BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

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BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

Mensagem por Vitor mango em Ter Out 12, 2010 12:46 am

Relembrando a primeira mensagem :

Benjamin Netanyahu não está satisfeito com a forçar os gentios que desejam obter a cidadania israelense para declarar formalmente o seu reconhecimento de Israel como Estado judeu e democrático. Agora ele está exigindo que os vizinhos do outro lado da fronteira também declarar que Israel seja um Estado judeu (o que dizer de "democrática"?).

Eles vão conceder o reconhecimento de perpetuidade, enquanto ele vai conceder um congelamento dos assentamentos temporária por dois meses. Talvez três. Judaísmo para venda.
Netanyahu e Abbas - Appelbaum e Reuters - 11 de outubro de 2010

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, à esquerda, eo presidente palestino, Mahmoud Abbas, à direita.
Foto: Appelbaum Tomer e Reuters

E para aqueles que pensam que esta é uma condição para as negociações, pense novamente. Bibi é inocentemente tentando redescobrir a fé pública israelense em palestinos, uma fé que se perdeu na sequência dos acontecimentos violentos da intifada. Era uma vez uma época em que a segurança era o lema famoso que foi usada na propaganda da campanha de Netanyahu, que prometeu: "Se eles derem [segurança], eles vão receber."

Quando não há ataques terroristas (embora haja postos), o nosso vendedor-em-chefe inventou o chamariz que é o Estado judeu. Eles dizem que vende bem no mercado Mahane Yehuda. Talvez seja melhor do que vende a mercadoria vendida por ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman.

Netanyahu disse ao Knesset na segunda-feira que se os palestinos aceitar sua oferta, ele vai pedir ao governo para aprovar "uma suspensão adicional de construção". Em contraste com as declarações feitas por Lieberman durante seus encontros com os ministros europeus dos negócios estrangeiros, Bibi não é ingênuo. O primeiro-ministro sabe que ele não tem razão para temer as reações dos colonos e seus patronos na coalizão.

Quando ele pede que Abbas reconhecer Israel como Estado do povo judeu, ele está oferecendo um suicídio político assistido ao líder palestino.

Netanyahu sabe muito bem que qualquer líder palestino que reconhece Israel como Estado-nação do povo judeu, também reconhece que os palestinianos não têm lugar certo lá. Em outras palavras, é equivalente a uma concessão inicial sobre o direito de regresso.

Netanyahu considera que este é um trunfo que é muito precioso e muito complexo para que os palestinos simplesmente desistir para barato - ou seja, um congelamento temporário e parcial sobre a construção nos assentamentos (não incluindo Jerusalém Oriental). Na melhor das hipóteses, eles vão abandonar a aplicação do direito de retorno como parte de um acordo sobre o estatuto final que vai acalmar seus nervos sobre as questões de peso das fronteiras e Jerusalém.

Isto é o que nós estamos propensos a ouvir o primeiro-ministro depois de Abbas rejeita a sua proposta obscuros:? "Quando eles se recusam a fazer uma afirmação tão simples, surge a pergunta - Por que você quer inundar o Estado de Israel para com os refugiados para que ele será um estado sem uma maioria judaica? Você quer se rasgar fora partes da Galiléia e no Neguev? "

Estas palavras não são a mistura da mente diabólica do escritor. Antes, essa era uma citação de uma conferência de imprensa realizada por Netanyahu em Sderot há três semanas. Este foi um ensaio geral na preparação para o grande truque diversionista preparado pelo premier, a fim de aliviar a crise que vem sobre o término do congelamento na construção de assentamentos.

É muito mais elegante para sabotar as negociações sobre um lote palestinos para lançar-nos ao mar. Este item é muito mais vendável para o mercado judeu-americano. É difícil acreditar que um político experiente como o presidente dos EUA, Barack Obama, vai cair numa armadilha destas transparente e fazer causa comum com Netanyahu em sua tentativa de Abbas para baixo.

