É tempo por PEDRO MARQUES LOPES30 setembro 201246 comentários

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É tempo por PEDRO MARQUES LOPES30 setembro 201246 comentários

Mensagem por Vitor mango em Seg Out 15, 2012 5:04 am

É tempo


por PEDRO MARQUES LOPES30 setembro 201246 comentários
O
tempo por estes dias corre mais depressa. A torrente de acontecimentos é
tal que a palavra dita ou escrita já perdeu actualidade no segundo
seguinte. Acontecimentos, estudos, notícias que seriam dissecadas e
permaneceriam no espaço público muito tempo são rapidamente substituídos
por outros. Não, agora não é só a voracidade dos media, a necessidade
de manter o fluxo de notícias, o facto de vivermos afogados em
informação e pseudoinformação. O clima está mais que propício à confusão
de acontecimentos, aos mais variados conflitos, às mais estapafúrdias
declarações, à confusão entre assuntos de facto relevantes e outros
absurdamente irrelevantes.

Não surpreende por isso que a
sondagem do DN/Universidade Católica do já muitíssimo distante dia 20
tivesse sido devorada pela enxurrada de acontecimentos: desde esse dia o
mundo, segundo esta agenda de galinha bêbada, já teria mudado dez
vezes. O estudo não traz grandes surpresas, vale sobretudo pela
confirmação de algumas percepções. Mas, mais uma vez, a novidade está na
velocidade com que alguns conceitos e situações se propagaram.

Sim,
sabíamos que as pessoas não andavam contentes, mas provavelmente não
imaginaríamos que 87% dos portugueses estariam desiludidos com a
democracia. Este número apouca o facto de Passos Coelho ser agora mais
impopular que Sócrates no fim do seu mandato, ou de o PSD ter tido uma
quebra de intenções de voto que deveria levar os seus dirigentes a
pensar se não estarão a perder o seu eleitorado tradicional, remetidos
praticamente à irrelevância. Claro está que a conjugação da enorme
quebra do PSD com a quebra, ainda que ligeira, do PS é já um sintoma
terrível: os partidos do centro, os partidos da democracia (com o CDS)
perdem para os que, pura e simplesmente, não acreditam na democracia
liberal (veremos o que nos traz o novo BE, mas não parece que seja nada
de novo). Mas, como tudo nos tempos que correm, as coisas podem ser
sempre piores: o "partido" que mais cresce é o das pessoas que se
recusam a utilizar o mais sagrado direito democrático, o voto.

Os
tais 87% de portugueses desiludidos com a democracia são os mesmos
cidadãos que se manifestam em Atenas ou Madrid. Iguais aos catalães que
pensam que a sua independência (o paralelo com os anos 30 do século
passado arrepia) lhe resolverá os problemas económicos (ou alguém pensa
que o que se está a passar na Catalunha estaria a acontecer num período
de saúde económica?). Estes portugueses são os italianos, os franceses,
os holandeses e os próprios alemães daqui a uns meses. Gente que deixa
de acreditar na democracia pela mais simples razão do mundo: para eles
democracia significa bem-estar, direitos sociais, boas perspectivas para
eles e para as suas famílias.

Nunca é demais repetir que
ninguém nasce com a democracia no seu ADN. Que o Plano Marshall foi
incomensuravelmente mais que um plano económico, foi sim um plano
político que visava impedir os povos europeus de caminharem para
soluções comunistas ou fascistas. Que as democracias do Sul da Europa se
consolidaram com a integração europeia não porque tivessem sido
subitamente tocadas pela varinha da fada democrática mas porque isso
lhes trouxe desafogo económico.

Numa altura em que o Governo
está a preparar o Orçamento Rectificativo para 2012, o tal que é uma
espécie de crisma da incompetência de Vítor Gaspar, e o para 2013, em
que vai insistir em opções que já provaram estar erradas, nada indica
que tenha percebido com que tipo de escolhas políticas está a colaborar e
que desde há muito assumiu como suas: são as que vão levar Portugal ao
caos económico e social (ao político já chegámos) e em que ninguém dará
um chavo pela democracia.

O que está em causa não é mais ou menos
austeridade, um menor ou maior empobrecimento, mais ou menos défice, já
estamos para lá disso. O que está em causa é se queremos continuar a
viver em democracia ou não. As manifestações, os insultos aos políticos
são só o primeiro sinal. A conjugação, mais ou menos indissociável,
entre a quebra de confiança em toda a classe política e a brutal queda
nas condições de vida das populações é absolutamente letal para a
democracia, e, claro está, para o País.

Infelizmente, não será
só em Portugal que tudo isto corre o risco muito sério de acontecer,
será em toda a Europa. Convinha mesmo acordar antes que seja tarde
demais.

Artigo Parcial

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

Vitor mango

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