Quem é a menina de 13 anos que desafiou a ocupação israelense?

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Quem é a menina de 13 anos que desafiou a ocupação israelense?

Mensagem por Vitor mango em Ter Dez 11, 2012 8:29 am

Quem é a menina de 13 anos que desafiou a ocupação israelense?



Postado em: 10 dez 2012 às 23:54





De punho em riste: quem é a garota que desafiou a ocupação
israelense? Ahed Tamimi, de apenas 13 anos, enfrenta os soldados
israelenses e diz que a dor já faz parte de sua vida



No meio de uma estrada deserta, cercada de paisagem árida, uma
pequena menina com a insígnia da paz estampada no peito enfrenta dezenas
de soldados, protegidos com capacetes e metralhadoras. O contraste da
imagem choca, mas nem as armas em punho foram capazes de amedrontar a
garotinha, que continuou a gritar e empurrar os oficiais em busca de
respostas (veja o vídeo abaixo).

Menina palestina, Ahed Tamimi enfrenta soldado israelense após prenderem seu irmão. (Foto: Oren Ziv/ ActiveStills)

Os risos jocosos dos militares, que se entreolhavam em desprezo,
apenas alimentaram o desespero e raiva da jovem. No fim, a única
resposta recebida foi o disparo de balas de borracha. As imagens da
bravura da menina, na reedição de uma espécia de batalha entre Davi e
Golias, correram o mundo. Ahed Tamimi, de apenas 13 anos, queria apenas
saber para onde o irmão, Waed, de 15 anos, havia sido levado durante os
protestos do dia 2 de novembro em Nabi Saleh, pequeno vilarejo na
Cisjordânia onde vivem.

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Sentada na cama do hospital, em Ramallah, com a mão enrolada em
curativos, a palestina não reclama do ferimento e conta que a dor já se
tornou parte de sua vida. Filha do líder comunitário Bassem Tamimi,
considerado pela União Europeia um “defensor dos direitos humanos” e
pela Anistia Internacional “um prisioneiro de consciência”, Ahed já teve
de lidar com o encarceramento dos pais, a morte de dois tios e a
violência cotidiana de soldados israelenses contra a família e amigos.


“Eu lembro que o pior período da nossa vida foi quando prenderam o
meu pai pela primeira vez. As autoridades israelenses não nos deram
autorização para visitá-lo”, contou ela ao portal Opera Mundi.
Detido por oficiais israelenses por seu papel de liderança nos protestos
pacíficos, Bassem teve de enfrentar a corte militar de Israel por 13
vezes e chegou a passar mais de três anos no cárcere, sem nenhum
julgamento.

Há mais de três anos, os residentes de Nabi Saleh se concentram toda
sexta-feira às 13h30 no centro da vila e tentam caminhar com bandeiras
da Palestina até a Alqaws, fonte de água da cidade confiscada pelos
oficiais israelenses em 2009 e atualmente de uso exclusivo dos colonos. O
recurso era necessário para as plantações na aldeia e também funcionava
como local de lazer, mas Israel restringiu a visita e proibiu a
construção de qualquer tipo de infraestrutura no local pelos palestinos.

“Toda sexta-feira, choques começam quando tentamos começar nosso
protesto pacífico contra o assentamento que nos cerca”, contou a garota.
Idosos, como sua avó, de 90 anos, crianças, mulheres e homens, são
atingidos indiscriminadamente por munições e projéteis. Com balas de
borracha, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e o líquido
“skunk”, os soldados impedem que a passeata chegue ao local de destino
mas, pela primeira vez, em junho deste ano, o grupo conseguiu entrar na
fonte.

Ahed
e sua prima tentam impedir a prisão de sua mãe Nariman em um protesto
contra os assentamentos em Nabi Saleh. (Foto: ActiveStills)

Depois dos primeiros protestos, as Forças de Defesa de Israel
começaram a fechar todas as entradas e saídas da vila, impedindo a
chegada de ativistas internacionais e de outras cidades palestinas e
restringindo a manifestação às ruas da vila.

“O uso de todos os meios para finalizar o protesto pelas forças de
segurança é excessivo e ocorre mesmo quando os manifestantes não são
violentos e não representam ameaça. As forças disparam enormes
quantidades de gás lacrimogêneo dentro da área urbana da vila, que é o
lar de centenas de pessoas”, disse em relatório a organização israelense B’TSelem. “Em um protesto, pelo menos 150 latas de gás lacrimogêneo foram disparadas”, completou.

Mortes


Foi em uma dessas vezes que Ahed perdeu um dos primos. Há exatamente
um ano, Mustafa morreu quando foi atingido na cabeça com uma bomba de
gás lacrimogêneo durante os protestos. De acordo com testemunhas, ele
jogava pedras contra um tanque israelense e um soldado, não
identificado, mirou em sua cabeça.