E o que vai acontecer depois de Abbas anuncia (como seus assessores foram rápidos a fazê-lo ontem), inequivocamente, que a determinação da identidade de um Estado vizinho não é o seu negócio, mas sim unicamente o do vizinho? Israel vai responder pelo congelamento das negociações para a criação de um Estado palestino ao lado de um estado judeu? Cada comerciante em segunda mão sabe que quem aumenta o preço dos seus produtos muito alta não deve esperar para fazer qualquer feno.

Vitor mango

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Re: BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

Mensagem por jpsatanaz em Dom Nov 14, 2010 6:04 am

Conclusão...

Para concluir este conjunto de pensamentos e opiniões sobre a problemática do sionismo na Palestina e no mundo, é preciso encontrar uma explicação do porque da não solução dum problema que afecta toda a politica naquela região.
Segundo alguns pensadores deve-se ao facto de os sionistas que governam Israel não estarem interessados, não por razões de segurança como pretendem fazer crer, mas por razões mais profundas que visam anexar todos os territórios que rodeiam o seu estado, o que inclui parte da Síria Líbano e Jordânia, e com isso aquilo que para eles representa a derradeira conquista ......o controlo das águas da região,logo o controlo de toda a região através da politica do racionamento da mesma como arma politica.
Outros porem pensam ser o facto de a comunidade internacional, a Europa por falta de espinha dorsal e alinhamentos politico económicos vários, os EUA por razões de estratégia politica, pois Israel funciona como um base americana na região ao mesmo tempo que representa uma fonte de informação inigualável (Mossad e S.I. do exercito). Para além disto a influencia judaica na politica americana.

Deste ultimo caso é exemplo uma gravação de uma das ultimas sessões do Knesset presididas pelo morto vivo Sharon, que após publicação indiscreta foi censurada e os jornais apreendidos com pesados custos para as editoras e seus directores. Nessa gravação Ariel Sharon chamava a atenção, na forma de puxão de orelhas, ao Simon Peres desta forma bem explicita........

»»»»»Simon, tu estás sempre muito preocupado com o que os americanos possam pensar da nossa intervenção na faixa de Gaza, mas não tens razão para isso, pois como sabes nós controlamos a politica americana nesta região, e eles sabem isso muito bem.»»»»»»»

Desta forma fica bastante claro que o problema da Palestina é um pesadelo que irá durar enquanto a hegemonia politica dos EUA se mantiver a nível mundial. Resta nos a esperança de que com as novas potencias imergente, China , Índia, Brasil e Rússia esta situação venha a ser alterada.





jpsatanaz

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Re: BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

Mensagem por Vitor mango em Dom Nov 14, 2010 6:28 am

Todos os Impérios se destroem por dentro

e o ultimo exemplo foi a URSS mais o muro ...e o regresso em força das soberanias perdidas pela usurpação ...que foi fulminante

Vitor mango

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Re: BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

Mensagem por Vitor mango em Dom Nov 14, 2010 6:33 am

Palestina e Israel: Perguntas e respostas sobre um conflito baseado no imperialismo
Depois dos ataques de Israel contra Gaza as perguntas sobre o conflito entre Israel e Palestina voltam a surgir. O sítio “En Lucha” tenta responder a algumas das perguntas-chave para entender o papel desempenhado pelo imperialismo na criação das guerras entre árabes e israelenses e compreender melhor a situação actual.Quais são as raízes do conflito entre Israel e os palestinianos?

