Tântalo

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Tântalo

Mensagem por Viriato em Seg Mar 07, 2011 3:28 am

Tântalo


Cada vez mais barões sucumbem ao suplício de Tântalo. Desejosos de aceder ao banquete do poder, atiçados pela fome prolongada de cargos e prebendas, dispõem-se a todas as ginásticas, dizendo à tarde o contrário do que disseram de manhã.

Mais uma semana tantalisante terminou com a frustração de, afinal, o homem continuar a resistir à intervenção externa e pior para eles, continuar a ter apoio lá fora.

Olhos a brilharem de cobiça, boca seca à espera do néctar e da ambrósia, multiplicam-se em declarações de impaciência. Começa a ser trivial. Primeiro o crescendo de esperança até ao primeiro leilão do ano, agora, o desejo bem explícito de que Ângela desejasse um outro vizinho a seu lado na mesa europeia. Arrefecidos os ânimos com mais uma frustração, a cena irá repetir-se no final do mês. Admito até que façam figas para que a sua parente política perca as eleições de Baden-Wurtenberg para, de uma vez para sempre, se recolher às posições duras e pouco europeias que o seu eleitorado tanto acarinha e imponha a Portugal o castigo dos insubmissos.

Este comportamento contrasta com o dos mais astutos: reclamar o poder já, mesmo com todas as culpas assacadas ao PS, pode ser uma saída do espeto para entrada na caçoila. Perante o crescendo de problemas e a escassez de soluções, o noivado político seria breve, tal como se passou no Reino Unido. Errando entre dois caminhos, a alternativa perde-se, desforrando-se os barões mais esfomeados em urros atroadores. Por quanto tempo mais resistirão como Tântalo, à água que se esvai e aos frutos abundantes que o vento afasta de cada vez que a sede e fome apertam, é uma questão sem resposta. Neste percurso binário entre a impaciência e a astúcia começam a vir a público os que, pregando contenção, antevêem já a oportunidade para baldear dirigentes em que nunca acreditaram.

O resultado de tudo isto é a descrença progressiva na alternativa. E o regresso do olhar intranquilo dos Portugueses àqueles que já conhece e que sabe que o servem sem ambição mesquinha, certamente com erros e angústias, mas sem lhe apresentarem um caminho inçado de desigualdades e de negocismo.

A confiança no olhar só se reafirma se as políticas austeras continuarem, na linha da rudeza socialmente temperada, cortando na gordura para deixar o músculo liberto. Convém pois, que as medidas anunciadas, sejam elas vinte, cinquenta ou cem, dêem mostras de estarem a ser acompanhadas. Falaremos então de outras coisas, que estas nos prendem demais.
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António Correia de Campos, Deputado do PS ao Parlamento Europeu
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