A CHEGADA DA INQUISIÇÃO E A PARTIDA DOS JUDEUS

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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:24 am

Capítulo XIII
A CHEGADA DA INQUISIÇÃO
E A PARTIDA DOS JUDEUS
Antes do final do século XV, Portugal era o único país da Europa onde os judeus não eram perseguidos. Tinham sido expulsos de Inglaterra, no século XIII, de França, no século XIV, e, posteriormente, da Alemanha, Polónia e Rússia. Na Suíça, várias centenas foram queimados na fogueira. Em várias das cidades-estado de Itália, foi-lhes permitida a permanência, mas apenas em guetos, fora das muralhas da cidade. Era-lhes vedado o exercício do comércio e de outras actividades lucrativas, estavam privados de direitos políticos e civis e eram obrigados a pagar impostos altamente penalizadores. A única excepção era muito curiosa: o Papa, enquanto chefe temporal de Roma, permitiu ao «povo de Jesus)) o direito de ali residir, dando-lhes a sua protecção.
Os judeus em Portugal eram conhecidos por «sefardistas», que significa «ocidentais». Acreditavam que eles descendiam da aristocracia escravizada durante o cativeiro de Babilónia. Como vimos no Capítulo I, existem no Antigo Testamento várias referências a Tarsis, que eles acreditavam, e muitos ainda acreditam hoje, ser o Sul da Ibéria atlântica. É bem provável que tenham residido aqui judeus, na altura em que os novos refugiados chegaram de Israel, após a queda de Jerusalém e a destruição do Segundo Templo, pelos romanos, no ano 72 d. C. A primeira referência escrita sobre a presença dos judeus é um édito datado de 300 d. C., proibindo os camponeses cristãos de se dirigirem aos rabinos, em vez de o fazerem aos padres, pedindo-lhes que abençoassem os seus campos ou que os casassem. O facto de os bispos terem sentido a necessidade de emitir tal proibição é a prova evidente, ainda que, na sua opinião, negativa, da aceitação que

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.os judeus tiveram, por parte dos cristãos, bem como a simpatia co~n •que a sua religião foi recebida.
• Durante os séculos que se seguiram, os judeus trouxeram alguns benefícios à maioria cristã existente em Portugal, a começar pela introdução da técnica de impressão. O primeiro livro aqui impresso foi o de Samuel Gascon, em Faro, no ano de 1487, seguindo-se, dois anos depois, um do rabino Eliezer, em Lisboa. Eram figuras destacadas do
• conhecimento, incluindo a medicina, as matemáticas e a astronomia, sem as quais teria sido improvável a concretização das descobertas além-Europa. Os rabinos ocupavam lugares de destaque na corte desde o reinado de D. Dinis, nos finais do século XIII, princípio do XIV. O único ponto de atrito digno de nota entre eles e os arcebispos e padres da corte era a prática da astrologia. Apesar do protesto do cardeal, o rei D. Duarte, adiou a sua coroação só porque o líder português dos rabinos o avisou de que a conjunção dos planetas lhe era desfavorável. Por causa do seu modo de ser e do conhecimento de línguas, os reis portugueses nomeavam frequentemente judeus como embaixadores no estrangeiro, sobretudo em países muçulmanos, onde eram mais bem recebidos e tidos em consideração do que os cristãos. Em várias partes do mundo, incluindo o Norte da Europa e da Ásia, havia mesmo quem pensasse que Portugal era uma nação judaica.
Os judeus eram, não apenas autorizados, mas até incentivados, a trabalhar como ourives e joalheiros. As corporações que regulamentavam estas profissões eram dirigidas por comissões constituídas por cristãos e judeus em igual número. As autoridades cristãs reconheciam, que os judeus tinham uma diferente tradição em relação ao
• direito comunal e à família, sendo-lhes, por isso mesmo, permitido ter'os seus próprios juízes.
Embora se mantivessem fiéis às leis alimentares e prestassem culto nas sinagogas, os judeus substituíram o hebraico pelo português, como língua litúrgica. Viviam, vestiam-se e comportavam-se de tal modo que ninguém os distinguia dos cristãos. Um número razoável foi agraciado com títulos de nobreza. Cristãos e judeus, quando ami-
• gos, tinham por hábito visitar-se durante as festas religiosas, trocando presentes, geralmente constituídos por cestos de fruta e ovos ornamentados. Os judeus visitavam os cristãos no Natal e Páscoa, e os
• cristãos visitavam os judeus durante o Hannukkah e a Festa do Cordeiro Pascal.
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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:25 am

Antes do final do século XV, Portugal era o único país da Europa onde os judeus não eram perseguidos. Tinham sido expulsos de Inglaterra, no século XIII, de França, no século XIV, e, posteriormente, da Alemanha, Polónia e Rússia. Na Suíça, várias centenas foram queimados na fogueira

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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:27 am

