Estudo sobre escravatura

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Estudo sobre escravatura

Mensagem por Vitor mango em Qui Set 16, 2010 8:37 am

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Introdução

A escravatura é um fenómeno humano que se dá desde os primórdios da humanidade, e que consiste na prática social em que um ser humano tem direitos de propriedade sobre outro, considerado escravo. Surgiu devido à necessidade social de hierarquizar as comunidades (mandantes/mandados). Para que uns pudessem gozar de certos privilégios, outros teriam que trabalhar arduamente e por vezes serem forçados a abdicar da sua liberdade, tudo isto em prole da organização e bem-estar da sociedade em que se inseriam.

Várias civilizações, algumas consideradas evoluídas para o respectivo período histórico, fizeram uso da escravatura e só após séculos e séculos sob o jugo desta prática tomaram consciência de que esta não era, nem moral, nem economicamente, viável, abolindo-a legal e oficialmente.

Porém, é do conhecimento geral que a escravatura não se deu por finda com os decretos de lei proclamados, nem com as inúmeras manifestações a propósito. Este fenómeno “arrastou-se” até aos nossos dias, tomando por vezes rostos diferentes e camuflagens mais eficazes...

Escravatura, Ontem...

No que diz respeito à história da escravatura, existiram diversas ocorrências deste fenómeno, o que se deve, em parte, ao facto de este ter sido praticado por diferentes civilizações ao longo da história da humanidade. A forma mais primária de escravização resultou das guerras, cujos prisioneiros passavam a ter o estatuto de escravos. A escravatura era uma situação aceite e rapidamente se tornou essencial para a economia e para a sociedade de todas as civilizações antigas, mesmo sendo um tipo de organização muito pouco produtivo.

Na Antiguidade...

A civilização Egípcia foi das primeiras grandes civilizações a optar por este tipo de mão de obra. Vários escravos eram utilizados na construção das pirâmides que imortalizavam os seus faraós. Contudo, ao contrário de alguns impérios que a sucederam, os escravos eram bem nutridos e tratados, pois era necessário estarem em boa forma física para efectuarem este tipo de trabalho. Nesta civilização é ainda relevante, relativamente à escravatura, o facto da subjugação do povo hebreu que mais tarde se libertou “liderados por Moisés, a mando de Deus”, fugindo para a “Terra Prometida” (Bíblia: “O Êxodo”).

Nas civilizações pré-colombianas (asteca, inca e maia) os escravos eram empregados na agricultura e no exército. Entre os incas, os escravos recebiam pequenas parcelas de terreno onde cultivavam o sustento da sua família, reservando ao imperador uma maior parcela da sua produção da que os cidadãos lhe reservavam.

Na Grécia Antiga o trabalho escravo acontecia nas mais variadas funções, os escravos podiam ser domésticos, trabalhadores do campo, mineiros, arqueiros da cidade, ourives, etc. Alguns eram até pessoas bem vistas em sociedade, apenas não tinham as mesmas liberdades que os cidadãos (ex.: direito de voto, propriedade, etc.).

No Império Romano, a escravatura passou a ser um pouco diferente e, apesar de coincidir em várias pontos com o tipo de escravatura imposta na Grécia, era mais agressiva e coerciva, impondo condições muito desfavoráveis para alguns escravos. Tal como nos impérios e civilizações anteriores, eram feitos escravos muitos prisioneiros de guerra, que, em alguns casos, tornavam-se gladiadores que para gáudio do público defrontavam feras e lutavam entre eles, por vezes até à morte.

Entre este período e a Idade Moderna, continuou a existir escravatura, sob diversas formas, mas seguindo modelos ideológicos similares, contudo, foi no começo do séc. XV que este fenómeno se alargou astronomicamente e em proporções bastante diferentes.

Na Idade Moderna e Contemporânea

A partir deste período a escravatura passou a ser sustentada por teorias ideológicas que marcam o começo de uma nova maneira de pensar e de agir por parte do Mundo Ocidental (Europa). Ganhou uma conotação racial e inumana que até então não existia, o que serviu para fundamentar a continuação e alargamento da sua prática.

Com os descobrimentos não foram somente descobertos “novos mundos” como novas maneiras de submeter os seres humanos ao trabalho escravo. Numa primeira fase, os índios foram forçados a este tipo de trabalho, sendo que várias civilizações foram dizimadas (Astecas, Maias, Incas, etc.) pelos colonos (maioritariamente espanhóis), tanto pelas doenças que trouxeram como pelos métodos violentos que lhes imprimiam. A política portuguesa de colonização foi um pouco diferente e promoveu a miscigenação entre “brancos” e nativos, contudo, não deixou também de escravizar os indígenas, mas estes foram gradualmente sendo protegidos pelos jesuítas que os consideravam puros e inocentes.

