Bagão Félix: Discutir o Estado social é fácil porque atinge pessoas sem voz

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Bagão Félix: Discutir o Estado social é fácil porque atinge pessoas sem voz

Mensagem por Vitor mango em Sex Nov 30, 2012 10:35 am

Bagão Félix: Discutir o Estado social é fácil porque atinge pessoas sem voz

30 Novembro 2012,
15:38 por Lusa |











































O conselheiro de Estado Bagão Félix criticou
hoje a discussão política do Estado social, considerando-a "estúpida" e
"fácil" por atingir "pessoas que não têm possibilidade de erguer a sua
voz", como os idosos, os desempregados ou os doentes.
"O Estado social discute-se porque é a
parte do Estado que tem mais a ver com as pessoas que são velhas,
reformadas, desempregadas, estão doentes, estão sós, têm incapacidades,
pessoas que não têm voz, não têm 'lobbies', não abrem telejornais, não
têm escritórios de advogados, não têm banqueiros", disse o conselheiro,
na abertura de uma conferência sobre a crise promovida hoje, em Lisboa,
pela Fundação Liga.

Para Bagão Félix, a vulnerabilidade destas pessoas é que faz com que
seja "relativamente fácil" discutir esta reforma, que na sua opinião
está a ser conduzida de uma forma "estúpida" porque é colocada como se
fosse uma questão de estar a favor ou contra essa reforma do Estado
social, quando "infelizmente o filme não é a preto e branco", mas tem
coloridos.

"Custa-me ver a discussão sobre a sustentabilidade do Estado social,
quando não vejo ser discutida a sustentabilidade das outras funções do
Estado", afirmou, salientando que não se assiste a discussões sobre a
sustentabilidade das infra-estruturas do Estado ou das Forças Armadas.

Bagão Félix criticou ainda o uso do princípio da subsidiariedade em
Portugal, para dizer que é "constantemente pervertido": "Temos uma
sociedade muito condicionada e subsidiada junto do Estado e isso reduz a
nossa capacidade de autonomia, de prevenção, de conseguirmos resolver
os problemas por nós próprios, sem sempre nos socorrermos do Estado".

O consultor do Banco Mundial Artur Baptista da Silva criticou a
austeridade que se vive na economia europeia, defendendo que, no
contexto político e social que vivemos, a austeridade significa
"perversidade e violência abusiva" e falta de respeito pelos direitos
fundamentais das sociedades, ao impor regras que privam a liberdade de
escolha e cidadania.

A redução "drástica" da qualidade dos políticos europeus nos últimos 50 anos é a razão, segundo o consultor.

"Deixámos de ter estadistas e passamos a ter homens que vivem à custa
do Estado e que se projectam nas sociedades à custa das falácias e das
promessas que depois acabam por não ser capazes de cumprir e que eles
próprios, à partida, sabiam que não se podiam cumprir. E deixam-se ficar
reféns do poder económico", defendeu Artur Baptista da Silva.

Para o consultor, nenhuma crise mundial pode ser apelidada de crise económica, porque "é sempre" uma crise política.

"São sempre os políticos que se deixam aprisionar pelos interesses
económicos, e se põem ao seu serviço, em vez de se porem ao serviço das
populações que os elegeram", frisou.

Na sua opinião, o capitalismo económico, "que criava empregos", deu lugar ao atual capitalismo financeiro, que destrói empregos.

"E porque se faz isto", questionou, respondendo que a criação de
emprego e a rentabilização dos capitais através da economia "demora
tempo e tem risco" e a globalização trouxe a ideia de que estar muito
tempo no mesmo sítio não compensa porque esse sítio acaba por estar
empobrecido e é preciso ir para os outros sítios que ainda não estão tão
pobres.

"A deslocalização tem sempre esse objectivo", concluiu o consultor.

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

Vitor mango

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