O único ponto de atrito digno de nota entre eles e os arcebispos e padres da corte era a prática da astrologia. Apesar do protesto do cardeal, o rei D. Duarte, adiou a sua coroação só porque o líder português dos rabinos o avisou de que a conjunção dos planetas lhe era desfavorável. Por causa do seu modo de ser e do conhecimento de línguas, os reis portugueses nomeavam frequentemente judeus como embaixadores no estrangeiro, sobretudo em países muçulmanos, onde eram mais bem recebidos e tidos em consideração do que os cristãos

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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:30 am

os judeus tiveram, por parte dos cristãos, bem como a simpatia com que a sua religião foi recebida.
Durante os séculos que se seguiram, os judeus trouxeram alguns benefícios à maioria cristã existente em Portugal, a começar pela introdução da técnica de impressão. O primeiro livro aqui impresso foi o de Samuel Gascon, em Faro, no ano de 1487, seguindo-se, dois anos depois, um do rabino Eliezer, em Lisboa. Eram figuras destacadas do conhecimento, incluindo a medicina, as matemáticas e a astronomia, sem as quais teria sido improvável a concretização das descobertas além-Europa. Os rabinos ocupavam lugares de destaque na corte desde o reinado de D. Dinis, nos finais do século XIII, princípio do XIV. O único ponto de atrito digno de nota entre eles e os arcebispos e padres da corte era a prática da astrologia. Apesar do protesto do cardeal, o rei D. Duarte, adiou a sua coroação só porque o líder português dos rabinos o avisou de que a conjunção dos planetas lhe era desfavorável. Por causa do seu modo de ser e do conhecimento de línguas, os reis portugueses nomeavam frequentemente judeus como embaixadores no estrangeiro, sobretudo em países muçulmanos, onde eram mais bem recebidos e tidos em consideração do que os cristãos. Em várias partes do mundo, incluindo o Norte da Europa e da Ásia, havia mesmo quem pensasse que Portugal era uma nação judaica.
Os judeus eram, não apenas autorizados, mas até incentivados, a trabalhar como ourives e joalheiros. As corporações que regulamentavam estas profissões eram dirigidas por comissões constituídas por cristãos e judeus em igual número. As autoridades cristãs reconheciam que os judeus tinham uma diferente tradição em relação ao direito comunal e à família, sendo-lhes, por isso mesmo, permitido ter os seus próprios juízes.
Embora se mantivessem fiéis às leis alimentares e prestassem culto nas sinagogas, os judeus substituíram o hebraico pelo português, como língua litúrgica. Viviam, vestiam-se e comportavam-se de tal modo que ninguém os distinguia dos cristãos. Um número razoável foi agraciado com títulos de nobreza. Cristãos e judeus, quando amigos, tinham por hábito visitar-se durante as festas religiosas, trocando presentes, geralmente constituídos por cestos de fruta e ovos ornamentados. Os judeus visitavam os cristãos no Natal e Páscoa, e os Cristãos visitavam os judeus durante o Hannukkah e a Festa do Cordeiro Pascal.
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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:32 am

