Com ajuda da web, ateus ganham força no Brasil

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Com ajuda da web, ateus ganham força no Brasil

Mensagem por Vitor mango em Seg Fev 25, 2013 10:39 am

Com ajuda da web, ateus ganham força no Brasil











Camilla Costa

Da BBC Brasil em São Paulo









Atualizado em 25 de fevereiro, 2013 - 07:29 (Brasília) 10:29 GMT



























Encontro teve palestras de antropologia evolutiva e apresentações de comédia



Para fazer frente ao que chamam
de influência de grupos religiosos na política, organizações de ateus
brasileiros aumentam cada vez mais seu alcance usando a mobilização
pelas redes sociais e eventos temáticos em todo o país.

Os ateus ainda são uma minoria de cerca de 615
mil pessoas no Brasil, segundo dados do Censo de 2010. Na categoria "sem
religião", que também inclui agnósticos, o número ultrapassa os 15
milhões, segundo o IBGE.














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Nos últimos anos, novas associações
têm sido criadas para reunir os não crentes em torno de questões como o
combate ao preconceito e a defesa da laicidade do Estado brasileiro.

No mês de fevereiro, o 2º Encontro Nacional de
Ateus, organizado por parceria entre as principais associações do país,
reuniu ateus e agnósticos simultaneamente em 28 cidades de 25 Estados
brasileiros, incluindo o Distrito Federal, com transmissões ao vivo de
palestras e discussões. Em São Paulo, a edição de 2013 teve 750 pessoas,
mais que o dobro do ano anterior.

Na capital paulista, o encontro teve palestras
sobre assuntos como o ateísmo na filosofia francesa e sobre o Estado
laico, este com o procurador regional dos direitos do cidadão de São
Paulo, Jefferson Dias. Entre os palestrantes também estava um comediante
que ganhou popularidade na internet satirizando pastores evangélicos.

Na página do evento no Facebook, cerca de 1.700
pessoas confirmavam a presença, mas o número menor de participantes
reais não decepcionou os organizadores. "Quando a gente organiza eventos
no Facebook, sabe que vem entre 40 e 60% (das pessoas). A gente ainda
está anestesiado porque não pensava que poderia realizar isso e ter
sucesso", disse Washington Alan, diretor jurídico da Sociedade
Racionalista, organizadora do encontro, à BBC Brasil.

Ateísmo digital


O presidente da Sociedade Racionalista, Diego
Lakatos, diz que o encontro começou como uma tentativa de
confraternização entre ateus de todo o país. "Num primeiro momento, não
estávamos tão interessados em promover discussões mais profundas. Foi
uma coisa bem mais informal, no Parque Ibirapuera."

"Mas ao longo desse ano, alguns temas surgiram
com mais força e se tornaram mais relevantes, como a defesa do Estado
laico. Vemos a bancada evangélica tentando barrar discussões importantes
na nossa sociedade de um ponto de vista religioso e achamos que isso é
perigoso", afirma.

Clique Clique

Leiam mais em: Ateus contestam ações de 'bancada teocrática' no Congresso


O primeiro encontro deu um impulso no número de
adesões à Sociedade Racionalista pelo site, de acordo com Lakatos.
Agora, cerca de 60 pessoas se filiam a cada mês. Este mesmo número
também era o máximo arrebanhado pela Associação Brasileira de Ateus e
Agnósticos (Atea), a maior do país, até sua entrada no Facebook, em
2010.










"Muitos ateus são visceralmente contra o proselitismo. Eu não entendo."





Daniel Sottomaior, presidente da Atea







De acordo com o engenheiro Daniel Sottomaior,
fundador da Atea, a criação de uma página no site mais do que dobrou o
número de adesões – que já chega a 200 novos membros por mês. A Atea já
tem cerca de 7.800 membros filiados e 230 mil fãs no Facebook – cerca de
um terço do que corresponderia ao número de ateus calculado pelo IBGE.