As origens do conflito remontam à fundação de Israel em 1948. Este estado construiu-se sobre a expulsão de palestinianos depois de uma campanha de limpeza étnica levada a cabo por esquadrões sionistas. A isto seguiram-se 60 anos de opressão continuada do povo palestiniano por parte de Israel. O sionismo —a busca de uma “lugar” judeu na Palestina— apareceu como um movimento na Europa nos finais do século XIX como resposta ao crescente anti-semitismo. No principio só uma pequena minoria de judeus apoiou este movimento. Os sionistas afirmavam que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Mas nessa terra vivia um povo. O movimento sionista começou lentamente. No final da I Guerra Mundial havia apenas 56.000 colonos judeus a viverem na Palestina, em contraste com o milhão de árabes.Os líderes sionistas procuraram o apoio dos poderes imperiais para que os ajudassem a tomar mais terras. No princípio isso significou colaborar com a Grã-Bretanha, já que a Palestina se converteu numa das suas colónias depois da I Guerra Mundial. Após a II Guerra Mundial procuraram o apoio dos EUA. Em 1947, a ONU desenhou um plano para partir a Palestina que entregou aos colonos sionistas 55% do país —apesar de representar apenas um terço da população e possuir 6% da terra. Mas nem isso foi suficiente. Em Março de 1948 milícias sionistas lançaram uma campanha de terror para se apropriarem do máximo de terras possível. Assassinaram centenas de árabes e levaram a cabo uma limpeza étnica de umas 750.000 pessoas.Os palestinianos deslocaram-se para Gaza, Cisjordânia e outros países afundados na pobreza e na opressão. Entretanto, Israel ficava com quase 80% da Palestina histórica. Hoje a “lei de retorno” de Israel permite a qualquer descendente de judeus imigrar para Israel, mas nega aos palestinianos o direito de voltar à sua terra. Israel conquistou o resto da Palestina histórica em 1967. Desde então saqueou Gaza e a Cisjordânia brutalmente e reprimiu qualquer tipo de resistência ou organização palestiniana.Por que Israel está implicado em tantas guerras?

Israel esteve em guerra desde a sua fundação. É um estado altamente militarizado, com o armamento mais sofisticado proporcionado pelo ocidente, incluindo armas nucleares. Tem um dos exércitos mais modernos do mundo apesar de ter uma escassa população de 7,3 milhões de pessoas. Este estado construiu-se sobre o poder militar por duas razões: manter os palestinianos oprimidos e actuar como o “cão de guarda” dos interesses ocidentais na região. Usou o seu poder para humilhar os movimentos árabes que ameaçaram o domínio imperial no Médio Oriente.Israel uniu-se à Grã-Bretanha e à França na guerra contra o Egipto em 1956. Israel também entrou em guerra com o Egipto, Síria e Jordânia em 1967. Em 1973 voltou a fazê-lo novamente contra a Síria e o Egipto. Invadiu o Líbano três vezes: em 1978, 1982 e 2006. Por outro lado, também levou a cabo numerosas incursões no Egipto, Síria e Líbano. Bombardeou a central nuclear do Iraque em 1981. O seu exército ocupou parte do sul do Líbano desde 1978 até 2000, quando a resistência do Hezbolá obrigou à sua retirada. O actual ataque sobre Gaza não será a última guerra de Israel. A natureza imperial e colonial deste estado conduzirá inevitavelmente a mais conflitos, mais bombas e mais mortes.Cartoon de Dario Castillejos, Dario La Crisis.

Por que o Ocidente apoia Israel?

Nos finais do século XIX a Grã-Bretaña ocupou o Egipto e passou a controlar o Canal do Suez. Este enclave entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo era fulcral para o poder militar e económico do Império Britânico. A Grã-Bretanha temia que os crescentes movimentos nacionalistas de resistência no mundo árabe pudessem ameaçar o seu controlo sobre o canal. Mas a I Guerra Mundial proporcionou-lhe uma oportunidade para se apoderar da fronteira norte do Egipto e do Canal do Suez.Enquanto as tropas britânicas marchavam sobre Jerusalém em 1917, o Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Arthur Balfour, fez um acordo com o movimento sionista para converter a Palestina numa colónia do império. Como declarou o governador britânico de Jerusalém, o novo estado sionista seria como “um pequeno Ulster judeu leal num mar de potencial hostilidade árabe”. Esta relação entre Israel e o imperialismo ocidental ficou resumida num famoso artigo publicado pelo jornal israelense “Haaretz” em 1951: “Israel converter-se-á no cão de guarda. Não há nenhum perigo de que Israel assuma nenhum tipo de política relativamente aos estados árabes explicitamente contra os desejos dos EUA e da Grã-Bretanha. Mas talvez, se os poderes ocidentais de vez em quando preferirem fechar os olhos, Israel possa confiar em que pode atacar um ou mais estados vizinhos, que mostrem a sua descortesia com o Ocidente para lá dos limites permitidos”. Quando os EUA substituíram a Grã-Bretanha como poder dominante no Médio Oriente, Israel mudou devidamente a sua lealdade.Israel foi posto à prova outra vez quando acabou com os exércitos do Egipto, Síria e Jordânia na Guerra dos Seis Dias. Esta vitória convenceu os EUA de que Israel era capaz de solucionar os seus problemas no Médio Oriente enquanto estava a lutar para manter o controlo sobre o Vietname. Os interesses dos EUA e Israel mantiveram-se inter-relacionados desde então. Cada acção de Israel teve em conta os interesses estado-unidenses. E esta relação tem sido cada vez mais importante desde a revolução no Irão em 1979 e desde o actual desastre dos EUA no Iraque. Enquanto a ira aumenta nas ruas das capitais árabes, os EUA necessitam de Israel mais do que nunca para que seja o seu “cão de guarda” no Médio Oriente.
Cartoon de Monte Wolverton, Cagle CartoonsNão existe uma história de ódio entre árabes e judeus?