ciados, permitiu que os judeus tenham desenvolvido a sua cultura e os seus hábitos como em nenhum outro lado. A Academia Judaica de Lisboa produziu gerações não apenas de grandes médicos, botânicos, geógrafos, matemáticos, advogados e teólogos, mas também de autores que, pioneiros na ficção e na poesia, influenciaram, posteriormente, o trabalho de escritores não judeus, sobretudo na Holanda e na Alemanha.
A perturbação deste ambiente criativo e civilizado e a substituição da tolerância e do respeito por uma perseguição implacável constitui, sem qualquer dúvida, o pior de todos os efeitos que Portugal sofreu com a crescente influência espanhola, sobretudo a partir do domínio filipino. O «cativeiro babilónico» de Portugal sob o domínio de três reis espanhóis viria a durar 60 anos. Os judeus acabaram por ser bem-vindos, quando regressaram após a revolução liberal de 1834. Só que a fuga à opressão espanhola fez com que muitos dos seus conhecimentos e das suas ligações internacionais tenham sido postos ao serviço da Holanda e, depois, da Inglaterra, contribuindo decisivamente para a criação dos impérios holandês e inglês, com prejuízo directo para Portugal.
Em Espanha, sob o domínio dos Reis Católicos, Fernando e Isabel, os judeus ali residentes foram submetidos, após séculos de relativa paz e prosperidade, a uma intensa pressão para se converterem à fé monárquica. Para evitarem represálias, alguns deles converteram-se, até porque não tinham sentimentos religiosos muito profundos. Outros optaram, antes, por seguir o conselho do grande teólogo judeu, Maimónides, aquando da tentativa de conversões à força, por parte de muçulmanos fanáticos, segundo o qual era absolutamente lógico fazer-se uma opção pela vida, sobretudo se houvesse responsabilidades familiares, professando uma fé com a voz e alimentando outra no coração. Independentemente dos motivos, e havia uma série deles, os convertidos viram-se confrontados, em 1478, por ameaça maior do que se tivessem permanecido no judaísmo. Foi o ano da instituição da Inquisição, com o objectivo declarado de investigar a sinceridade dos que haviam aderido ao cristianismo. No decurso dos oitos anos que se seguiram, 700 convertidos foram condenados à morte pela fogueira, com o argumento de que não eram sinceros. Por ironia do destino, os que tinham permanecido no judaísmo ficaram imunes à câmara de tortura e à morte por imolação.
proibidos de viver entre os cristãos, sendo, por isso, obrigados a mudarem-se para guetos. Em 1492, o ano em que é mais genericamente conhecido como o da primeira expedição de Colombo, os judeus vindos de Espanha foram avisados de que teriam de se converter nos quatros meses seguintes, ou arriscavam-se à Inquisição, e a serem exe-
( ? cutados de forma sumária, ou obrigados a abandonar o país. A maioria preferiu refugiar-se em Portugal. Entre eles encontravam-se muitos dos que se tinham convertido apenas de nome. Alguns historiadores criticam D. João II, que, na altura, ocupava o trono português, por o que consideram um acolhimento pouco generoso — apenas a 600 das famílias fugidas de Espanha foi dado o direito de residência permanente em Portugal, mediante o pagamento único de 10 000 cruzados por família. Aos restantes, foram emitidos vistos de trânsito, em seis ~ postos fronteiriços montados para o efeito, pelo preço de um cruzado por mês, válidos por oito meses, findos os quais teriam de encon-
5 trar outro local para residir. Foi permitida a entrada a cerca de 60 000 judeus castelhanos. O rabino David Altabé, presidente da Sociedade Americana de Estudos Sefarditas, está inclinado, neste caso, a ilibar D. João e os seus conselheiros cristãos, já que, segundo ele, «muitos dos jtl„deus residentes em Portugal colocavam sérias reservas à aceitação dos exilados espanhóis)). Foram eles que, acrescenta, «terão recomendado ao rei que fosse apenas permitida uma estada temporária».
Os líderes da comunidade judaica, em Lisboa, receavam que, no caso de a todos ser permitida a estada permanente, um grande e súbito fluxo de judeus espanhóis perturbasse o equilíbrio social da cidade, criando uma atitude potencialmente perigosa entre os não judeus.
Alguns dos refugiados fretaram navios para os transportar de Lisboa. Muitos deles ficaram à mercê de comandantes que ameaçavam abandoná-los em costas desertas, se não lhes entregassem o dinheiro e os bens que ainda restavam. Porque os marinheiros acreditavam que os judeus transportavam o ouro e as jóias no estômago, houve alguns a quem foi. aberta a barriga para ver se as encontravam. No Inverno de 1493, o rabino Juddah Chagyat levou a sua congregação de 250 membros a bordo de um barco fretado. Navegaram durante quatro meses, de porto em porto, sendo-lhes sempre recusada a entrada,
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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:33 am

Os judeus acabaram por ser bem-vindos, quando regressaram após a revolução liberal de 1834. Só que a fuga à opressão espanhola fez com que muitos dos seus conhecimentos e das suas ligações internacionais tenham sido postos ao serviço da Holanda e, depois, da Inglaterra, contribuindo decisivamente para a criação dos impérios holandês e inglês, com prejuízo directo para Portugal.

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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:34 am

Foi o ano da instituição da Inquisição, com o objectivo declarado de investigar a sinceridade dos que haviam aderido ao cristianismo. No decurso dos oitos anos que se seguiram, 700 convertidos foram condenados à morte pela fogueira, com o argumento de que não eram sinceros. Por ironia do destino, os que tinham permanecido no judaísmo ficaram imunes à câmara de tortura e à morte por imolação.

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Mensagem por Vitor mango em Ter Jun 05, 2012 9:36 am

Foi permitida a entrada a cerca de 60 000 judeus castelhanos. O rabino David Altabé, presidente da Sociedade Americana de Estudos Sefarditas, está inclinado, neste caso, a ilibar D. João e os seus conselheiros cristãos, já que, segundo ele, «muitos dos jtl„deus residentes em Portugal colocavam sérias reservas à aceitação dos exilados espanhóis)). Foram eles que, acrescenta, «terão recomendado ao rei que fosse apenas permitida uma estada temporária».
Os líderes da comunidade judaica, em Lisboa, receavam que, no caso de a todos ser permitida a estada permanente, um grande e súbito fluxo de judeus espanhóis perturbasse o equilíbrio social da cidade, criando uma atitude potencialmente perigosa entre os não judeus.
Alguns dos refugiados fretaram navios para os transportar de Lisboa. Muitos deles ficaram à mercê de comandantes que ameaçavam abandoná-los em costas desertas, se não lhes entregassem o dinheiro e os bens que ainda restavam. Porque os marinheiros acreditavam que os judeus transportavam o ouro e as jóias no estômago, houve alguns a quem foi. aberta a barriga para ver se as encontravam. No Inverno de 1493, o rabino Juddah Chagyat levou a sua congregação de 250 membros a bordo de um barco fretado. Navegaram durante quatro meses, de porto em porto, sendo-lhes sempre recusada a entrada,