"Ganhamos um impulso nas associações com a
chegada do Face. Eu sempre fui contra porque a nossa associação é de
ativismo no mundo real. Na minha longa experiência de ativismo online
percebi que especialmente entre ateus as discussões tendem a gerar mais
calor do que luz", diz Sottomaior.

Sottomaior diz que o objetivo da Atea é criar
indignação em relação à discriminação de ateus e "fazer com que o
Brasil, 120 anos depois da proclamação da República, se torne (de fato
em) um Estado laico".

Congregar os ateus em uma organização atuante,
no entanto, não é fácil. De acordo com ele, o maior desafio é a
"indiferença dos ateus".

"Grande parte dos ateus tem uma independência
intelectual tão forte que acaba sendo contraproducente a eles mesmos. Eu
entendo que lutar contra o preconceito e a favor da laicidade deveriam
ser causas caras não só aos ateus, mas a toda a sociedade", diz.

Alianças


O proselitismo, segundo Sottomaior, também tem
que ficar de fora para conseguir mais mobilização dos associados. "Se
nós nos voltássemos para isso teríamos um público menor, porque muitos
ateus são visceralmente contra o proselitismo."

"Eu não entendo. Acho que todo grupo organizado
tem não só o direito, mas é até esperado que ele pratique o
proselitismo. O Greenpeace faz isso, os partidos políticos também",
defende.

A ênfase nas leis e na discriminação, no
entanto, não é o suficiente para que religiosos apoiem a causa, segundo
Sottomaior. "Algumas pessoas religiosas entram em contato com a
associação, mas é um número pequeno, muito menor do que as pessoas que
mandam e-mails de ódio."

"Desde o começo venho tentando contactar
minorias religiosas. Os maiores interessados nisso são os grupos
religiosos afro-brasileiros, que também são afetados como nós pela
discriminação e pela violação da laicidade. Que também é o caso dos
homossexuais. Um dos grandes parceiros nossos sempre foi a ABGLT
(Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
Transexuais)", diz.




Páginas no Facebook também chamam a atenção para causas LGBT



Ao contrário da Atea, a Liga Humanista Secular
do Brasil (LiHS), criada em 2010, tem cerca de 3% de religiosos entre
seus membros, e pouco mais de 500 filiados que não se declaram ateus.
"Temos até mesmo um pastor de uma igreja evangélica inclusiva (a
homossexuais) no Rio de Janeiro, que é colaborador", diz Åsa Dahlström
Heuser, de 56 anos, atual presidente da associação.

A adesão de religiosos, segundo Heuser, tem a
ver com o fato de que ateísmo é "secundário" na Liga. "Entendemos como
benéfica a associação com pessoas religiosas de mente mais aberta. E
existem muitas, na verdade. Combatemos as arbitrariedades cometidas por
instituições religiosas", diz ela.

Heuser cita "restrições a homossexuais ou
mulheres" impostas por algumas religiões como justificativa para a
parceria entre a Liga e o movimento LGBT. "As organizações LGBT são as
que têm mais força atualmente para se opor a essa bancada teocrática no
Congresso", explica.

A LiHS tem cerca de 2.800 membros e mais de 17
mil fãs no Facebook, e é, segundo o seu site, voltada para "céticos,
agnósticos, ateus, livres pensadores e secularistas". O fundador da
organização, Eli Vieira, é o geneticista que ganhou fama na internet ao
responder, com um vídeo no YouTube, à argumentação do pastor evangélico
Silas Malafaia contra o homossexualismo.

O aumento da adesão, segundo ela, aconteceu a
partir de setembro de 2012, depois da realização do primeiro Congresso
Humanista. "A internet ajudou muito, mas os encontros reforçam a ideia
de ações sociais. Para que não tenhamos um dia um governo que nos
obrigue a fingir que temos uma religião, se a bancada teocrática
conseguir impor suas ideias. É isso o que queremos evitar."

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Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

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