A novela

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A novela

Mensagem por Viriato em Seg Jan 10, 2011 3:14 am

A novela

A novela das relações do Candidato Cavaco Silva com a Sociedade Lusa de Negócios nunca teria existido se o Presidente tivesse cortado cerce a especulação prestando toda a informação sobre o caso.

Preferiu nada ter a ver com o BPN, apenas com a SLN, argumento formalmente impecável, mas politicamente impossível. Deveria ter previsto que na campanha lhe saltaria a questão à estrada, dado o reconhecido prazer de alguns na prática de acusação pessoal para denegrir políticas. Mas não foi o BE quem saltou à estrada. Foi Defensor de Moura, candidato acidental, que se arrisca a, em quatro semanas, trocar de posição com Fernando Nobre, servindo de voto de refúgio a milhares de socialistas e outros.

Mas os disparates da Candidatura Cavaco Silva aumentaram: recusando responder directamente, remetia para o ‘site' da Presidência, confundindo estatutos e funções. À medida que o cerco se apertava, a remissão passava para a declaração de registo de interesses depositada no Tribunal Constitucional, a qual naturalmente não responde às prementes questões sobre a bela colocação financeira, quem a pagou e em que termos, concorrenciais ou exclusivos, ela teria sido oferecida. Sim, se qualquer um de nós, tivesse acesso à informação sobre a espantosa remuneração do capital praticada, as portas do grupo concentrariam magotes de clientes.

Depois veio o contra-ataque, sobre a forma de indirecta ao Governo. A candidatura não resistiu a tapar o sol com a peneira de potenciais erros na nacionalização do Banco, na esforçada mas ingénua tentativa de desviar atenções. Mas como uma asneira mal resolvida arrasta sempre outras, bloqueado o Candidato num silêncio dorido, logo surge um dos seus prestigiosos apoiantes a indignar-se com a torpeza das acusações. Quanto à substância, a Candidatura continuava a oferecer o merecimento de autos. Cedo ou tarde irão ser procurados, lidos e transcritos.

Dificilmente se entende a fiada dos disparates. Por ficção do instante, vamos substituir os protagonistas: se no lugar de Cavaco estivesse Sócrates, a crise seria de "arrasar", do tipo Terramoto de 1755. Valha-nos ao menos o estatuto da vítima e a sua relativa virgindade como acusado civil.

Aqui chegados, só uma de duas saídas pode salvar a campanha: ou uma sondagem, elevando o Candidato incumbente aos píncaros da popularidade e relegando os Oponentes para o purgatório das acusações que não pegam, ou a resposta cabal da Candidatura, com documentação de apoio para esclarecer tudo. Confesso que para bem de todos nós, não me agrada ter um Presidente eternamente prisioneiro de suspeitas que ele próprio deixou crescer, por erros de gestão política. Prefiro ver um Candidato criticado não ter sabido distinguir o trigo do joio (já que ele nunca compraria gato por lebre) que um Presidente eternamente claudicante, por culpa de outros.
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António Correia de Campos, Deputado do PS ao Parlamento Europeu
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