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 12:39 am

com receio ue que puuessem ser portao.ores na peste que grassava em Lisboa. Foram capturados por piratas, que os levaram para Málaga, onde, a troco de resgate, os entregaram a padres fanáticos, que lhes recusaram água e comida até eles se converterem. Cem deles sucumbiram e 50 preferiram morrer à fome. Os 100 que sobreviveram fugiram para Marrocos, onde foram raptados por berberes e depois vendidos aos judeus de Fez, que os libertaram. A grande maioria dos que permaneceram em Lisboa após a expiração do prazo de estada foi enviada para a prisão.
Um dos primeiros actos do rei D. Manuel I, ao chegar ao trono, foi ordenar a libertação de todos estes judeus. Uma das suas decisões seguintes, todavia, foi pedir a mão em casamento da infanta D. Isabel, filha de Fernando e Isabel. A sua esperança era que, deste modo, ele e os seus herdeiros poderiam ascender ao trono de Espanha, em simultâneo com o de Portugal. Fernando e Isabel estavam receptivos à ideia, sobretudo porque Portugal, embora não chegasse a um quinto do tamanho de Espanha, era incomensuravelmente mais rico. Os seus futuros sogros insistiram, no entanto, que, antes da realização do casamento, D. Manuel se teria de livrar de todos os judeus que viviam em Portugal. Esta era uma condição de base exigida pelos Reis Católicos sempre que os seus filhos se casavam com membros da realeza estrangeira. Como condição prévia para que uma outra das suas filhas, Catarina, se casasse com o futuro rei Henrique VIII, de Inglaterra, obtiveram um compromisso por escrito de seu pai, Henrique VII, segundo o qual todos os judeus residentes em Inglaterra seriam mortos ou exilados. Como há século e meio que os judeus tinham sido proibidos de viver em Inglaterra, tal compromisso não passou de um gesto simbólico.
Era grande dilema com que se debatia o rei D. Manuel. Uma das últimas coisas que desejava fazer era privar o país de muitos dos seus mais valiosos cidadãos. A solução encontrada foi mirabolante. Primeiro, determinou que todos os judeus que não se convertessem até o Domingo de Páscoa de 1497 teriam de abandonar o país imediatamente. Depois, emitiu nova ordem, proibindo os judeus de partirem. Por último, na manhã de Domingo de Páscoa, mandou juntar todos os judeus conhecidos e metê-los em igrejas onde foram baptizados em massa, com a água benta a ser lançada sobre eles quase à toa. Alguns resistiram. Diz-se que uma série deles se suicidou. Aosretirados e enviados para mosteiros e conventos a fim de serem educados a expensas do rei. Alguns deles foram, depois, enviados de barco para São Tomé e Príncipe, para povoarem o arquipélago e aí estabelecerem uma indústria açucareira. A partir da Segunda-Feira de Páscoa, de 1497, por decreto do rei D. Manuel, todos os judeus que viviam no país passaram a ser oficialmente conhecidos por cristãos--novos. Deste modo, fez a vontade aos Reis Católicos e casou com a filha deles.
Ao chegar a Lisboa, para viver, a nova rainha, Isabel, não foi, no entanto, fácil de contentar. Por insistência sua, foi pedido ao Papa que autorizasse a instauração da Inquisição em Portugal, destinada a investigar os hereges. O Papa, que recebeu, entretanto, uma delegação de judeus, mostrou-se compreensivo perante a situação, tendo recusado o seu consentimento durante quatro anos. Entretanto, frades dominicanos vindos de Espanha com a rainha Isabel e contando com a sua protecção, começaram a pregar o anti-semitismo. Entre as principais acusações, referiam o facto de os judeus, imunes à peste, andarem a contagiar os cristãos, como forma de genocídio. Durante a procissão do Corpo de Deus, em Lisboa, dominicanos acusaram dois espectadores judeljs de falta de respeito. O que se seguiu, uma cena habitual em Sevilha, 'Toledo, Barcelona e em outros locais de Espanha, antes das expulsões, nunca, até aquele dia, havia sido visto em Portugal. No motim chefiado por sacerdotes, os judeus foram chaci- nados, as suas casas destruídas e os seus bens queimados.
Foram precisos três dias para o rei D. Manuel restabelecer a ordem. Mandou executar 60 dos detidos, incluindo padres. Os que tinham cometido delitos menores foram açoitados em público. Encerrou o mosteiro dominicano, em Lisboa, e a Casa dos Vinte e Quatro, cujos membros haviam apoiado os padres. Mais importante que tudo e como demonstração do seu pesar para com os cristãos-novos, foi a proibição de a Inquisição indagar das suas verdadeiras crenças durante um período de 20 anos. Segundo a carta régia, a Inquisição era não apenas dirigida aos judeus, mas tinha ainda a tarefa de erradicar luteranos e muçulmanos. Só que a Reforma, que alastrara por todo o Norte da Europa, tinha passado completamente ao lado de Portugal, de modo que não havia protestantes em Lisboa. Por outro lado, a Inquisição não se atrevia a hostilizar os poucos muçulmanos existen-
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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 12:40 am

Um dos primeiros actos do rei D. Manuel I, ao chegar ao trono, foi ordenar a libertação de todos estes judeus.