Muita gente afirma que árabes e judeus não podem viver juntos já que existe uma longa tradição de inimizade entre os dois povos. Mas esta ideia não se sustem se observarmos a história.As raízes das hostilidades actuais são muito modernas e emergem do movimento colonial sionista que ocupou a Palestina. Mas antes de isso tudo, cada capital árabe tinha uma comunidade judia a viver junto dos seus vizinhos muçulmanos e cristãos. Os judeus formaram parte importante da vida de Jerusalém, do Cairo, Damasco, Beirute, Rabat, Bagdade ou outras cidades árabes desde o princípio da história documentada. Existem centenas de nomes judeus no monumento comemorativo em memória dos iraquianos que morreram a lutar contra o colonialismo britânico nos anos 20 do século XX. Foram uma parte importante dos movimentos árabes nacionalistas e de esquerda que cresceram nos anos 20 e 30 na luta contra o imperialismo.Tudo isso mudou depois do estabelecimento de Israel. Os árabes-judeus foram forçados a irem embora de suas casas pelos ditadores e reis árabes impostos pelas potências ocidentais. Este processo foi fomentado por Israel. Estes árabes-judeus foram considerados como cidadãos de segunda classe dentro de Israel. Nunca foram bem-vindos pelas altas instâncias da sociedade israelense. Muitos agarraram-se à sua cultura árabe e ao sonho de voltar a casa algum dia. Como em muitas outras regiões do mundo, as divisões, discórdias e ódios entre os povos do Médio Oriente são o legado amargo do imperialismo ocidental.Não é a “solução dos dois estados” o melhor que podemos esperar?

Muita gente defende a “solução dos dois estados” para p conflito —partir a Palestina histórica em dois estados, um para os israelenses e outro para os palestinianos. E aparentemente esta pareceria ser a solução mais realista. Mas como seriam estes dois estados?Muitos planos apontam para dois pequenos estados palestinianos em Gaza e partes da Cisjordânia, separados um do outro por Israel. Os palestinianos ficariam encurralados nestas duas minúsculas porções de terra, enquanto a maior parte da Palestina histórica se manteria sob controlo israelense. Em nenhum momento os milhões de refugiados palestinianos teriam a possibilidade de retornar às suas aldeias. A questão do “direito ao retorno” é central para qualquer solução justa e duradoura para o conflito.Os que defendem a solução com bases em dois estados não podem encerrar a questão de como reconciliar terra e povo. Em contraste, a solução com base num só estado —um estado multiétnico que abarcasse toda a Palestina histórica— pode fazer frente a este problema aparentemente intratável. A maioria das aldeias palestinianas estão vazias —muitas são simples montanhas de ruínas. Estas podiam ser reconstruídas facilmente e devolvidas aos seus habitantes originários. Os que quisessem voltar às cidades poderiam ser facilmente alojados. Israel abriu as suas fronteiras a milhões de imigrantes sem nenhum problema. Não se poderia fazer o mesmo com os palestinianos?A principal barreira à solução de um só estado não é por questões práticas mas por causa da natureza do sionismo. Este é um movimento que busca criar um estado só para judeus —e a solução de um só estado é totalmente incompatível com esta ideologia racista.Não foi dada aos palestinianos a possibilidade de terem o seu próprio estado no “processo de paz”?

