir do quê e para onde?', questiona Rui Carreteiro, alertando para o facto de 'a interpretação de cada sonho depender muito das características do sujeito. Porque embora alguns símbolos sejam amplamente partilhados – como no caso dos sonhos com baús, caixas e fechaduras, que remetem para os órgãos sexuais femininos – não existe uma chave que possa ser aplicada de forma directa e generalizada'. Mais consensual é a importância dos sonhos. 'É fundamental'.
Para a psicóloga da consciência, 'ao sonhar organizamos as nossas experiências interiores, dando-lhes sentido. Relacionamos eventos aparentemente díspares, processamos percepções que ficaram no limiar da consciência. Os sonhos são também um balão de ensaio, um campo em que podemos treinar as respostas de sempre ou arriscarmo-nos em respostas novas'. Quase uma espécie de teste para a vida ‘lá fora’. Sabe-se também que 'o conteúdo dos sonhos se fundamenta com acontecimentos das últimas 48 horas. Nos sonhos encontramos aspectos do dia, do passado, do funcionamento biológico ou do meio em redor (como a pessoa que acorda a sonhar que está a tocar a campainha para entrar na escola e repara que afinal é o despertador)', como explica Carreteiro. 'Sonhar pode ser 'uma forma de resolver as questões, de chegar a conclusões'.
E na hora de sonhar serão diferentes os homens e as mulheres? 'As mulheres tendem a apresentar maiores períodos de sono REM e logo a sonhar mais. Isto sem falar do ponto de vista metafórico – acredito que as mulheres sejam mais sonhadoras do que os homens'.
Nos sonhos eróticos a diversidade também se faz notar. 'Geralmente as mulheres sonham mais com zonas eróticas, cenários, enquanto os sonhos dos homens são geralmente as partes do corpo em plena actividade sexual', explica o psicólogo. Com as devidas ressalvas, o sexo com um desconhecido num sonho pode significar a libertação de uma fantasia sexual inconsciente. Num estudo de 2007, um investigador do Canadá afirmou que homens e mulheres sonham com sexo na mesma proporção, o que não se verificava em 1960.
A pesquisa revela que nos sonhos eróticos das mulheres foram citados actores como Brad Pitt e George Clooney e o cantor Bono, dos U2. Mas enquanto as mulheres ‘escolhem’ protagonistas famosos para concretizar fantasias, os homens não são tão exigentes: imaginam-se a ter relações sexuais com várias mulheres ao mesmo tempo, em público ou em locais desconhecidos, independentemente de quem elas são. E são escusadas cenas de ciúmes, porque isto dos sonhos não se pode controlar. E muitas vezes a memória das cambalhotas com terceiros não dura, sequer, um dia.
'JOGO FUTEBOL E ATÉ CONDUZO'
'Sonho muito e a cores', atira logo em início de conversa Aires Francisco Alves, cego desde nascença, como que antecipando a pergunta que já lhe foi feita umas boas dezenas de vezes. E em sonhos, Aires experimenta sensações que lhe estão vedadas no mundo real: 'jogo futebol, conduzo carro ou piloto um avião. São sensações diferentes do estado acordado porque nos sonhos eu vejo sempre', explica. Só não gosta é de ter pesadelos, mas até estes são a cores. 'Sonho sempre a cores. O que é diferente são as formas das coisas. Nos sonhos eu vejo uma casa ou um objecto da maneira como imagino que seja e não propriamente como ele é'.
QUANDO O SONHO SE TORNA REALIDADE
Se, por um lado, todos nós sonhamos, por outro, não é qualquer comum mortal que se pode gabar de ter tido um sonho que influenciou a vida de milhares de pessoas e gerações vindouras. Houve sonhos que ficaram também na História por terem anunciado convulsões políticas e sociais e mesmo guerras. Mas muitas das aventuras do inconsciente dos famosos acabaram por dar origem a obras de arte, peças de música imortais ou mesmo grandes invenções, como é o caso de Leonardo Da Vinci, que ‘via’ muitas das suas criações em sonhos antes de passar à prática.
CASOS
ABRAHAM LINCOLN: VIU O SEU FUNERAL NA CASA BRANCA
O ex-presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln visualizou em sonhos o seu próprio funeral, na Casa Branca, uma semana antes de ser assassinado.
ROBERT STEVENSON: ANÕEZINHOS INSPIRAM ROMANCE
O romancista confessou que lhe apareciam anões em sonhos, citando-os como inspiração para ‘O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde’.
JÚLIO CÉSAR: SONHOU COM A TOMADA DO PODER
Júlio César partiu à conquista do poder em Roma depois de ter sonhado que estava a ter relações sexuais com a própria mãe, o que foi interpretado como sinal para tomar posse da terra-mãe.