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 12:41 am

Os seus futuros sogros insistiram, no entanto, que, antes da realização do casamento, D. Manuel se teria de livrar de todos os judeus que viviam em Portugal. Esta era uma condição de base exigida pelos Reis Católicos sempre que os seus filhos se casavam com membros da realeza estrangeira. Como condição prévia para que uma outra das suas filhas, Catarina, se casasse com o futuro rei Henrique VIII, de Inglaterra, obtiveram um compromisso por escrito de seu pai, Henrique VII, segundo o qual todos os judeus residentes em Inglaterra seriam mortos ou exilados. Como há século e meio que os judeus tinham sido proibidos de viver em Inglaterra, tal compromisso não passou de um gesto simbólico.

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 12:42 am

A partir da Segunda-Feira de Páscoa, de 1497, por decreto do rei D. Manuel, todos os judeus que viviam no país passaram a ser oficialmente conhecidos por cristãos--novos. Deste modo, fez a vontade aos Reis Católicos e casou com a filha deles.

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 12:46 am

Ao chegar a Lisboa, para viver, a nova rainha, Isabel, não foi, no entanto, fácil de contentar. Por insistência sua, foi pedido ao Papa que autorizasse a instauração da Inquisição em Portugal, destinada a investigar os hereges. O Papa, que recebeu, entretanto, uma delegação de judeus, mostrou-se compreensivo perante a situação, tendo recusado o seu consentimento durante quatro anos. Entretanto, frades dominicanos vindos de Espanha com a rainha Isabel e contando com a sua protecção, começaram a pregar o anti-semitismo. Entre as principais acusações, referiam o facto de os judeus, imunes à peste, andarem a contagiar os cristãos, como forma de genocídio. Durante a procissão do Corpo de Deus, em Lisboa, dominicanos acusaram dois espectadores judeljs de falta de respeito. O que se seguiu, uma cena habitual em Sevilha, 'Toledo, Barcelona e em outros locais de Espanha, antes das expulsões, nunca, até aquele dia, havia sido visto em Portugal. No motim chefiado por sacerdotes, os judeus foram chaci- nados, as suas casas destruídas e os seus bens queimados.

olha olha afinal o anti semitismo veio todooooooooooooooooooooooooooooooooo de Espanha
Manos sabem Porque ?
Pois não sabem
É que na conquista de granada o King católico libertou a cidade e juntou todas as religiões ...só que veio uma ameaça seria da Turquia ...e em Espanha nada se sabia sobre para que lado pendiam os judeus ...e como sabem basta uma beijoca para que os gajos se voltarem para o inimigo ($$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$)
..ESS a causa da raiva anti semítica em Espanha

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 12:49 am

Foram precisos três dias para o rei D. Manuel restabelecer a ordem. Mandou executar 60 dos detidos, incluindo padres. Os que tinham cometido delitos menores foram açoitados em público. Encerrou o mosteiro dominicano, em Lisboa, e a Casa dos Vinte e Quatro, cujos membros haviam apoiado os padres

ou seja
afinal o King manel foi justo e castuigou todos os FDP que em nome de religião queriam PODER

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 12:50 am

Mandou executar 60 dos detidos, incluindo padres. Os que tinham cometido delitos menores foram açoitados em público. Encerrou o mosteiro dominicano, em Lisboa, e a Casa dos Vinte e Quatro, cujos membros haviam apoiado os padres. Mais importante que tudo e como demonstração do seu pesar para com os cristãos-novos, foi a proibição de a Inquisição indagar das suas verdadeiras crenças durante um período de 20 anos.

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Mensagem por Joao Ruiz em Qui Jun 07, 2012 4:09 am

.
De tudo isto se inferindo que, afirmando-se tão lusitano dos quatro costados, não se compreenda como o Mango se revela tão anti-judeu, quando afinal, se os judeus devem muito a Portugal, parece que este lhes deve muito mais, principalmente no que concerne ao desenvolvimento em todas as áreas e também ao seu precioso contributo, que tornou possível a gesta dos Descobrimentos.

E, pelos vistos, o king Manel apenas seguiu timidamente os passos dos seus antecessores da 1ª dinastia, esses sim, que souberam ver o que perdiam, se seguissem as pégadas de outros estados, sobressaindo D. Dinis, que não hesitou em colocar judeus em altos cargos.

O povo judeu é o mesmo e continua a dar cartas, em todas as áreas, um inestimável contributo para a Humanidade.

