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Mensagem por Vitor mango em Qui Maio 31, 2012 9:15 am

[b]MARTIN PAGE
Tristão e os seus homens não foram, evidentemente, as únicas vítimas daquela época pioneira do comércio com a África Ocidental. Entre outros, encontrava-se um nobre dinamarquês, conhecido dos portugueses pelo nome de Eberhardt, que adquiriu uma passagem de barco de Lagos para Cabo Verde. Fazia-se acompanhar de uma tenda por ele inventada e que, segundo dizia, podia abrigar 30 homens, sendo, no entanto, suficientemente leve para ser transportada por um só. O seu plano era trocá-la por um elefante. Os portugueses deixaram-no e à sua tenda, em terra. À volta destes e de outros episódios, multiplicaram-se as lendas sobre a escravatura branca no interior de África.
Os chefes costeiros verificaram que a captura de negros no interior, e a sua posterior venda aos europeus, constituía um comércio novo e extremamente lucrativo. Já por volta de 1447, havia tal abundância de escravos a preços tão reduzidos que, pelo menos, um capitão, levando a bordo um número de escravos superior aos mantimentos de que dispunha para fazerem a viagem até Lagos, decidiu atirar alguns ao mar. Ao mesmo tempo, o monopólio papal era ferozmente protegido. A um espanhol, que foi apanhado a negociar cavalos andaluzes em troca de escravos (o preço corrente era de um cavalo por 16 homens), foram-lhe quebrados os ossos, por ordem do rei português, e o seu corpo, ao que parece ainda vivo, foi lançado numa fornalha.
Antes da morte do infante D. Henrique, em 1460, cerca de 1000 escravos eram anualmente desembarcados em Lagos, vindo a constituir a maioria da população do Algarve e cerca de dez por cento da de Lisboa. Eram adquiridos de forma pacífica através de um contrato de fornecimento com o rei africano Badomel, da costa do Senegal. O lucro por viagem era, em média, da ordem dos 600 a 700 por cento, não diminuindo com o decréscimo da sua procura em Portugal, já que rapidamente se assistiu a um aumento das suas exportações para os reinos do Norte de Espanha e vários países do Norte da Europa.
A escravatura não deixava de ter os seus críticos, entre os quais se incluíam alguns familiares do próprio infante. Escreveu Azurara, o cronista de D. Henrique: «São tratados com grande bondade e não se fazem distinções entre eles e os servos portugueses que nasceram livres. Aos jovens, ensinam uma profissão. Aqueles í"" [/b]

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Mensagem por Vitor mango em Qui Maio 31, 2012 9:17 am

