CONSUMAÇÃO

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CONSUMAÇÃO

Mensagem por Vagueante em Ter Jun 07, 2011 4:00 pm

No dia 5 de Junho consumou-se aquilo que era esperado por todos os portugueses. Julgo não errar quando afirmo "todos os portugueses" já que constatar não é a mesma coisa que desejar e, pelos vistos, houve pelo menos 28,05% de votantes que assim não desejavam.
Chegados aqui, verificamos que o PS foi corrido da governação sem honra nem glória, salvando-se no dia do reconhecimento da derrota eleitoral, o discurso de José Sócrates que teve um comportamento digno de um grande senhor.
Como já disse noutra oportunidade, estamos numa encruzilhada em que ainda não vislumbramos como sair dela, embora tenha sido apontado um caminho que não me parece que nos leve a bom porto.
As soluções apontadas à esquerda, foram rejeitadas e muito bem, por cerca de 85% dos portugueses. O caminho de onde vínhamos, ou seja, o da rectaguarda, foi recusado com razões mais que suficientes em face da governação incompetente e falaciosa que se seguiu às eleições de 2009 e que deveria ter sido interrompida mais cedo se, não houvesse da parte dos responsáveis políticos, outros interesses que não fossem os nacionais. De facto, se o PR não tivesse feito tudo para destruir Sócrates na tentativa de entregar o governo ao partido da sua côr política, o governo saído das eleições de 2009 nem teria tomado posse. Quanto aos partidos que realmente têm influência para derrubar governos na AR, também tomaram para si a defesa dos seus interesses e não os interesses nacionais. Bastaria que o PSD tivesse apresentado uma moção de censura para que o governo caísse, já que, toda a oposição, incluindo a oposição da esquerda estaria disposta a votar essa moção favoravelmente. Tal não aconteceu e mesmo quando outras moções à esquerda chegaram ao parlamento, o PSD limitou-se a abster-se, revelando uma ânsia de poder para o qual ainda não se sentia preparado. Bastou portando, deixar correr o tempo até que Sócrates se enterrou em definitivo, por culpa própria ou porque a isso foi obrigado. O mal disto tudo, foi que arrastou com ele o país para a pior situação política e económica em que o país se encontra desde 1926, porque também não foi capaz de ver, quando toda a oposição se começou a unir contra a sua governação, que o país teria ganho com a apresentação de uma moção de confiança na AR que, por certo, seria votada negativamente pela generalidade da oposição.
O caminho da direita, foi para já o escolhido pelos portugueses. Mas esta direita que se nos apresenta para governar, não oferece garantia nenhuma de boa governação tendo em conta os principais intervenientes. De facto, Paulo Portas já deu provas bastantes da sua incompetência enquanto ministro, dos interesses partidários que defendeu e de que ainda hoje estamos à espera de esclarecimento judicial e que se apresenta novamente (demagogicamente) como o defensor do governo social. Digo demagogicamente, porque aquilo que até agora tem defendido só é possível por um partido sem responsabilidades governativas. Iremos ver, até que ponto ele irá conseguir influenciar o futuro governo na execução das propostas sociais que defendeu durante a campanha eleitoral. Quanto à agricultura e pescas, não me custaria aceitar as suas palavras se elas se destinassem realmente a apoiar a nossa agricultura e pescas e não só alguma agricultura dos grandes latifundiários e a pesca dos grandes armadores que são aqueles que recebem apoios da UE.
Quanto ao PSD, que em teoria será o partido determinante do futuro governo, tenho muito receio de que o seu chefe Passos Coelho, não esteja à altura dos desafios que lhe serão colocados, logo no imediato pelo seu parceiro de governo, arriscando-se a deixar que o governo venha a ser não o seu governo mas o de Paulo Portas.
Partindo todavia do princípio de que Passos Coelho terá capacidade para se impôr, apresentam-se-lhe desafios quase intransponíveis ou mesmo intransponíveis. Com efeito, se observarmos as exigências de legislação necessária e os tempos impostos pelo trio que nos vai "governar" nos próximos anos, não vislumbro da parte dos nossos políticos, agilidade legislativa compaginável com as exigências que nos são impostas, atendendo aos trâmites que a constituição impõe, e a AR exige, quando chama a si a discussão dos decretos governamentais, com todas as implicações de agendamento, discussão em plenário e discussão na generalidade, sem esquecer os tempos de avaliação do PR e eventualmente do Tribunal Constitucional. E se, a agilidade legislativa é duvidosa, mais duvidosa ainda será a capacidade executiva, atendendo à morosidade da Administração Pública e à contestação da Rua que necessariamente irá surgir, a partir das organizações sindicais, a que se juntarão o PCP e o BE e, eventualmente, o PS.
Mas há mais: No programa Prós e Contras da RTP1 na passada 2ª. Feira, notou-se de imediato, como aliás foi reconhecido por um dos participantes, que tudo aquilo em que é necessário mexer para satisfazer as exigências do "trio" que nos quer governar, não tem necessidade de ser mexido porque está tudo como deve estar, a começar nas autarquias, continuando no SNS e nos impostos que serão necessários para compensar a diminuição do Imposto Social Único. Logo, avizinham-se discussões de grande duração, previdências cautelares, etc., que arrastarão seguramente a execução das exigências do "trio" para além das datas acordadas.
Mas o meu receio maior, é o de que, mesmo que tudo seja cumprido em tempo oportuno, não consigamos atingir o objectivo que nos propomos porque teremos que considerar que:
1- O país gasta, segundo os números que têm vindo ao conhecimento público, 110 e produz só 100 anualmente e sistematicamente.
2- É necessário que o país passe a produzir 105 e passe a gastar 100 só para satisfazer as suas necessidades e pagar o juro da dívida. Fica-nos ainda a dívida que tem de ser amortizada, sob risco de chegarmos ao fim do prazo do empréstimo e continuarmos com o mesmo nível de dívida, o que nos obrigaria a recorrer, como agora está a acontecer com a Grécia, a novo empréstimo, entrando assim num círculo infernal de onde seria impossível sair.
3- A recessão que se avizinha em face das exigências do "trio", irão criar ainda mais dificuldades pois os impostos a cobrar também se irão ressentir dessa recessão.

