A crise na Síria e a política da Turquia

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A crise na Síria e a política da Turquia

Mensagem por Vitor mango em Seg Out 15, 2012 12:22 pm

A crise na Síria e a política da Turquia




Tags:
conflito, Curdistão, Oriente Médio, Irã, Síria, Comentários, Turquia




Alexei Pilko

13.10.2012, 23:01







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© Colagem: Voz da Rússia




O início de outubro foi marcado por nova espiral de contraposição na Síria.


Após recuperar do ataque
inesperado dos combatentes da oposição em duas grandes cidades do país
Damasco e Aleppo em julho, as forças governamentais começaram a vencer
seus adversários em todo o país. Em algumas regiões, por exemplo, na
capital, isto ocorre com mais êxito. Mas em Aleppo e nas províncias do
norte, o exército sírio tem sérias dificuldades.
Os
combates no norte têm sido especialmente violentos. Além disso, um
poderoso fator que contêm os esforços das tropas fiéis a Assad é a
Turquia. No território turco encontraram asilo muitos refugiados, entre
os quais há civis e adversários armados do líder sírio. Através da
fronteira turco-síria passa uma torrente ininterrupta de armas para as
forças oposicionistas.
Ancara, aproveitando-se do
incidente trágico na região de Akçacale, passou para a táctica de
desfechar ataques de artilharia contra as posições das tropas sírias
perto da fronteira. A morte de cidadãos turcos formalmente dá à Turquia o
direito a tal reação, apesar de Damasco ter admitido oficialmente a
culpa e pedido desculpas. Entretanto, deve-se reconhecer que, dando
apoio à oposição armada, a Turquia é responsável pela escalada da
violência na Síria e suas consequências (inclusive os incidentes com
projéteis).
A análise da situação mostra que Ancara
não quer combater com a Síria. Se a direção política turca tivesse a
intenção de se envolver no conflito armado, ela o teria feito em 22 de
junho, quando a defesa anti-aérea síria abateu um avião-espião da Força
Aérea da Turquia. Por enquanto, nem mesmo se trata das chamadas
operações trans-fronteiriçasa, permissão para as quais foi dada pelo
parlamento turco.
Até mesmo o incidente com o
sequestro do avião sírio, que realizava um voo de Moscou a Damasco não
pode ser classificado como bloqueio aéreo da Síria. Sua introdução seria
de fato declaração de guerra. O mais provável é que a Turquia
simplesmente queira aumentar a pressão sobre Damasco, inclusive
psicológica.
Provavelmente, Ancara por enquanto é
contida por algumas circunstâncias.Em primeiro lugar não está clara a
posição dos EUA. É pouco provável que Washington se decida a envolver-se
no conflito armado no Oriente Médio antes das eleições presidenciais de
novembro. Ora, sem o apoio americano a Turquia não começará operações
de combate de envergadura contra a Síria.
Em segundo
lugar, é muito difícil para a Turquia agora definir sua linha
estratégica se não for envolvida no conflito militar direto com Damasco.
O preço da vitória militar não será pequeno e o resultado é duvidoso.
Pois, a julgar pelas ações da oposição armada, em suas fileiras há
muitos elementos radicais, que podem transformar por muito tempo a
região em barril de pólvora, sendo que os dividendos para Ancara serão
muito duvidosos.
Finalmente, a Turquia é obrigada a
considerar a posição do Irã. Teerã já declarou que não ficará de fora em
caso de ataque militar contra a Síria. A direção iraniana, não sem
fundamentos, supõe que o próximo da fila será justamente o Irã. Por isso
envida todos os esforços para apoiar Bashar al-Assad.
A
Síria e o Irã já acionaram no mínimo uma alavanca de pressão sobre a
Turquia – a curda. Damasco praticamente concedeu ampla autonomia às suas
províncias curdas. Desse modo, no mapa do Oriente Médio, além do
Curdistão iraquiano autônomo, pode surgir perfeitamente o Curdistão
sírio.
Na própria Turquia agravou-se bruscamente a
contraposição entre o exército turco e os grupos armados curdos. Por
enquanto, não há quaisquer fatos que indiquem diretamente que a Síria ou
o Irã estão por trás disto. O mais provável é que os líderes dos curdos
turcos estejam a reagir à situação geral na região, supondo que em
breve pode surgir o momento propício para atingir seus objetivos.
Nestas
condições, é muito duvidoso que a Turquia queira uma guerra com a
Síria, pelo menos neste momento. Mas a situação pode mudar já em um
futuro próximo. O jogo em torno de Damasco, no qual está envolvida uma
série de atores com grandes ambições geopolíticas, está longe de
terminar.

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

Vitor mango

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