// MARTIN PAGE
'I'ristão e os seus homens não foram, evidentemente, as únicas vil iluas daquela época pioneira do comércio com a África Ocidental. ?ntre outros, encontrava-se um nobre dinamarquês, conhecido dos portugueses pelo nome de Eberhardt, que adquiriu uma passagem de barco de Lagos para Cabo Verde. Fazia-se acompanhar de uma tenda por ele inventada e que, segundo dizia, podia abrigar 30 homens, sendo, no entanto, suficientemente leve para ser transportada por um só. O seu plano era trocá-la por um elefante. Os portugueses deixaram-no e à sua tenda, em terra. À volta destes e de outros episódios, multiplicaram-se as lendas sobre a escravatura branca no interior de África.
Os chefes costeiros verificaram que a captura de negros no interior, e a sua posterior venda aos europeus, constituía um `comércio novo e extremamente lucrativo. Já por volta de 1447, havia tal abundância de escravos a preços tão reduzidos que, pelo menos, um capitão, levando a bordo um número de escravos superior aos mantimentos de que dispunha para fazerem a viagem até Lagos', decidiu atirar alguns ao mar. Ao mesmo tempo, o monopólio papal era ferozmente protegido. A um espanhol, que foi apanhado a negociar cavalos andaluzes em troca de escravos (o preço corrente era de um cavalo por 16 homens), foram-lhe quebrados os ossos, por ordem do rei português, e o seu corpo, ao que parece ainda vivo, foi lançado numa fornalha.
Antes da morte do infante D. Henrique, em 1460, cerca de 1000 escravos eram anualmente desembarcados em Lagos, vindo a constituir a maioria da população do Algarve e cerca de dez por cento da de Lisboa. Eram adquiridos de forma pacífica através de um contrato de fornecimento com o rei africano Badomel, da costa do Senegal. O lucro por viagem era, em média, da ordem dos 600 a 700 por cento, não diminuindo com o decréscimo da sua procura em Portugal, já que rapidamente se assistiu a um aumento das suas exportações para os reinos do Norte de Espanha e vários países do Norte da Europa.
A escravatura não deixava de ter os seus críticos, entre os quais se incluíam alguns familiares do próprio infante. Escreveu Azurara, o cronista de D. Henrique: «São tratados com grande bondade e não se fazem distinções entre eles e os servos portugueses que nasceram livres. Aos jovens, ensinam uma profissão. Aqueles que revelam capacidade para explorar uma herdade são libertos e casados com mulhe-
A PRIMEIRA ALDEIA GLOBAL
res portuguesas. Os amos dão-lhes um bom dote, para ajudar à sua independência. As viúvas que albergam escravas educam-nas como se fossem suas filhas, contemplando-as nos seus testamentos, de modo a que possam casar bem. São olhadas como mulheres absolutamente livres. Nunca tive conhecimento de que qualquer um destes cativos tivesse sido posto a ferros, nem soube de nenhum que não tenha sido tratado com grande bondade. Sou frequentemente convidado por donos de escravos para o baptismo ou casamento de um deles, havendo tanta cerimónia quanto festejo, como se se tratasse de um membro da família.»
Havia uma verdade apenas parcial nesta afirmação de Azurara, consequência, talvez, da absorção destes imigrantes involuntários africanos pela população nascida em liberdade, através de casamentos mistos e concessões de terras. Hoje em dia, no Alentejo (a província situada imediatamente a norte do Algarve), existem duas aldeias — São Romão e Rio de Moinhos —, perto de Alcácer do Sal, que continuam, em grande parte, povoadas por arrozeiros negros. Os seus antepassados escravos trouxeram com eles uma imunidade genética à malária, doença que, ainda nos anos 1950, era endémica nos arrozais de Alcácer. À medida que os brancos portugueses morriam ou abandonavam a região, os negros adquiriam as suas propriedades e prosperavam cada vez mais.
Estes casos eram a excepção e não a regra. Em 1555, pouco depois do centenário do início do tráfico de escravos por portugueses, o padre Fernando Oliveira publicou um panfleto, classificando a escravatura como uma tirania. Era injusto, por outro lado, culpar os reis da costa africana por capturarem e venderem escravos, já que sem compradores europeus não haveria tráfico nem, consequentemente, raptos em massa. Condenou ainda, com particular veemência, a defesa por Azurara encetada, em nome do infante D. Henrique, com o argumento de que a escravização conduzia à conversão ao cristianismo e à salvação das suas almas. «Inventámos um comércio vil e cruel», escreveu o padre.
A escravatura só foi declarada ilegal em Portugal e os escravos libertos em 1773. Ocorreu um ano antes da Inglaterra e 39 anos antes dos Estados Unidos. Todo o comércio de escravos realizado pelos portugueses só foi, no entanto, proibido em 1836. Tal como aconteceu em outras partes do mundo, também em alguns territórios ultrama-

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Mensagem por Vitor mango em Qui Maio 31, 2012 9:18 am

A PRIMEIRA ALDEIA GLOBAL
res portuguesas. Os amos dão-lhes um bom dote, para ajudar à sua independência. As viúvas que albergam escravas educam-nas como se fossem suas filhas, contemplando-as nos seus testamentos, de modo a que possam casar bem. São olhadas como mulheres absolutamente livres. Nunca tive conhecimento de que qualquer um destes cativos tivesse sido posto a ferros, nem soube de nenhum que não tenha sido tratado com grande bondade. Sou frequentemente convidado por donos de escravos para o baptismo ou casamento de um deles, havendo tanta cerimónia quanto festejo, como se se tratasse de um membro da família.»

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Mensagem por Vitor mango em Qui Maio 31, 2012 9:20 am

Hoje em dia, no Alentejo (a província situada imediatamente a norte do Algarve), existem duas aldeias — São Romão e Rio de Moinhos —, perto de Alcácer do Sal, que continuam, em grande parte, povoadas por arrozeiros negros. Os seus antepassados escravos trouxeram com eles uma imunidade genética à malária, doença que, ainda nos anos 1950, era endémica nos arrozais de Alcácer. À medida que os brancos portugueses morriam ou abandonavam a região, os negros adquiriam as suas propriedades e prosperavam cada vez mais.

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Mensagem por Vitor mango em Qui Maio 31, 2012 9:21 am

A escravatura só foi declarada ilegal em Portugal e os escravos libertos em 1773. Ocorreu um ano antes da Inglaterra e 39 anos antes dos Estados Unidos. Todo o comércio de escravos realizado pelos portugueses só foi, no entanto, proibido em 1836. Tal como aconteceu em outras partes do mundo, também em alguns territórios ultrama-

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