Esta é a análise que eu faço da situação em que nos encontramos e do caminho escolhido pelos portugueses para alterar o estado das coisas.

Nesta encruzilhada, resta-nos o caminho da frente. Isto é, aquele em que provavelmente, de uma forma não democrática, teremos que caminhar novamente para uma ditadura, em que a nossa saída do Euro e da UE seria obrigatório, já que a EU não contempla no seio a existência de ditaduras.

Este será o último caminho que eu gostaria de seguir. No entanto, para que tal não aconteça, será necessário dar todo o apoio ao governo que nos irá governar daqui para a frente, gostemos ou não gostemos dele e dos seus executores.
Logo, é necessário que o PS se iniba de dar ou fomentar apoio à rua, esforçando-se para fazer uma oposição responsável, atendendo inclusivamente ao facto de não dever fazer cá fora o contrário daquilo que faz lá dentro.

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Re: CONSUMAÇÃO

Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 07, 2011 11:38 pm

Mas o meu receio maior, é o de que, mesmo que tudo seja cumprido em tempo oportuno, não consigamos atingir o objectivo que nos propomos porque teremos que considerar que:
1- O país gasta, segundo os números que têm vindo ao conhecimento público, 110 e produz só 100 anualmente e sistematicamente.
2- É necessário que o país passe a produzir 105
e passe a gastar 100 só para satisfazer as suas necessidades e pagar o juro da dívida. Fica-nos ainda a dívida que tem de ser amortizada, sob risco de chegarmos ao fim do prazo do empréstimo e continuarmos com o mesmo nível de dívida, o que nos obrigaria a recorrer, como agora está a acontecer com a Grécia, a novo empréstimo, entrando assim num círculo infernal de onde seria impossível sair.
3- A recessão que se avizinha em face das exigências do "trio", irão criar ainda mais dificuldades pois os impostos a cobrar também se irão ressentir dessa recessão.

era exactamente discursos como estes que eu goistaria de ter ouvido durante o paleio pre eleiçoes
nada de nada foi dito para alem das baboseiras ja conhecidas

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Re: CONSUMAÇÃO

Mensagem por Viriato em Qua Jun 08, 2011 3:33 am

Espero sinceramente que estas tenham sido as últimas eleições com esse tipo de registo....
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Re: CONSUMAÇÃO

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