Eufórbia nordestina

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Eufórbia nordestina

Mensagem por Vitor mango em Qua Ago 15, 2012 11:20 am

22.6.12









Eufórbia nordestina








Euphorbia oxyphylla Boiss.

A morfologia das inflorescências é um tema a que retornamos amiúde, a propósito de orquídeas, alhos, jarros ou crucianelas. Tenha o leitor paciência, voltamos hoje ao assunto porque nas inflorescências da maioria das espécies do género Euphorbia nota-se um padrão que é interessante examinar. Primeiro alguns exemplos: E. azorica, E. dulcis, E. helioscopia, E. paralias, E. exigua. O que há em comum em todos eles?

Cada inflorescência é composta por uma única flor feminina, que é quase
só o ovário, rodeada por numerosas flores masculinas reduzidas a
estames, conjunto que se chama ciátio
e que se abriga num cálice formado por duas ou mais brácteas. No
centro, reparamos no brilho do néctar, que os polinizadores também
avistam, mesmo de longe. Além disso, de cada ciátio podem emergir vários
talos sustentando novos ciátios, num arranjo de bifurcações sucessivas a
que os botânicos chamam pseudo-umbela (e os matemáticos teorizam quando
estudam sistemas caóticos). Em resumo, a estrutura peculiar das hastes
de flores começa com um pé longo onde a certa altura nascem duas folhas
que, sendo sésseis, formam uma taça; aí, o caule bifurca-se
e, alguns centímetros adiante surge, em cada um dos dois novos pés, um
novo cálice de duas folhas, de onde partem dois novos pedúnculos, etc.
Esta duplicação de pedúnculos constrói uma «árvore» em cuja «copa» estão
os ciátios de flores - que evitam os patamares demasiado abaixo porque,
nesta disposição de caules, as flores ficariam escondidas pelos níveis
colocados mais acima, o que seria um manifesto desperdício.

Que vantagens pode ter esta forma? A imbricação das folhas, por vezes
decussadas, tem vários usos, como reter água da chuva ou humidade,
reforçar os talos para apoiar os frutos ou orientar as hastes; e a touça
de inúmeros ramos divide o peso do edifício, que pode ser considerável.
Porém, a configuração da inflorescência, globular pelo modo como foi
gerada, tem benefícios menos óbvios, mas o objectivo é provavelmente o
mesmo que o dos malmequeres: muitas flores, expostas numa superfície bem visível para os polinizadores.

A planta da foto (outrora Euphorbia broteri Daveau ou Euphorbia biglandulosa Desf. raça broteri
(Daveau) Samp.) cumpre à risca o figuro descrito anteriormente. É
monóica, tem folhas coriáceas e glaucas; as pseudo-umbelas exibem de 10 a
15 raios e têm glândulas alaranjadas. É um endemismo ibérico que, em
Portugal ocorre em terrenos ácidos de zonas montanhosas do norte e
centro este. Os exemplares da vitrine são de uma clareira de um
castinçal na serra de Bornes.

Depois deste breve apontamento, consegue identificar uma eufórbia nesta pintura de Agostinho José da Motta (1824-1878)?





Publicada por
Maria Carvalho


em
22.6.12


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Euphorbiaceae,
Macedo de Cavaleiros

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