Comida sobrou nas cantinas escolares

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Comida sobrou nas cantinas escolares

Mensagem por Viriato em Qui Jan 06, 2011 2:55 pm

Eu sei que há problemas sociais graves. Mas também penso que se exagera na sua dimensão. Os três milhões de telemoveis comprados este ano, a economia paralela (que não paga impostos), o número diário de automobilistas em áreas bem servidas de transportes colectivos, isso demonstra. Este ano explorou-se a caridadezinha. Com grande aparato e publicidade todos começaram a dar comida aos pobrezinhos. Depois constata-se que os pobrezinhos não aparecem.

Comida sobrou nas cantinas escolares

Há crianças com fome que não apareceram para almoçar nas cantinas das escolas, durante as férias de Natal, por vergonha ou negligência parental.

Joana Pereira Bastos com Isabel Paulo (www.expresso.pt)

Na EB1 da Torrinha, no Porto, só vão comer as crianças que frequentam ATL. Os mais carenciados não aparecem
Por vergonha ou negligência das famílias, muitas crianças com carências alimentares não almoçaram nas cantinas escolares que algumas autarquias decidiram abrir excecionalmente neste período das férias do Natal. Preocupados, professores e responsáveis dos serviços de ação social das câmaras vão agora analisar individualmente o caso de cada criança que não compareceu e admitem vir a participar as situações às comissões locais de proteção de menores.

Em Olhão, a Câmara pediu aos professores de cada escola que sinalizassem os alunos com carências alimentares. Alguns jogavam futebol num clube local, mas ao sábado apareciam quase sem forças para a partida. Pouco tinham comido desde o almoço na escola, no dia anterior. Com a ajuda de professores e treinadores, foram identificadas no concelho 150 crianças com fome; os pais foram informados de que para elas iriam estar abertas, durante as férias, cinco cantinas, uma por cada agrupamento de escolas básicas. Mas só 100 miúdos, em média, apareceram para almoçar.

"Há alunos que não vão porque as famílias têm vergonha, mas também há casos de negligência parental. Isto funciona como um alerta. Por isso, os serviços sociais vão agora acompanhar mais de perto cada caso e analisar a situação, eventualmente em conjunto com a comissão de menores", explica António Pina, vice-presidente da Câmara de Olhão, responsável pelo pelouro da Educação.

Em Setúbal, um dos concelhos com maiores bolsas de pobreza em todo o país, a situação é ainda mais difícil de compreender. Depois de alertada pelos professores para a existência de dezenas de crianças com carências alimentares, a autarquia decidiu suportar o custo das refeições dos alunos mais pobres de duas escolas durante as férias do Natal. Também neste caso as famílias foram avisadas. Mas, ainda assim, nenhum aluno apareceu no refeitório da associação onde são disponibilizados os almoços.

"Claro que há alguma vergonha, mas também há casos críticos de famílias desestruturadas, em que os pais são toxicodependentes, por exemplo, e nem se apercebem de que passou a hora da refeição e a criança não comeu", conta Dina Fernandes, diretora do Agrupamento de Escolas Lima de Freitas, em Setúbal. A professora explica ainda que muitas famílias receberam o Rendimento Social de Inserção no dia 20 e "têm alguma dificuldade em gerir o dinheiro, o que faz com que gastem praticamente tudo na primeira semana". Depois disso, diz, é que começam as dificuldades. E a fome. "Nas reuniões de encarregados de educação que vão ocorrer na primeira semana de aulas, vamos tentar perceber por que razão as crianças não compareceram para comer e, se detetarmos algum caso de negligência, obviamente será participado à comissão de menores", garante.


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