O que incomoda na Internet? Insultos, mentiras e coisas feias, dizem crianças portuguesas

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O que incomoda na Internet? Insultos, mentiras e coisas feias, dizem crianças portuguesas

Mensagem por Vitor mango em Ter Fev 05, 2013 12:56 am

O que incomoda na Internet? Insultos, mentiras e coisas feias, dizem crianças portuguesas


















Maria João Lopes

05/02/2013 - 07:21






Pais, crianças e jovens portugueses falaram na primeira pessoa. Esta terça-feira é dia da Internet Segura.










Muitas crianças têm acesso ao computador na escola ou no centro Escolhas PÚBLICO
























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Pornografia, imagens de violência, contactos de
estranhos, referências a drogas e álcool, e imagens de pessoas a abusar
de crianças são apenas alguns do conteúdos que crianças e jovens
identificam como incómodos na Internet. As respostas de mil crianças
portuguesas estão incluídas no inquérito europeu EU Kids Online e são
divulgadas esta terça-feira por investigadores da Faculdade de Ciências
Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, no dia em que se
comemora a Internet Segura.

No trabalho de campo também houve perguntas dirigidas
aos pais, tendo sido pedido que identificassem situações
particularmente incómodas para os filhos na Internet. Nos testemunhos,
há relatos sobre estranhos que entraram em contacto com os filhos e que
lhes pediram a morada. Um dos pais conta que a filha de 16 anos conheceu
um homem na Internet e convidou-o para ir lá casa. Quando a mãe chegou,
a filha estava no quarto inconsciente e teve de receber tratamento
hospitalar. Nunca se chegou a descobrir o que lhe aconteceu ou que terá
tomado.
Outros depoimentos dos pais relacionam-se com mensagens
desagradáveis enviadas por colegas aos filhos, conversas perturbadoras
com estranhos, visualização de vídeos chocantes e fotografias de filhos
divulgadas em sites com comentários negativos.
Já as crianças,
quando questionadas sobre o que é que poderia incomodar alguém da idade
deles na Internet, responderam: “Enviar insultos, contar mentiras sobre
outras pessoas, sites com coisas feias, com imagens chocantes”, disse
uma menina de 12 anos. Outra rapariga de 15 anos escreveu: “Fazer troça
de alguém criando sites e usando o Youtube para gozar”. Uma adolescente
da mesma idade, a quem uma colega enviou mensagens desagradáveis,
identificou como incómodo “insultos que baixam a auto-estima e afectam
psicologicamente”.
Apesar de o inquérito EU Kids Online ser de 2010, o relatório com as respostas das crianças e dos jovens na primeira pessoa
só é divulgado esta terça-feira. Para além disso, os investigadores
portugueses resolveram voltar ao terreno, cerca de um ano depois, mas
desta vez para comparar as primeiras respostas com as de uma amostra de
crianças e adolescentes de contextos socioeconómicos mais
desfavorecidos.
“Quando decidimos adaptar o questionário EU Kids
Online a uma amostra de crianças socialmente desfavorecidas, os nossos
objectivos eram não só conhecer os seus contextos de acesso, uso e
formas de mediação, mas também ter em atenção a percepção das crianças
sobre os riscos e segurança online, na forma como o expressam, e
compará-los”, escrevem os investigadores Cristina Ponte, José Alberto
Simões e Ana Jorge, num artigo que será publicado no próximo mês.
Não estragar o computador
Neste
segundo inquérito, dirigido a miúdos entre os 9 e os 16 anos do
programa Escolhas, que visa promover a inclusão social de crianças e
jovens provenientes de contextos socioeconómicos mais vulneráveis, a
pergunta foi colocada da seguinte forma: “O que é para ti usar a
Internet de forma segura? Que conselho darias a uma pessoa da tua
idade?”
A pesquisa, realizada em 19 centros da área metropolitana
de Lisboa e do Porto, mostrou que, comparadas com a amostra nacional do
EU Kids Online, as crianças do Escolhas “são aparentemente mais
inclinadas para o entretenimento” e que “as competências digitais
ligadas à informação estão menos presentes”. Mais frequentados por
rapazes do que por raparigas, os centros Escolhas proporcionam um acesso
a meios digitais, o que leva os investigadores a concluir que “exclusão
social e exclusão digital não são necessariamente equivalentes”.
Se
na amostra portuguesa do EU Kids Online 47% dos pais tinham o 9.º ano
ou menos, entre os pais das crianças do Programa Escolhas esta
percentagem atinge os 90%. O acesso das crianças à Internet também é
mais reduzido no Escolhas, o que pode dever-se aos baixos níveis de
escolaridade dos pais que também não são, eles próprios, utilizadores da
Internet: 60% dos pais portugueses abrangidos no EU Kids Online usavam a
Internet, enquanto no caso do Programa Escolhas esta percentagem desce
para 43.
Para além deste dado, salienta-se que 92% das crianças do
EU Kids tinham acesso à Internet em casa, percentagem que, no caso do
Escolhas, se fica pelos 46 (no que respeita a crianças) e pelos 70 (no
caso dos adolescentes).
Algumas das respostas das crianças do
programa Escolhas mostram que a percepção que têm sobre o que é usar a
Internet de forma segura relaciona-se com o manuseamento cuidado dos
equipamentos – não querem estragar computadores que não são deles – em
vez dos conteúdos.
As referências a conteúdos sexuais são
escassas, o que se pode dever ao facto de estas crianças e jovens
acederem à Internet em locais como a escola e os centros Escolhas, onde
são usados filtros e onde o acesso é mais controlado. Apesar de haver
essa supervisão, uma criança do Escolhas escreveu o seguinte: “Não devia
fazer, mas faço. Não jogar jogos nem tentar criar contas no Facebook…
Eu faço na escola, mas com outro nome.”
E quanto a contactos com
estranhos, que disseram os miúdos? Uma rapariga de 14 anos, abrangida
pelo Escolhas, respondeu o seguinte: “Uso a net há cinco anos e
felizmente até hoje não me aconteceu nada. Já falei e me encontrei com
desconhecidos e correu sempre bem. Se toda a gente tiver o mesmo cuidado
que tenho e atenção, nada de mal acontecerá”.
Os investigadores
verificaram que entre jovens do Escolhas, o contacto com pessoas
desconhecidas pode ser uma oportunidade para aumentarem o “capital
social” – a rede de contactos. E perceberam também que crianças mais
novas se sentem seguras quando navegam na Internet, porque apenas fazem
um número limitado de actividades em períodos curtos de tempo.
Os
autores do artigo frisam ainda que, apesar de as crianças portuguesas
liderarem, a nível europeu, o acesso à Internet através de portáteis,
tal não se traduzia num uso frequente. De acordo com os dados do EU Kids
Online, 66% das crianças portuguesas tinham acesso à Internet através
de portáteis, contra uma média europeia de 23%; porém, apenas 54%
acediam diariamente à Internet, quando a média europeia era de 57%.
Uma
vez que os dados das pesquisas são de 2010 e de 2011, Cristina Ponte
considera que seria relevante voltar ao terreno para um novo estudo, que
teria como objectivo perceber como está a actual crise a afectar as
condições de acesso à Internet por parte das crianças e jovens.

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

Vitor mango

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