Os políticos e os meios de comunicação ocidentais gostam de proclamar que o processo de paz apoiado pelos EUA é a única forma de conseguir justiça para os palestinianos e a paz no Médio Oriente.Os acordos de Oslo, assinados em 1993, supostamente dariam autonomia aos palestinianos em 17% da Cisjordânia e em 60% de Gaza. Isto deveria significar finalmente a criação de um verdadeiro Estado palestiniano.O levantamento palestiniano de 1987, conhecido como a Primeira Intifada, pressionou Israel para chegar a um acordo. Mas Israel ainda via a Palestina como algo exclusivamente seu e queria manter o controlo sobre o máximo território possível. Israel permitiu que Yasser Arafat, líder da Organização de Libertação da Palestina, se convertesse no líder de uma nova Autoridade Palestiniana. Arafat fez grandes concessões a Israel, o que lhe permitiu mais tarde vigiar a sua própria gente em seu nome. Israel manteve o controlo das estradas, recursos naturais e grandes áreas de terra que tinha tomado em 1967. O total de colonos israelenses nos territórios ocupados duplicou entre a assinatura do processo de paz e o ano 2000. As áreas palestinianas eram parecidas com os “bantustões” —os supostos estados negros autónomos dentro da África do Sul do apartheid, que na realidade estavam controlados pelo regime racista.O “processo de paz” não fez nada para melhorar as vidas dos palestinianos. A ira perante esta situação explodiu com a Segunda Intifada em Setembro do ano 2000. Israel retirou os seus colonos e soldados da faixa de Gaza em 2005, mas manteve o seu domínio sobre o espaço aéreo, o mar e as fronteiras. Para além disso tentou acabar com a resistência atacando o Hamás, que ganhou as eleições à Autoridade Palestiniana em 2006.
Cartoon de Dario Castillejos, El Imparcial de México Qual é o papel das massas árabes?

Em qualquer questão no Médio Oriente deve-se ter em conta o imperialismo. Foi o imperialismo que criou o Estado de Israel e é o imperialismo que o sustenta actualmente. As prioridades do imperialismo talvez tenham passado do Canal do Suez para os campos de petróleo, mas os grandes poderes globais ainda consideram o Médio Oriente “o grande prémio material da história da humanidade”, como declarou em 1945 o Departamento de Estado estado-unidense.O imperialismo necessita de Israel e dos seus “porta-aviões imbatíveis”, já que os regimes árabes estão sob o perigo constante serem derrubados por revoltas populares. Esta fúria ente a gente normal e corrente no mundo árabe entende-se também pela forma como as receitas do petróleo foram desbaratadas por uma pequena elite apoiada pelo Ocidente. Tudo isso resulta da fala de terras, trabalhos e de viverem na pobreza e a passar fome.Nas recentes manifestações que se organizaram no Egipto, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra Israel como contra o regime egípcio de Hosni Mubarak. Gritos similares podem ser ouvidos em qualquer capital árabe. A maior parte dos regimes árabes também dependem do imperialismo para sobreviver. Temem que a ira popular relativamente à situação na Palestina possa provocar uma onda de revoltas como as que afligiram muitos dos regimes corruptos nos anos 50 e 60.Os protestos de massas de hoje no Egipto são um resultado da fúria contra o imperialismo e o regime egípcio. As greves contra as privatizações e por um salário mínimo alimentam a irritação pela situação na Palestina. Esta ira está por sua vez a alimentar as possibilidades de mais greves e manifestações. É por tudo isto que os dirigentes árabes temem e repudiam organizações da resistência como o Hamás na Palestina ou o Hezbolá no Líbano. Qualquer resistência é um desafio a Israel, às potências ocidentais e aos regimes árabes. Texto publicado pelo "En Lucha" a 6 de Junho de 2010. Tradução de Alexandre Leite.

