O capitalismo está condenado ao fracasso?

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Mensagem por TheNightTrain em Qui Ago 25, 2011 7:59 am

O capitalismo está condenado ao fracasso?
22 Agosto2011 | 11:45
Nouriel Roubini - © Project Syndicate, 2008. www.project-syndicate.org



A enorme volatilidade e a forte correcção dos preços das acções que atinge actualmente os mercados financeiros globais
A enorme volatilidade e a forte correcção dos preços das acções que atinge actualmente os mercados financeiros globais são um sinal de que as economias mais avançadas estão à beira de uma dupla recessão ("double-dip recession"). A crise económica e financeira provocada pela enorme dívida e alavancagem do sector privado conduziu a uma maciça realavancagem do sector público de forma a evitar uma Grande Depressão 2.0. Mas a recuperação que se seguiu tem sido anémica e medíocre na maioria das economias avançadas devido à dolorosa desalavancagem.

Agora, uma combinação de preços do petróleo e das matérias-primas elevados, de tumultos no Médio Oriente, terramoto e tsunami no Japão, crise da dívida na Zona Euro, e problemas orçamentais nos Estados Unidos (que levaram a redução do "rating" da dívida) provocaram um enorme aumento da aversão ao risco. Os Estados Unidos, a Zona Euro, o Reino Unido e o Japão estão, economicamente, lentos. Mesmo os mercados emergentes, com rápidas taxas de crescimento (como a China, emergentes asiáticos e América Latina) e as economias orientadas para as exportações que dependem destes mercados (Alemanha e a Austrália, rica em recursos) estão a viver um período de abrandamento económico.

Até ao ano passado, os decisores políticos conseguiam sempre tirar mais "um coelho da cartola" para aumentar o preço dos activos e impulsionar a recuperação económica. Estímulos orçamentais, taxas de juro perto do zero, duas rondas de "flexibilização quantitativa" ("quantitative easing" (QE)), controlo da dívida tóxica e biliões de dólares em resgates e provisões de liquidez para os bancos e instituições financeiras: as autoridades tentaram tudo. Agora ficaram sem coelhos.

A actual política orçamental é um obstáculo ao crescimento económico tanto da Zona Euro como do Reino Unido. Mesmo nos Estados Unidos, os governos locais e estatais, e mais recentemente os federais, estão a reduzir os gastos e a diminuir os pagamentos de transferências. Em breve, irão aumentar os impostos.

Outra ronda de resgates bancários é politicamente inaceitável e economicamente inviável: a maioria dos governos, especialmente na Europa, enfrenta tantos problemas que os resgates são insustentáveis. De facto, o seu risco soberano tem aumentando as preocupações com a saúde dos bancos europeus, que detêm nas suas carteiras a maior parte dos cada vez mais instáveis valores governamentais.

Neste caso, a política monetária também não pode ajudar muito. A "flexibilização quantitativa" está limitada pelos limites máximos da taxa de inflação na Zona Euro e no Reino Unido. A Reserva Federal dos Estados Unidos irá, muito provavelmente, lançar uma terceira ronda de "flexibilização quantitativa" (QE3) mas esta terá pouco tempo e chegará muito tarde. O QE2 de 2010, no valor de 600 mil milhões de dólares, os cortes fiscais e as transferências de 1 bilião de dólares conseguiram que a economia crescesse apenas 3% durante um trimestre. Depois disso, o crescimento foi inferior a 1% na primeira metade de 2011. O QE3 será muito mais pequeno e terá muito menos impacto no preço dos activos e no crescimento económico.

A desvalorização da moeda não é uma opção viável para todas as economias avançadas: todas precisam de uma moeda fraca e de um melhor equilíbrio comercial para repor o crescimento mas não o podem ter todas ao mesmo tempo. Assim, depender das taxas de câmbio para influenciar as balanças comerciais é um jogo de soma zero. As guerras cambiais estão no horizonte. O Japão e a Suíça já iniciaram a batalha para enfraquecer as suas moedas. Outros os seguirão.