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 5:28 am

Joao Ruiz escreveu:.
De tudo isto se inferindo que, afirmando-se tão lusitano dos quatro costados, não se compreenda como o Mango se revela tão anti-judeu, quando afinal, se os judeus devem muito a Portugal, parece que este lhes deve muito mais, principalmente no que concerne ao desenvolvimento em todas as áreas e também ao seu precioso contributo, que tornou possível a gesta dos Descobrimentos.

E, pelos vistos, o king Manel apenas seguiu timidamente os passos dos seus antecessores da 1ª dinastia, esses sim, que souberam ver o que perdiam, se seguissem as pégadas de outros estados, sobressaindo D. Dinis, que não hesitou em colocar judeus em altos cargos.

O povo judeu é o mesmo e continua a dar cartas, em todas as áreas, um inestimável contributo para a Humanidade.

Twisted Evil

o meu objectivo não é dizer mal ou bens dos judeus para perceber bem a envolvencia de toda esta gente ...misturada com uma religiosidade obsessiva
Lembro que este livro é escrito por um jornalista inglês
aliáqs Portugal foi o único pais que deu a volta ao problema Judaico
- pah metam umas alheiras na lareira ...porque a minha prima vem ai ...e eu preciso de uns refogados
...aliá o livro aborda todos os povos que aqui vieram lamber uns tintos

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:19 am

Ticos no Norte de Africa.
Os judeus a viver em Lisboa, tanto os castelhanos como os portugueses, adaptaram-se com alguma facilidade ao papel de cristãos--novos. Alguns tornaram-se mesmo católicos convictos. Outros permaneceram intransigentemente judeus em tudo, excepto naquele mínimo de obediência exterior ao cristianismo. Um grande número praticava as duas religiões em simultâneo. De acordo com o rabino David Altabé, membros de muitas famílias de cristãos-novos foram ordenados padres. Nas igrejas, presidiam a missas a que assistiam os seus familiares e outros cristãos-novos. Depois, na privacidade dos seus lares, realizavam serviços religiosos judaicos e celebravam casamentos. Alguns destes padres alcançaram lugares de prestígio e de destaque na hierarquia da Igreja. Uma curiosidade deste tempo são os cálices destinados à comunhão, especialmente feitos para estes padres por ourives que eram cristãos-novos. O cálice, ao ser rodado ou levantado, mostrava, escondido na parte mais grossa do seu pé, castiçais judaicos em miniatura, o manto utilizado na oração e o pergaminho bíblico. Ainda existem, hoje, em Portugal, alguns exemplares que sobreviveram desta tradição dualista. Sucessivas gerações da actualmente famosa comunidade judaica de Belmonte, no Nordeste de Portugal, mantiveram a sua fé judaica, assim como a forma dos ritos praticados em segredo durante mais de 500 anos. Existem, em Lisboa, famílias católicas de descendência judaica que vão à missa, mas que, simultaneamente, cumprem os rituais das festas judaicas em suas casas.
Para as famílias católicas da antiga aristocracia portuguesa, muitas das quais se encontravam em precária situação financeira, a mudança de estatuto dos judeus, tornando-se cristãos-novos, constituiu um benefício, já que ficaram livres de qualquer obstáculo religioso para a realização de casamentos mistos, com a consequente partilha de bens. Houve, de facto, tantos laços matrimoniais estabelecidos entre estas famílias «antigas» e os cristãos-novos, maioritariamente comerciantes ou profissionais liberais, que, hoje, quase não existe uma linhagem nobre em Portugal que não se orgulhe da sua ascendência parcialmente judaica.
Orei D. Manuel morreu em 1521. A sua garantia de protecção dos cristãos-novos contra a Inquisição expirou onze anos mais tarde. O Papa, contudo, permaneceu firmemente ao lado dos cristãos-novos.os judeus por eventuais lapsos de fé, prática dissimulada do ii„
ou qualquer outra heresia. Reinstituído por instigação dos domh,,,tO nos espanhóis, cm 1547, o Santo Ofício viu, no entanto, repetida mente frustrado o seu desejo de perseguir os cristãos-novos, tanto pelas amnistias papais, como pela recusa da Monarquia e das Cortes em financiar as suas actividades. Quando, depois, Portugal caiu sob o domínio espanhol, em 1580, D. Filipe conferiu poderes à Inquisição para se financiar, através da guarda e leilão dos bens confiscados aos que eram condenados por heresia. Por esta altura, mais de metade dos mais importantes bancos comerciais de Lisboa estavam nas mãos de cristãos-novos. António José Saraiva, um destacado historiador do século XX, descreveu a Inquisição como «um veículo para a distribuição de dinheiro e outros bens ao seu numeroso pessoal — uma forma de pilhagem igual à que ocorre na guerra, embora mais burocrática».
Em 1995, uma exposição itinerante vinda de Inglaterra deslocou-se a Portugal, com o objectivo, ao que se julga, de mostrar alguns dos instrumentos de tortura utilizados pelo Santo Ofício. De referir, entre outros, uma cadeira, com grandes espigões de ferro a sobressaírem do assento, à qual, segundo se supõe, as vítimas eram presas com correias, bem como a «donzela de ferro)), uma espécie de sarcófago no qual, consta-se, o herege era colocado vivo, sendo o tampo, cravejado de espigões, fechado sobre a vítima. Igualmente tenebrosas são as sequências registadas dos autos-de-fé, mostrando o rei e os nobres, o clero e o povo, a olharem para os hereges atados a postes envoltos em chamas. O principal instrumento de tortura utilizado pela Inquisição era, no entanto, uma corda e uma roldana. Ninguém era executado nos autos.-de-fé.
O verdadeiro horror da Inquisição foi registado minuciosamente por escrivães que estavam ao seu serviço, para darem cumprimento meticuloso a toda a burocracia que dominava a organização. O inquisidor-mor contava, entre o seu vasto conjunto de colaboradores, com aristocratas, sacerdotes e homens de letras, que com ele julgavam, juntamente com acusadores, carcereiros, algozes e beleguins14 e, ainda,
14 Antigo empregado judicial. (N. do T)
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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:20 am