O contributo português para o alargamento do fenómeno

Com as expedições a África, que começaram em 1415, com a conquista de Ceuta, os portugueses tinham já em vista o controlo do rotas dos escravos, mas nunca chegaram a dominá-las visto que estas foram desviadas para outra localização. Através da captura de nativos africanos ou da sua troca com os chefes tribais, vários negros foram levados para o Brasil amontoados, em condições desumanas, sendo que muitos morriam antes de sequer lá chegar. Mais tarde chegaram à Europa, donde seriam levados para vários países, mais precisamente em 1640, quando chegaram os primeiros escravos negros a Portugal.

É relevante afirmar que os negros africanos vinham substituir os nativos brasileiros na produção canavieira, pois esse tráfico dava lucro à Coroa Portuguesa, que recebia os impostos dos traficantes. Os negros foram também necessários no Brasil porque os indígenas não se deixavam subjugar tão facilmente, pois eram mais unidos e tinham noções muito próprias sobre os conceitos vida/liberdade. Até 1850, a economia era quase que exclusivamente movida pelo braço escravo. O cativo estava na base de toda a actividade, desde a produção do café, açúcar, algodão, tabaco, transporte de cargas, às mais diversas funções no meio urbano: carpinteiro, pintor, pedreiro sapateiro, ferreiro, marceneiro, entre outras.

Nos canaviais ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam arduamente, eram severamente castigados, mal alimentados e tratados, tudo isto foi aumentando a insatisfação dos escravos que tentavam persistentemente fugir destas condições. Passavam as noites nas senzalas (galpões escuros, húmidos e com pouca higiene), acorrentados para evitar fugas.

A conotação racial da escravatura

Desde o começo do tráfico negreiro que a escravatura passou a ter uma conotação puramente étnica que serviu de argumento para sustentar a teoria de que a não era moralmente incorrecta, pois a “raça negra” era considerada inferior a todas as outras (principalmente em relação à “raça branca” – etnocentrismo), precisando por isso, de um mestre/ dono que a comandasse e que se servisse das suas únicas capacidades (físicas). Passou também a estar relacionada com uma condição de inumanidade por parte dos escravos, até então considerados hierarquicamente inferiores, mas ainda assim pessoas. Surgiria assim o conceito de racismo.

Porém, nem todas as pessoas partilhavam este tipo de ideia, por isso, começaram a surgir associações de homens brancos e escravos alforriados ou fugidos, que visavam o fim da escravatura e uma mudança de pensamento por parte da sociedade, todas estas manifestações de desagrado culminaram na...

Abolição da Escravatura

Com o surgimento dos ideais liberais resultantes da Revolução Francesa e da ciência económica na Europa, a escravatura passou a ser considerada pouco produtiva (Revolução Industrial) e moralmente incorrecta (ainda assim prevaleciam os interesses económicos).

A escravatura em Portugal continental e na Índia foi abolida a 12 de Fevereiro de 1761 por Marquês de Pombal, durante o reinado de D. José I. No entanto, só no séc. XIX é que a escravatura foi verdadeiramente abolida em todo o Império. Os primeiros escravos a serem libertados nas colónias foram os do Estado, por Decreto de 1854, mais tarde, os das Igrejas, por Decreto de 1856 e só com a lei de 25 de Fevereiro de 1869 é que se proclamou a abolição total da escravatura em todo o Império Português.

Em 1850 foi proclamada no Brasil, a Lei Eusébio de Queirós que impunha punição aos traficantes de escravos, garantindo a não entrada de escravos no país; em 1871 foi feita a Lei do Ventre Livre que declarava livres os filhos de escravos nascidos a partir daquele ano e, em 1885 a Lei dos Sexagenários, que concedia liberdade aos maiores de 60 anos. E, posteriormente fez surgir o abolicionismo, em meados do séc. XIX. Em 1888, quando a escravidão foi abolida no Brasil, este era o único país ocidental que mantinha a escravatura.

O contributo do Iluminismo e da Revolução Industrial

A teoria iluminista, que consistia na enfatização da Razão e da Ciência como formas de explicar o Universo, foi uma das grandes impulsionadoras da sociedade moderna e do capitalismo, pois tal como no Renascentismo valorizava o Homem e a exploração das suas capacidades racionais.