tags: israel, médio oriente, palestina, sionismo

publicado por Alexandre Leite às 12:00

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Re: BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

Mensagem por Vitor mango em Dom Nov 14, 2010 6:41 am


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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
O nascimento de uma nação racista
Israel: um defeito de fabrico
O verdadeiro vencedor da II Guerra Mundial não foi a aliança de nações que combateu a Alemanha nazi, nem mesmo esses EUA robustecidos pela debilitação da Europa e muito menos, desde logo, os milhões de vítimas judias do nazismo: o verdadeiro vencedor da II Guerra Mundial foi o movimento sionista fundado por Theodor Herzl em 1897.

Por isso mesmo, o verdadeiro perdedor do conflito bélico não foi a Alemanha nem o Japão, nem a Itália, nem mesmo a essa URSS condenada a desaparecer 40 anos mais tarde: o verdadeiro perdedor, em conjunto com os milhões de vítimas do holocausto nazi, foi o povo palestiniano, radicalmente inocente e completamente alheio ao mesmo tempo ao anti-semitismo europeu e às suas lutas interimperialistas. Ignominiosa combinação de interesses espúrios e má consciência, a injustíssima resolução 181 da ONU que em 1947 decidiu a repartição da Palestina conserva hoje toda a sua actualidade destrutiva. Marek Edelman, heróico defensor do gueto de Varsóvia em 1943, soube ver muito bem os motivos: “Se Israel foi criado isso foi graças a um acordo entre a Grã-Bretanha, Estados Unidos e a URSS. Não para expiar os seis milhões de judeus assassinados pela Europa, mas par repartir os negócios do Médio Oriente”. Todos podemos ver hoje os resultados: através dessa pequena ferida está a esvair-se em sangue irremediavelmente o mundo.

O Congresso de Basileia, acto fundacional do sionismo, foi cedo denunciado por Karl Kraus, judeu universal de Viena, como uma forma de anti-semitismo: “Estas duas forças aspirariam secretamente a uma aliança”, pois “o seu objectivo é, de facto, comum: expulsar os judeus da Europa”. O essencialismo étnico-religioso de Theodor Herzl, em qualquer caso, só persuadiu uma diminuta minoria, como o demonstra o facto de apenas uns poucos milhares de sionistas terem emigrado para a Palestina antes de 1933. Só a convergência de três factores exteriores à história da região explica a presença de 600.000 judeus no momento da repartição. O primeiro foi a perseguição nazi, que obrigou à fuga de milhões de judeus tanto da Alemanha como das zonas por ela ocupadas. O segundo, a inescrupulosa exploração deste genocídio por parte da organização sionista, mais preocupada em colonizar a Palestina do que em salvar seres humanos: “Se me dessem a possibilidade”, declarou Ben Gurión em 1938, “de salvar todas as crianças judias da Alemanha levando-as para Inglaterra ou salvar só metade transportando-as para Eretz - Israel, optaria pela segunda alternativa”. O terceiro, a cobiça imperialista de Inglaterra, que a partir da declaração Balfour (1917) e mediante uma maquiavélica política migratória soube interpretar a seu favor todas as vantagens da proposta racista de Herzl: “Para a Europa construiremos aí (na Palestina) um pedaço de muralha contra a Ásia, seremos a sentinela avançada da civilização contra a barbárie”.