No entanto, segundo organizações de direitos humanos e residentes de
Nabi Saleh, os oficiais não usam inadequadamente apenas munições menos
letais, mas também armas de fogo. Em 19 de novembro, o tio de Ahed,
Rushdi, policial palestino de 31 anos, faleceu de complicações médicas
depois de ferimentos com balas de fogo no intestino.

Ahed
Tamimi (no fundo à direita), sua mãe, Nariman, abraçada a seu irmão,
Waed, no funeral de Rushdi Tamimi. (Foto: ActiveStills)

Apesar da crescente repressão, Ahed e sua família continuam a
participar dos protestos semanais na aldeia, de 500 habitantes, contra
os assentamentos israelenses e o muro que separam os territórios. Sob o
argumento de que a manifestação é uma “reunião ilegal”, os oficiais
prendem civis e tentam dispersar o grupo logo nos primeiros minutos.

Prisões


“Minha mãe disse a eles para saírem das nossas terras e o soldado,
com raiva, respondeu que estávamos em uma zona militar. [Ela] então
disse a ele para retirar os colonos também e ele ordenou sua prisão”,
lembrou Ahed, mencionando a manifestação do dia 24 de agosto (vídeo). Ao
lado das primas, a garota protestou contra a detenção e acabou
apanhando dos militares. Nariman foi libertada e logo, voltou a
participar das manifestações com sua câmera e kit de primeiros socorros.

O pai foi preso novamente em 24 de outubro, durante uma manifestação a
favor do boicote contra o supermercado israelense Rami Levy. Ele
posteriormente foi condenado a quatro meses de prisão e a uma multa
poucos meses depois de ter sido solto. Após uma semana, o filho mais
velho foi levado pelos soldados, mas permaneceu detido poucos dias na
delegacia do assentamento de Sha’as Benyamin.

Nariman,
coberta com o lenço palestino, é levada pelos oficiais israelenses;
Ahed tenta impedir que eles levem sua mãe. (Foto: ActiveStills 24/08/12)

“A prisão de Waed Tamimi, enquanto ele estava andando pacificamente
em sua vila, aponta para o contínuo abuso do ativista Bassem Tamimi, de
sua família e da comunidade de Nabi Saleh pelas forças militares
israelenses”, afirmou Ann Harrison da Anistia Internacional. “Este abuso
e assédio deve parar”, acrescentou ela.

Ocupação e os jovens: peça-chave para a repressão


A presença militar de israelenses na vila palestina não é restrita às
sextas-feiras. A emissora israelense Canal 10, junto com a B’TSelem,
denunciou que os oficiais fazem rondas noturnas em Nabi Saleh, durante as quais invadem as residências dos palestinos e tiram fotos das crianças.


As Forças de Defesa usam as fotografias para identificar os menores
que jogam pedras contra os oficiais nos protestos e depois, vão às suas
casas durante a noite para prendê-los. Segundo a organização palestina
Addammeer, que luta pelo direito dos presos políticos, o depoimento
desses jovens é fundamental para Israel construir denúncias contra os
líderes do movimento. Foi o interrogatório de uma criança de 10 anos que
levou à prisão de Bassem.

Ahed conta que os oficiais estão por perto “toda vez que quero
brincar com meus amigos, quando vou à escola e quando estou em casa”.

Mesmo quando os soldados estão longe, os palestinos lembram
diariamente de que sua terra está sendo ocupada e confiscada. Nabi
Saleh, assim como toda a Cisjordânia, é cercada por um muro de 10 metros
de altura e por todos os lados da aldeia, os apartamentos modernos dos
colonos construídos ilegalmente em seu território podem ser vistos. A
falta de parentes e amigos que estão presos ou foram mortos impedem que
essas pessoas se esqueçam da sua realidade.

Sonhos de uma criança


“Eu gostaria que toda a minha família fosse libertada assim como
todos os outros prisioneiros palestinos logo e quero ver o meu grande
sonho de um dia viver em uma Palestina livre”, declarou Ahed.

Bassem e Nariman Tamimi se reencontram depois de periodo de encarceramento. (Foto: Oren Ziv/ActiveStills)

O sentimento de tristeza e desespero, pesado demais para uma criança,
preocupa os pais de Ahed. “Durante as visitas ao meu marido, Bassem me
pediu que os corações dos nossos filhos fossem purificados de todo e
qualquer ódio por conta das sementes de amor que plantamos neles”,
contou Nariman. “Agora, nós estamos esperando por redenção, felicidade,
justiça e liberdade”.

A libertação nacional parece estar longe da vida de Ahed e dos
Tamimi. Enquanto a família ainda enfrenta uma ordem de demolição de sua
casa em Nabi Saleh, as autoridades israelenses já anunciaram que vão
continuar com a expansão dos assentamentos nos territórios palestinos.

No entanto, o espírito de resistência dessa família não parece
diminuir, apesar das seguidas provações pelas quais passaram.
Metaforicamente, os Tamimi são a Palestina.

Yara Fares e Marina Mattar, Opera Mundi

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