A junção do Iluminismo, dos ideais da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – (também inspirados por este movimento intelectual) e da Revolução Industrial, fizeram com que a moralidade e utilidade da escravatura passassem a ser questionadas. O Iluminismo e a Revolução Francesa questionavam sobretudo a moralidade desta prática, já com a Revolução Industrial passou a ser questionada a viabilidade económica deste fenómeno, pois chegou-se à conclusão de que esta prática era pouco produtiva porque, como o escravo não tinha propriedade sobre sua própria produção, não era estimulado a produzir, uma vez que essa acção não resultaria num incremento do bem-estar material e psicológico.

Tal como começou, a escravatura acabou por razões económicas, desta vez mais disfarçadas pela presença de motivos morais e humanos.

Teorias Racistas Contemporâneas

Este tipo de teorias surge no século XVIII, período em que os cientistas se esforçaram por identificar e classificar as diferentes raças. Umas foram consideradas inferiores (em especial a raça negra) e apenas uma foi assumida como superior (a raça branca europeia). A escravatura torna-se absurda entre brancos, mas aceitável para os negros. Montesquieu, filósofo iluminista, na sua célebre obra – O Espírito das Leis –, tem dificuldade em aceitar que os negros possam ser considerados seres humanos.

No século XIX, as teorias racistas conhecem um enorme desenvolvimento.

Superioridade da raça "ariana". Em 1854, o diplomata francês Arthur de Gobineau publicou um livro acerca da "Desigualdade das raças Humanas", onde advogava que a raça "ariana" era superior a todas as outras, embora contivesse algumas "impurezas" devido a misturas com raças inferiores. Em 1899, o germano-inglês H.S.Chamberlain, publica um livro onde defende que a raça "ariana", conduzida pelos povos germânicos, haveria de salvar a civilização cristã europeia do seu inimigo, o "judaísmo".

Com base nesta ideia se desenvolveram na Alemanha, as teorias racistas, das quais Adolf Hitler (morto em 1945) foi o principal percursor e que levaram ao extermínio e à escravização das raças que considerava "inferiores" (judeus, árabes, negros, ciganos, etc.) e outros seres humanos considerados degenerados (homossexuais, deficientes, etc.).

Darwinismo Social. A teoria sobre a geração e evolução das espécies de Charles Darwin, trouxe novos argumentos para a fundamentação da desigualdade entre os homens. Com base nestas ideias originou-se o chamado darwinismo social que defendia o direito natural dos mais "fortes", governarem os mais "fracos".

Desde finais do século XIX, baseados em supostas teorias científicas procurou-se fundamentar a superioridade de uns povos sobre os demais. As últimas descobertas sobre o ADN foram conclusivas sobre a falsidade deste tipo de elações erradamente fundamentadas.

Um dos últimos regimes políticos que se baseou nesta distinção racial foi a África do Sul. O sistema do Apartheid, foi instituído entre 1948 e 1991, envolvendo a separação entre as diferentes "raças", no que respeitava à propriedade, residência, casamento, trabalho, educação, religião e desporto. Este sistema tem origem nas práticas segregacionistas dos colonos holandeses seguidas desde o século XVII nesta região de África. O sistema só terminou oficialmente em 1994, quando nas eleições multipartidárias de Abril, Nelson Mandela tornou-se no primeiro presidente negro deste país e no chefe de um governo multirracial.

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Re: Estudo sobre escravatura

Mensagem por Vitor mango em Qui Set 16, 2010 8:38 am

estudo de
A Escravatura Ontem e Hoje

Autores: Carolina Santos, Catarina Ferreira,
Nelson Cardoso e Nuno Rodrigues

Vitor mango

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Re: Estudo sobre escravatura

Mensagem por Vitor mango em Qui Set 16, 2010 8:39 am

Desde finais do século XIX, baseados em supostas teorias científicas procurou-se fundamentar a superioridade de uns povos sobre os demais. As últimas descobertas sobre o ADN foram conclusivas sobre a falsidade deste tipo de elações erradamente fundamentadas.

Vitor mango

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Re: Estudo sobre escravatura

Mensagem por Vitor mango em Qui Set 16, 2010 8:44 am

Para os jovens do Brasil e nao so recomendo o livro do Miguel Sousa Tavares abaixo descrito
Pessoal nada de panico O livro le-se bastante bem e a gente percebe que nem sempre bum governador pode colocar as suas ideias liberais em dia ...ha altos interesses em ...






528 págs.
Preço(c/IVA)
27
ISBN
989-555-013-8
21ª Edição



Vitor mango

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Re: Estudo sobre escravatura

Mensagem por Vitor mango em Qui Out 11, 2012 4:25 am

and

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

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Re: Estudo sobre escravatura

Mensagem por Vitor mango em Dom Jan 05, 2014 2:06 am

AND

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Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

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Re: Estudo sobre escravatura

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