MARY SHELLEY: PESADELO FAMOSO
Em 1816 a escritora terá passado o Verão com Lord Byron, John William Polidori e Claire Clairmont num palacete na Suíça. Lá teve o pesadelo que acabou por servir de inspiração a uma das mais populares personagens de sempre: ‘Dr. Frankenstein’.
CRIANÇAS SONHAM DESDE O VENTRE
Sonham mais do que os adultos, com mais intensidade e começam a fazê-lo na vida intra-uterina. 'Os sonhos aparecem nos registos electro-encefalográficos a partir do sétimo mês de gravidez', adianta Sandra Gonçalves. O tempo destinado aos sonhos aumenta 50% após o nascimento e pensa-se que serve para armazenar na memória os factos do dia. É possível que a amamentação e a fala da mãe estejam presentes.
'OS PESADELOS SÃO INCAPACIDADE DE SONHAR' (Rui Manuel Carreteiro, Psicólogo clínico, neuropsicólogo, professor e investigador da área)
- Os pesadelos tam-bém são sonhos?
- Há quem chame aos pesadelos 'sonhos maus'. Eu prefiro chamar-lhes 'dificuldade' ou 'incapacidade' de sonhar – ou seja, prefiro encará-los como uma dificuldade em elaborar a informação e em cumprir uma função importante do sonho: permitir que durmamos.
- Por que é que numa noite podemos ter um sonho-sonho e na seguinte ter um sonho-pesadelo? O que regula os sonhos?
- Regra geral, as quarenta e oito horas antecedentes, bem como factores fisiológicos (digestivos, etc…). Qualquer aspecto que afecte (dificultando ou inviabilizando) a função onírica poderá desencadear um pesadelo.
- Qual a importância dos pesadelos?
- São um sintoma… No fundo é como se me perguntasse qual é a importância de ficarmos constipados. Preferíamos não ficar constipados e não ter pesadelos mas, por vezes, acabam por surgir.
- Uma pessoa que tem mais sonhos-pesadelos do que sonhos-sonhos pode ter uma ‘estrutura’ emocional diferente de uma pessoa que habitualmente sonhe ‘só’ sonhos?
- Dificilmente sonhamos ‘só’ sonhos ou ‘só’ pesadelos. Se os pesadelos forem mais frequentes do que os sonhos regulares, certamente haverá algo que não está bem. Pode ser apenas uma simples preocupação ou de facto uma alteração na estrutura psíquica do indivíduo.
OS 10 SONHOS MAIS COMUNS
1. Queda: Insegurança ou sensação de falta de apoio na vida.
2. Nudez em público: Exposição ou vulnerabilidade. Medo de ter revelado segredos pessoais.
3. Dentes: Medo de ser pouco atraente. Receio de perda de poder.
4. Ser perseguido: Alguém ou alguma coisa está a fazer a pessoa sentir-se ameaçada na vida real.
5. Doença: Medo de magoar alguém ou estar a sentir-se magoado.
6. Faltar a testes: Estar a sentir-se testado, de alguma forma.
7. Perder um avião, um compromisso: Sentir que não foi atendido numa oportunidade .
8. Perdido/fechado: Conflitos na vida real ou falta de compreensão.
9. Máquina defeituosa: Ansiedade sobre uma relação ou perda de contacto com a realidade.
10. Problemas com o carro: Sentir-se impotente em relação a algo para o qual não encontra solução.
NOTAS
MEMÓRIA
Por norma, esquecemos 90 por cento dos sonhos nos primeiros dez minutos após o despertar.
TRÊS
Regularmente temos três períodos de sonho por noite, diz a investigadora Sandra Gonçalves.
JOVENS
Adolescentes têm mais sonhos eróticos, dado 'o cocktail hormonal'. Nos rapazes, são os ‘sonhos molhados’.
VÍVIDOS
Os ex-fumadores descreveram mais sonhos vívidos, sendo esse um sintoma da abstinência.
CIÊNCIA
Cientistas japoneses afirmaram que conseguiram filmar sonhos e pensamentos no computador.
CORES
Doze por cento das pessoas que têm uma visão normal sonham exclusivamente a preto-e-branco.
ANIMAIS
O sono REM foi registado na maioria dos mamíferos e aves. Os episódios duram, em média, 25 minutos.
IDADES
Um recém-nascido sonha 50 por cento do tempo em que dorme, um idoso cerca de 20 por cento, diz Sandra.



Marta Martins Silva e Vanessa Fidalgo
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=8B6B2C8D-C79A-436A-BB50-62A4EDF4C7F8&channelid=00000019-0000-0000-0000-000000000019&h=5

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