Entretanto, na Zona Euro, Itália e Espanha estão em risco de perder o acesso aos mercados e as pressões financeiras sobre a França continuam a aumentar. Mas Itália e Espanha são demasiado grandes para cair e demasiado grandes para serem resgatados. Por agora, o Banco Central Europeu vai comprar obrigações dos dois países como ponte para o novo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Mas se a Itália e/ou a Espanha perderam o acesso aos mercados, os 440 mil milhões de euros do FEEF poderão esgotar-se no final deste ano ou no início de 2012.

Nessa altura, a não ser que os fundos do FEEF sejam triplicados - algo a que a Alemanha se opõe -, a única alternativa seria uma reestruturação ordenada mas coerciva da dívida italiana e espanhola, tal como aconteceu na Grécia. O passo seguinte será a reestruturação coerciva da dívida não garantida dos bancos insolventes. Assim, apesar do processo de desalavancagem mal ter começado, serão necessárias reduções de dívida se os países não conseguirem, sozinhos, crescer, poupar ou gerar inflação para resolverem os seus problemas com a dívida.

Assim, parece que Karl Marx estava, em parte, certo quando afirmava que a globalização, a intermediação financeira fora de controlo e a redistribuição do rendimento e da riqueza dos trabalhadores para o capital poderia levar à autodestruição do capitalismo (apesar de já ter ficado provado que estava errada a sua ideia de que o socialismo era melhor). As empresas estão a cortar postos de trabalho porque não existe procura final suficiente. Mas reduzir postos de trabalho diminuiu o rendimento do trabalho, aumenta a desigualdade e reduz a procura final.

Os recentes protestos populares, do Médio Oriente a Israel, passando pelo Reino Unido, e o aumento da ira popular na China - e em muito em breve em outras economias avançadas e emergentes - são provocados pelas mesmas questões e tensões: crescente desigualdade, pobreza, desemprego e falta de esperança. Mesmo a classe média mundial está a sentir a pressão da queda do rendimento e das oportunidades.

Para permitir que as economias orientadas para o mercado operem como deveriam e como podem, temos de regressar ao equilíbrio certo entre mercados e oferta de bens públicos. Isto significa um afastamento tanto do modelo anglo-saxónico de "laissez-faire" e economia "voodoo", como do modelo europeu Continental de estados de bem-estar impulsionados pelo défice. Ambos os modelos estão esgotados.

Hoje em dia, o equilíbrio certo exige a criação de postos de trabalho, em parte, através de novos estímulos orçamentais dirigidos ao investimento em infra-estruturas produtivas. Exige também impostos mais progressivos; mais estímulos orçamentais de curto prazo com disciplina orçamental de médio e longo prazo; o apoio de empréstimos de último recurso por parte das autoridades monetárias de forma a evitar corridos aos bancos que podem ser ruinosas; redução do peso da dívida das famílias insolventes e de outros agentes económicos em dificuldades; e uma supervisão e regulação mais dura de um sistema financeiro que está fora de controlo; divisão dos bancos demasiado grandes para falir e dos fundos de investimentos oligopolistas.

Com o tempo, as economias avançadas vão precisar de investir no capital humano, no conhecimento ("skills") e em redes de Segurança Social para aumentar a produtividade e permitir aos trabalhadores competirem, serem flexíveis e prosperarem numa economia globalizada. A alternativa é - tal como aconteceu nos anos 30 - uma estagnação interminável, depressão, guerras cambiais e comerciais, controlo de capitais, crise financeira, insolvências soberanas e enorme instabilidade política e social.


Nouriel Roubini é presidente do Roubini Global Economics, professor de Economia na Stern School of Business, Universidade de Nova Iorque, e co-autor do livro "Crisis Economics".


© Project Syndicate, 2011.
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Tradução: Ana Luísa Marques

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Mensagem por TheNightTrain em Qui Ago 25, 2011 8:10 am

Comparando a mão de Deus do MARADONA, com a mão dos que fazem as crises, a diferença é que nada é feito ao vivo e a cores, sem a excitação da HERD em polvorosa num anfiteatro; mas os resultados são CATASTRÓFICOS, claro que a mão invisível que enxuga os balanços da falsa processão, encharca todos os desgraçados que não lhe consigam escapar.

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Mensagem por TheNightTrain em Ter Ago 30, 2011 2:01 pm

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Mensagem por Kllüx em Ter Ago 30, 2011 9:21 pm

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