Repartição e expansão

Contrariamente ao que julgamos saber, não apenas a justiça palestiniana se opôs ao princípio da repartição, como também a injustiça sionista. Em 1948, Menahem Beguin, dirigente do grupo terrorista Irgún e futuro prémio Nobel da Paz, declarava que “a repartição não privará Israel do resto dos territórios”. A 19 de Março desse mesmo ano Ben Gurión, chefe da Haganah e pai-fundador de Israel, insistia em que “o Estado judeu não dependerá da política da ONU mas sim da nossa força militar”. Essa força militar, articulada no plano Dalet, expulsou das suas terras, mediante o terror e a violência, 800.000 palestinianos, numa operação de limpeza étnica a grande escala cuja envergadura e objectivos foram claramente expostos pelo historiador israelense Benny Morris (um ultra-sionista que só lamenta, ainda por cima, que Ben Gurión não tivesse sido ainda mais radical). Dessa maneira, a 18 de Maio de 1948 foi criado, sobre 77% do território palestiniano, o “único Estado democrático” do Médio Oriente, um Estado “judeu” cuja “constituição” é a conhecida Lei do Retorno de 1950. É ela, e não a decência nem a razão nem a história, a que permite o “regresso” à Palestina de qualquer “judeu” do mundo, a partir de uma ambígua definição racial/religiosa que abarca os descendentes de pais ou avós judeus e os convertidos à religião de Moisés (mas exclui os que mudam de credo e os que questionam o carácter “judeu” do Estado de Israel).

Expulsão. A 11 de Julho de 1948, o Exército israelense obrigou a partida dos 19.000 habitantes de Lydda e dos mais de 20.000 palestinianos que se tinham refugiado lá. Hoje Lydda chama-se Lod e só 20% da sua população é árabe. 418 povoações ficaram vazias.

Cada vez que Israel bombardeia cidades, levanta muros, derruba oliveiras ou impõe a fome e a doença a milhões de seres humanos, os EUA e a UE, se por vezes lamentam “o desproporcionado uso da força”, lembram uma e outra vez o seu direito a se defenderem. Que ninguém se escandalize se eu disser que é absurdo invocar o seu direito à defesa quando o que está em causa é o seu direito à existência. Cada vez que os EUA e a UE promovem alguma ‘iniciativa de paz’ discute-se sobre o que fazer com os palestinianos e o que conceder aos palestinianos, como se os intrusos e ocupantes fossem eles. Que ninguém se escandalize se eu disser que a verdadeira questão é saber o que fazemos com os israelenses e o que concedemos aos israelenses. Não pode haver justiça se não se parte de princípios justos e é necessário, portanto, investir nesses princípios que nos parecem absurdamente naturais de alcançar, não já a justiça, mas uma solução minimamente injusta. Estou seguro de que o pragmatismo e a piedade levariam os palestinianos a serem generosos com os israelenses se o mundo declarasse publicamente de que lado está a razão e agisse em consequência. Mas enquanto os EUA e a UE, únicas chaves do conflito, apoiarem política, económica e militarmente os direitos do racismo, do fanatismo, do nacionalismo messiânico e a violência colonial, a humanidade continuará a desgraçar-se sem remédio através dessa ferida aberta na Palestina.


Nota de Diagonal: O problema dos refugiados
Depois das expulsões de 800.000 palestinianos em 1948, 350.000 em 1967 e do constante fluxo de palestinianos que saíram e continuam a sair do país nos últimos 60 anos, o número de refugiados ascende a uns seis milhões. Mais de quatro vivem nos Territórios Ocupados, Jordânia, Líbano e Síria. Mais de um milhão vive em acampamentos de refugiados. E mais de 250.000 são deslocados internos em Israel, os conhecidos como “presentes ausentes”. O regresso dos refugiados, ponto-chave na resolução do conflito e com o apoio da resolução 194 da ONU, é completamente repudiado por Israel.


Texto de Santiago Alba Rico publicado na Diagonal a 15 de Novembro de 2007. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

Vitor mango

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Re: BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

Mensagem por Vitor mango em Dom Nov 14, 2010 6:43 am

[b]O Congresso de Basileia, acto fundacional do sionismo, foi cedo denunciado por Karl Kraus, judeu universal de Viena, como uma forma de anti-semitismo: “Estas duas forças aspirariam secretamente a uma aliança”, pois “o seu objectivo é, de facto, comum: expulsar os judeus da Europa[
/b]

Vitor mango

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Re: BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

Mensagem por Vitor mango em Dom Nov 04, 2012 4:19 am

amen

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

Vitor mango

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Re: BIBI oferece a Abbas um suicidio politicamente assitido

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