Por que a União Europeia ignora o pedido de ajuda francesa em Mali?

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Por que a União Europeia ignora o pedido de ajuda francesa em Mali?

Mensagem por Vitor mango em Sab Jan 19, 2013 2:01 am

Por que a União Europeia ignora o pedido de ajuda francesa em Mali?



Serviço Europeu de Ação Exterior já havia avisado sobre atuação da Al Qaeda na região em 2011



Agência Efe
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UE só enviaria tropas se houvesse unanimidade entre os países membros, o que não está perto de se concretizar

A solidão francesa em Mali demonstra a incapacidade de cooperação entre
os países da União Europeia, que até agora prometeram apenas uma ajuda
logística às tropas do presidente François Hollande. Nenhum país membro
do bloco europeu pode afirmar que foi pego de surpresa em relação a essa
ação. Desde 2011, o SEAE (Serviço Europeu de Ação Exterior), liderado
pela Alta Representante Catherine Ashton, observa atentamente a situação
na região.

O país africano se situa no Sahel, ao sul do deserto do Saara, uma área
estrategicamente importante para a União Europeia porque por ela passa
um fluxo importante de pessoas, armas e drogas, que têm como destino o
continente europeu. A questão da segurança da região já era apontada com
preocupação pelo presidente do Conselho Europeu, o belga Herman Van
Rompuy, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas de 2012.

Em 2011, o SEAE divulgou um documento intitulado Estratégia para
Segurança e Desenvolvimento no Sahel, no qual aponta os problemas e os
desafios dos países africanos da região, além de explicitar os âmbitos
nos quais a UE poderia cooperar. Nesse documento podemos ver que os
políticos europeus já tinham plena consciência do perigo da atuação de
grupos extremistas na zona. Um mapa elaborado pelo mesmo serviço europeu
mostra que o norte do Mali já era considerado uma área de domínio da Al
Qaeda.

Agora a fica a pergunta: se os países membros já sabiam dessa ameaça e
contavam com uma verba para ao menos amenizar o problema da região
(segundo consta no documento, o total disponível é de 650 milhões de
euros), porque a União Europeia não age em conjunto com a França?

Primeiro cabe explicar que, em questões militares e em todos os âmbitos
que entram na chamada Política Externa e de Segurança Comum, a UE não
possui autonomia. As resoluções e ações militares só podem ser tomadas
por unanimidade, ou seja, todos os 27 países membros devem estar de
acordo com as ações que serão tomadas.





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O fato de precisar do apoio formal de todos os países torna ações deste
tipo quase inviáveis em um grupo que conta com a neutralidade da
Irlanda ou com histórico posicionamento contra ações militares de outros
membros.

Fora o problema de coordenação, as medidas que a duras penas são
aprovadas pela UE demoram meses ou anos para serem postas em prática. No
meio do ano passado foi aprovado o envio de 250 instrutores e 300
militares em apoio a um programa de treinamento do exército malinês.
Entretanto, a missão começaria apenas em meados deste ano. Com a piora
da crise, os ministros europeus de relações exteriores decidiram na
última quinta-feira antecipar o envio das tropas para fevereiro, quando o
panorama do conflito já será outro.

Em plena crise econômica, nenhum governo quer aumentar os gastos
militares ao mesmo tempo em que diminui os privilégios sociais da
população. Além do fator financeiro, a pessoa encarregada de buscar
coordenação e rapidez na implementação deste tipo de decisões, a Alta
Representante Catherine Ashton, demonstra que apesar de ter conseguido
montar um bom serviço que a apoie, não possui as características
necessárias para forjar acordos com os líderes europeus. Outra razão
para o que vemos ocorrer é a falta da identidade europeia entre os
chefes de Estado. Muitos presidentes e ministros julgam o problema como
uma questão francesa e que, por isso, apenas a França deveria atuar.

Diante do imobilismo frente ao conflito em Mali, os líderes e cidadãos
europeus devem decidir se apostam na integração total do bloco em
assuntos militares e de defesa ou se desistem da ideia e assumem que
segurança é um assunto importante demais para deixar nas mãos de
Bruxelas, devolvendo todos os poderes e recursos aos Estados. Seguir com
todo esse aparato burocrático que gasta dinheiro e gera expectativas
difíceis de serem realizadas parece ser a pior opção para todas as
partes.

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

Vitor mango

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