Não há jornalismo grátis - a propósito do 'Público' e do 'El País'

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Não há jornalismo grátis - a propósito do 'Público' e do 'El País'

Mensagem por Vitor mango em Sex Out 12, 2012 6:46 am



Não há jornalismo grátis - a propósito do 'Público' e do 'El País'
10:30 Sexta feira, 12 de outubro de 2012

A situação desesperada a que chegou a generalidade dos jornais deve fazer-nos refletir, e muito (escrevo influenciado pelos acontecimentos do 'Público' e do 'El País', não desconhecendo que está ali mais o retrato de todo o setor do que duas exceções).

Porque:

1) O jornalismo é indispensável para a democracia. Para a formação da opinião, para a possibilidade de escolha, para a generalização de debates. Por muito mau que seja o jornalismo praticado, não tem comparação com a falta de qualidade do lixo que circula impunemente e sem regras pela Internet. Em bom rigor, e sem querer generalizar, basta ler alguns comentários nas páginas deste ou doutro jornal, para se ajuizar o desconhecimento com que são produzidos. Felizmente, também há excelentes comentários, mas sem a chancela de uma marca, de uma profissão, de um compromisso de honra e de leis a que os jornalistas estão sujeitos, torna-se difícil separar o trigo do joio;

2) A Internet ainda não é rentável para os jornais. Se digo ainda, não é por ter a certeza que venha a ser, muito menos em tempo útil. Mas há que dizer que muitos jornalistas e parte das empresas colaboraram neste colapso, ao defender que tudo o que está online devia ser gratuito. Claro que deve haver notícias gratuitas, mas o valor acrescentado do jornalismo, as revelações, as investigações, as entrevistas, as crónicas, no geral devem ser pagas. É preciso remunerar quem trabalha e não se pode remunerar através das receitas insuficientes geradas na Net;

3) As novas plataformas, como os tablets, embora tenham jornais à venda (e o Expresso já vende significativamente em iPad) são ainda um mercado muito pequeno. Cabe-me dizer que, neste aspeto, tenho esperança que se alargue, embora a crise que vivemos não seja de molde a que aumente substancialmente o número de aparelhos existentes em Portugal;

4) As redações pequenas são mais vulneráveis. A crise tem vindo a fazer com que as redações se tornem mais pequenas, os jornalistas mais mal pagos e menos especializados. Isto cria uma espécie de círculo vicioso que é preciso quebrar.

5) Assim, a única saída a prazo é o esforço constante de inovação, de criar valor acrescentado ao que já é do conhecimento geral. Seja pelo aprofundamento, seja por pontos de vista diferentes, seja pela opinião, seja pela imagem e infografia, seja como for. E convencer os leitores - o maior número de leitores possível - de que não há jornalismo grátis e de que vale a pena comprar o produto do trabalho dos jornalistas, ou seja, jornais, sejam eles em papel, em tablet, na Net ou em qualquer plataforma. A queda da publicidade e os novos meios de comunicação mostram que os jornalistas e as empresas têm de estar permanentemente em mudança e que os jornalistas não podem continuar a repousar em receitas do passado.



Estes são desafios sérios para todos nós. Mas também para quem está habituado a ler e a confiar em marcas. Um dirigente europeu disse que se houvesse um dia 'sem Europa' toda a Europa perceberia a falta que faz. O mesmo se passaria, digo eu, com um dia sem jornalistas. Acreditem!

Twitter: @HenriquMonteiro https://twitter.com/HenriquMonteiro

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Ler mais: http://expresso.sapo.pt/nao-ha-jornalismo-gratis-a-proposito-do-publico-e-do-el-pais=f759430#ixzz295XNz69T

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Re: Não há jornalismo grátis - a propósito do 'Público' e do 'El País'

Mensagem por Vitor mango em Sex Out 12, 2012 6:47 am

2) A Internet ainda não é rentável para os jornais. Se digo ainda, não é por ter a certeza que venha a ser, muito menos em tempo útil. Mas há que dizer que muitos jornalistas e parte das empresas colaboraram neste colapso, ao defender que tudo o que está online devia ser gratuito. Claro que deve haver notícias gratuitas, mas o valor acrescentado do jornalismo, as revelações, as investigações, as entrevistas, as crónicas, no geral devem ser pagas. É preciso remunerar quem trabalha e não se pode remunerar através das receitas insuficientes geradas na Net;

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