Alexandra: A menina viveria melhor em Portugal, João Pinheiro

Novo Tópico   Responder ao tópico

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Alexandra: A menina viveria melhor em Portugal, João Pinheiro

Mensagem por Vitor mango em Ter Set 25, 2012 6:55 am


Alexandra: A menina viveria melhor em Portugal, João Pinheiro




















***José Milhazes, agência Lusa***




*** Fotos de Verónica Kulakova***




Pretchistoe,
23 set (Lusa) – João Pinheiro ficou ainda com menos dúvidas de que a menina que
lhe foi retirada pelo Tribunal de Guimarães e entregue à mãe biológica teria
uma vida muito melhor em Portugal do que na Rússia.

“Eu
já conhecia a casa das imagens das televisões. Comparada com outras casas da
aldeia, esta até pode não ser das piores, mas não há dúvidas de que a menina
tinha muito melhores condições de vida em minha casa”, declarou ele à Agência
Lusa depois de estudar a velha casa de madeira, cada vez mais inclinada.

Mais
preocupado ficou quando Alexei, o padrasto da menina, lhe contou que a casa
está prestes a ruir a qualquer momento.

“Esperemos
que não esteja lá ninguém se isso acontecer, mas a casa está mesmo em mau
estado, o telhado está muito fraco”, declara ele, sublinhando que sabe o que
está a dizer, porque trabalha na construção civil.

De
bengala na mão, pois uma queda nas obras lhe provocou ferimentos na perna,
Alexei revelou que as autoridades locais prometeram uma nova casa à família
para o próximo ano, mas na sua voz sente-se notas fortes de ceticismo:

“É
difícil acreditar. Prometer é uma coisa, mas eu não acredito muito. Além disso,
as casas que estão a ser construídas não têm boas condições, são construídas à
pressa, tem mau isolamento”, acrescenta.

Foi
Xaninha e o padrasto que mostraram a João Pinheiro todos os cantos da casa.

“A
casa está arrumada, mas não tem condições para a família viver aqui. Sente-se a
falta de dinheiro para comprar as coisas mais elementares”, comentou o
português.

Caso
o almoço não fosse num dos modestos restaurantes da vila, o almoço da família
seria constituído apenas por massa.

“A
menina não tem mau aspeto, parece bem tratada, mas está magrinha. Talvez seja
por ser muito ativa, irrequieta”, acrescenta João Pinheiro.

“Se
ela estivesse em Portugal!..”, suspira ele e continua: “Não tenho dúvidas de
que estaria muito, mas muito melhor. Tinha todas condições, era mimada pela
minha família, vizinhos”.

João
também ficou preocupado com o estado de saúde dos pais e avós de Alexandra,
principalmente com o de Natália, mãe dela.

“A
Natália está com um ar cansado. Não deve ter uma vida fácil. Trabalha no
restaurante, mas o ordenado não deve ser grande coisa. O Alexei está de baixa”,
suspira ele.

Ajuda
a horta à volta de casa, que a avó de Xaninha mostra com orgulho a João
Pinheiro.

“Estamos
a preparar as reservas para o inverno. É sempre uma boa ajuda. Vamos vivendo e
aguentando”, afirma ela, hoje reformada.

“Quero
ajudar esta família, vou fazer ainda maiores esforços para lhes dar o apoio
possível”, conclui João Pinheiro depois da despedida.

JM

Lusa/fim









Publicada por


Jose Milhazes




em
15:02







5 comentários:






























Alexandra: João Pinheiro encontra-se com menina russa depois de três anos de separação




















***José Milhazes, agência Lusa***




*** Foto de Verónica Kulakova***




Pretchistoe, 23 set (Lusa) – João Pinheiro, chefe da
família de acolhimento de Alexandra, a criança russa que foi entregue à mãe
biológica pelo Tribunal de Guimarães há três anos atrás, esteve na Rússia para
se encontrar com a família da menina e “estabelecer um diálogo normal com ela”.

“É
impossível descrever o que vai dentro de mim. Nem quero acreditar que tenho os
pés em Moscovo”, declarou ele à Lusa, depois de uma longa e atribulada viagem
entre o Porto e a capital russa.

João
Pinheiro tinha requerido junto do Consulado da Rússia em Lisboa um vista para
entrar no país, mas foi-lhe várias vezes recusado.