De acordo com o rabino David Altabé, membros de muitas famílias de cristãos-novos foram ordenados padres. Nas igrejas, presidiam a missas a que assistiam os seus familiares e outros cristãos-novos. Depois, na privacidade dos seus lares, realizavam serviços religiosos judaicos e celebravam casamentos. Alguns destes padres alcançaram lugares de prestígio e de destaque na hierarquia da Igreja

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:21 am

Para as famílias católicas da antiga aristocracia portuguesa, muitas das quais se encontravam em precária situação financeira, a mudança de estatuto dos judeus, tornando-se cristãos-novos, constituiu um benefício, já que ficaram livres de qualquer obstáculo religioso para a realização de casamentos mistos, com a consequente partilha de bens. Houve, de facto, tantos laços matrimoniais estabelecidos entre estas famílias «antigas» e os cristãos-novos, maioritariamente comerciantes ou profissionais liberais, que, hoje, quase não existe uma linhagem nobre em Portugal que não se orgulhe da sua ascendência parcialmente judaica.

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:23 am

Orei D. Manuel morreu em 1521. A sua garantia de protecção dos cristãos-novos contra a Inquisição expirou onze anos mais tarde. O Papa, contudo, permaneceu firmemente ao lado dos cristãos-novos.os judeus por eventuais lapsos de fé, prática dissimulada do ii„

isto vem desmentir algusn factos correntes que o King Manel era tramado contra os judeus

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:25 am

1 )e Koma, veio urna sí rie de amnistias perdoando, sem pun Iainília não os judeus por eventuais lapsos de fé, prática dissimulada do ju comido ou qualquer outra heresia. Reinstituído por instigação dos domrganto nos espanhóis, em 1547, o Santo Ofício viu, no entanto, repetidã,r mente frustrado o seu desejo de perseguir os cristãos-novos, tanto pelas amnistias papais, como pela recusa da Monarquia e das Cortes em financiar as suas actividades. Quando, depois, Portugal caiu sob o domínio espanhol, em 1580, D. Filipe conferiu poderes à Inquisiç,ão para se financiar, através da guarda e leilão dos bens confiscados aos que eram condenados por heresia. Por esta altura, mais de metade dos mais importantes bancos comerciais de Lisboa estavam nas mãos de cristãos-novos. António José Saraiva, um destacado historiador do século XX, descreveu a Inquisição como «um veículo para a distribuição de dinheiro e outros bens ao seu numeroso pessoal — uma forma de pilhagem igual à que ocorre na guerra, embora mais burocrática».
Em 1995, uma exposição itinerante vinda de Inglaterra desloO verdadeiro horror da Inquisição foi registado minuciosamente por escrivães que estavam ao seu serviço, para darem cumprimento meticuloso a toda a burocracia que dominava a organização. O inquisidor-mor contava, entre o seu vasto conjunto de colaboradores, com aristocratas, sacerdotes e homens de letras, que com ele julgavam, juntamente com acusadores, carcereiros, algozes e beleguins14 e, ainda,
14 Antigo empregado judicial. (N. do T)
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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:26 am

Portugal caiu sob o domínio espanhol, em 1580, D. Filipe conferiu poderes à Inquisiç,ão para se financiar, através da guarda e leilão dos bens confiscados aos que eram condenados por heresia. Por esta altura, mais de metade dos mais importantes bancos comerciais de Lisboa estavam nas mãos de cristãos-novos. António José Saraiva, um destacado historiador do século XX, descreveu a Inquisição como «um veículo para a distribuição de dinheiro e outros bens ao seu numeroso pessoal — uma forma de pilhagem igual à que ocorre na guerra, embora mais burocrática».