“Não
sei o que aconteceu desta vez, mas recebi o visto e aqui estou. Foi três anos a
lutar por este momento e cá estou”, frisou.

Como
a família de Alexandra não se quis dirigir a Moscovo por motivos económicos,
João Pinheiro lançou-se numa longa viagem até Pretchistoe, vila onde reside a
menina, situada a mais de 360 quilómetros de Moscovo. Nos dois sentidos,
foram precisas onze horas, mas o português de Barcelos tinha o seu objetivo.

“Por
essa menina, vou mesmo até ao fim do mundo. Vim aqui precisamente para isso.
Quero abraçá-la, dar-lhe um beijo e entregar-lhe as prendas que trouxesse”,
continua João Pinheiro, enquanto, através da janela do carro, olha para aldeias
russas com enorme curiosidade.

Não
sabendo como iria ser recebido, bateu à porta da velha casa da família de
Natália Zarubina com um certo receio, mas não havia motivo para tal, pois
recebido com a possível hospitalidade russa: abraços e beijos.

A
Xaninha não estava em casa, andava a brincar com as amigas. Veio pouco depois e
recebida por João Pinheiro com abraços e beijos, mas sem que ela respondesse em
português a algumas das perguntas dele.

A
menina dirigiu-se rapidamente para as prendas, prestando pouca atenção às
conversas entre os adultos.

“A
camisola de que gosta! E que estojo com perfumes bonitos! Mais uma camisa e
meias bonitas!”, exclama Alexandra entusiasmada, mas falando sempre em russo.

Apenas
disse em português: “obrigada!”, mas só após a insistência da mãe.

Durante
o almoço no restaurante local onde Natália ganha a vida como empregada de mesa,
João Pinheiro contou como corria a vida da sua família em Portugal, tentando,
ao mesmo tempo, apelar às recordações de Alexandra sobre a sua vida passada,
mas a menina raramente reagia, distraindo-se com outros afazeres.

Irrequieta
e traquina, não tardou a insistir com a mãe para voltarem para casa, pois
queria ir brincar com as amigas.

“Quando
não está na escola, passa a vida a brincar na rua com as amigas. Não está
parada”, justifica Natália, mãe de Alexandra.

Entretanto,
o telemóvel não parava de tocar. Um grupo de portugueses que apoiam de várias
formas a família Pinheiro desde a partida da menina querem saber notícias,
saber como estão a correr as coisas. Florinda, esposa de João Pinheiro, também
está ansiosa para “saber como está a minha menina”.

“Tem
medo que lhe roubem o marido”, comenta ela com um sorriso nos lábios.

Rapidamente
chegou a hora da despedida, pois João Pinheiro tinha ainda de regressar a
Moscovo e as estradas russas não permitem grandes velocidades.

Ao
distribuir velhos e abraços por entre todos os membros da família da Alexandra,
desde o avô até ao padrasto, João propôs
a Natália e ao marido que viessem passar o Natal e Ano Novo a Portugal.

“Está
bem, nós vamos! Mas temos de tratar de passaportes e vistos”, declarou Alexei,
o padrasto da menina, dando a entender que há apenas um “pequeno” problema: a
grave falta de dinheiro.

“Eu
vou ajudar. Irei dar todo o apoio para vos ver lá em minha casa”, retorquiu
João Pinheiro.

O
português não quis deixar a vila sem ver a Lúcia, cadela que acompanhou a
menina para a Rússia. A coxear de uma das patas, o animal, que vagueia por
Pretchistoe à procura de comida, saltou para João e começou-lhe a lamber as
mãos e a pedir festas.

“Lúcia,
Lúcia, ela reconheceu-me, não se esqueceu de mim”, exclamou ele, ficando
sufocado por lágrimas e desviando-se de Alexandra e das outras pessoas para que
não o vissem a chorar.

“Tentarei
fazer tudo para ajudar esta família, e agora muito mais”, concluiu João
Pinheiro ao deixar para trás a vila de Pretchistoe.

JM

Fim/Lusa









Publicada por


Jose Milhazes




em
12:44







2 comentários:









_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
avatar
Vitor mango

Pontos : 108112

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você pode responder aos tópicos neste fórum