$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ est5a-lhes no sangue

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:29 am

punível com a morte, tornou-se, hoje em dia, um ensinamento católico ortodoxo, sobretudo a partir do momento em que, em 1965, o Concílio Vaticano II definiu a Igreja, no seu conjunto, como «Povo de Deus», um ensinamento católico ortodoxo que, naquele tempo, era punível com a morte.
A grande maioria, no entanto, dos que eram detidos, torturados ou punidos pela Inquisição eram, de facto, cristãos-novos, sendo a maioria mulheres, já que a Inquisição estava ciente de que o lar era o centro da observância religiosa judaica, onde a mulher e mãe era realmente a chefe. Eram elas que mantinham viva a fé judaica, sobretudo através do ensinamento dado aos filhos. O Talmude era-lhes desconhecido. Por meio de estudos do Pentateuco (Antigo Testamento), desenvolveram uma teologia judaica genuinamente portuguesa, que tinha por objectivo de vida a salvação pessoal através de Deus, o que poderia ser alcançado seguindo a Lei de Moisés. Era uma doutrina conhecida da Inquisição como «judaização».
1 Para tentar encontrar cristãos-novos seguidores da «judaização», a Inquisição contratou um grande número de informadores amadores, conhecidos pela designação de familiares. Praticamente não havia rua, em Lisboa, nem aldeia rural que não tivesse pelo menos um, com a missão de atender aos mexericos e rumores ouvidos nas vizinhan-
Lui1,a J*IJIuv LaJ Riu c 4UCIJU a 11 c3111d 1c1c1)av, OU 9uc Sc iidvia Luiuiuu
lautamente em dia de festa judaico — o familiar dirigia-se ao Santo Ofício e fazia uma declaração formal de acusação. Se o inquisidor considerasse o tema de interesse, era emitido um mandado de captura. Os beleguins, acompanhados por um notário, dirigiam-se a casa da acusada e detinham a mulher, ou, mais raramente, o marido. Enquanto o prisioneiro era levado para a prisão, o notário fazia o inventário pormenorizado dos bens da família, incluindo dinheiros que, eventualmente, lhes eram devidos e que depois, se fosse o caso, a Inquisição se encarregava de recolher.
Na sala de interrogatórios, o prisioneiro ou a prisioneira não eram informados sobre o teor da acusação, nem da identidade do acusador. O acusado era obrigado a adivinhar a natureza do pecado que poderia ter levado à detenção. Se a resposta era considerada incorrecta ou se não houvesse nenhuma confissão, o acusado era levado para a câmara de tortura. Se o médico da Inquisição achasse que o acusado estava doente ou era demasiado fraco para ser sujeito à tortura da corda, era colocado na roda. Caso contrário, os seus braços eram amarrados pelos pulsos, atrás das costas, por uma corda que se estendia por cima de uma roldana fixada ao tecto. Os algozes puxavam bruscamente a outra ponta da corda com a força necessária para que o prisioneiro fosse levantado do chão. A corda era depois largada subitamente e de novo agarrada pelos algozes, a fim de parar a queda do prisioneiro antes de tocar o chão, arrancando os braços dos ombros. Poucos conseguiam aguentar mais do que três puxões, embora haja registos de alguns mais jovens que não quebravarn mesmo com seis. Era raro que alguém, uma vez detido, fosse dado como inocente e libertado, pelo menos no espaço de três anos. A tortura repetia-se durante este período. Havia absolvições, com base no argumento de que, durante a tortura, o suspeito tinha gritado por ajuda a Cristo ou à Virgem Maria, no entanto, muito raras. Outra maneira de conseguir a libertação era denunciar o informador de forma convincente (se conseguisse, entretanto, desvendar a sua identidade), acusando-o a ele próprio de «judaização» . Na maior parte dos casos, tal facto tinha como consequência que o prisioneiro, sob tortura, implicava todos aqueles que, na sua opinião, lhe poderiam querer mal, na esperança de que um deles pudesse ter
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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:32 am

A grande maioria, no entanto, dos que eram detidos, torturados ou punidos pela Inquisição eram, de facto, cristãos-novos, sendo a maioria mulheres, já que a Inquisição estava ciente de que o lar era o centro da observância religiosa judaica, onde a mulher e mãe era realmente a chefe

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Mensagem por Vitor mango em Qui Jun 07, 2012 6:34 am

1 Para tentar encontrar cristãos-novos seguidores da «judaização», a Inquisição contratou um grande número de informadores amadores, conhecidos pela designação de familiares. Praticamente não havia rua, em Lisboa, nem aldeia rural que não tivesse pelo menos um, com a missão de atender aos mexericos e rumores ouvidos nas vizinhan-

começou com judeus mas depressa a igreja esticou o estilo a tudo que nao gramasse ...actuando como a mais Horrível estúpida e imbeci9l método de controlar a mente humana ...e nem sequer olhava para o seu fundador que na CRUZ avisou que
....

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Mensagem por Vitor mango em Sex Jul 27, 2012 5:40 am

amen

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Mensagem por Vitor mango em Sex Ago 31, 2012 3:42 pm

amen sobre amen

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Mensagem por Vitor mango em Sab Nov 17, 2012 11:53 am

amen novamente

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