Ásia e um Médio Oriente pós-americano

Novo Tópico   Responder ao tópico

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Ásia e um Médio Oriente pós-americano

Mensagem por Vitor mango em Sab Mar 23, 2013 2:39 am

Yuriko Koike


















Ásia e um Médio Oriente pós-americano

22 Março 2013,
08:50 por Yuriko Koike






























Quando as consequências da invasão do Iraque,
liderada pelos Estados Unidos há dez anos, estão totalmente avaliadas, a
importância da subsequente ascensão do Islão político no país – e em
todo o Médio Oriente – parece insignificante quando comparada com a
mudança geoestratégica que ninguém previu na altura. Essa mudança está
agora à vista. Com a América a aproximar-se da auto-suficiência
energética, uma retirada estratégica dos Estados Unidos da região pode
bem tornar-se numa realidade.
O Médio Oriente já experienciou muitas
vezes a retirada de uma grande potência, ou potências, no passado: com a
desintegração do Império Otomano depois da Primeira Guerra Mundial; o
fim dos mandates imperiais francês e britânico depois da Segunda Guerra
Mundial, mais recentemente o desaparecimento quase completo da
influência russa após o colapso da União Soviética em 1991. Em cada
ocasião, a situação política da região mudou radicalmente em pouco
tempo, especialmente no que diz respeito às alianças. Se nos próximos
anos a América quiser “afastar-se” do Médio Oriente, será inevitável uma
ruptura semelhante?



Embora muitos acreditem que a aliança Estados Unidos-Israel é a base
da política americana para o Oriente Médio, foi a dependência do
petróleo importado que motivou os Estados Unidos a estabelecerem uma
presença militar dominante na região depois de 1945. Na verdade, até à
Guerra dos Seis Dias em Junho de 1967, os Estados Unidos não eram um
grande fornecedor de equipamento militar a Israel. O propósito da
presença militar dos Estados Unidos era, sobretudo, preservar o status
quo árabe e, assim, o fluxo de energia do Golfo Pérsico, para benefício
dos Estados Unidos, dos seus aliados, e de toda a economia global
.



Claro, ninguém deve pensar que a revolução do gás de xisto da América
(que a torna próxima da auto-suficiência energética) significa que a
sua Quinta Frota com base no Bahrain vai levantar âncora tão cedo. Mas
as razões para a presença militar dos Estados Unidos na região estão a
mudar rapidamente; e quando isso acontecer, a distribuição de meios
militares tende a mudar também (como aconteceu na Europa depois da
Guerra Fria).




É quase certo que esta mudança terá reflexo nas relações entre os
Estados Unidos e os seus aliados e parceiros árabes. Como defendeu o
estadista e académico norte-americano, Joseph Nye: “Durante décadas, os
Estados Unidos e a Arábia Saudita tiveram um equilíbrio de assimetrias,
em que dependíamos deles por serem um dos principais produtores de
petróleo, e eles de nós para lhes garantirmos segurança militar total”.
Nye assegura que, com o rápido desenvolvimento de fontes próprias de
energia por parte dos Estados Unidos, esta “negociação será agora
resolvida em termos muito melhores”, pelo menos segundo a perspectiva
dos Estados Unidos.



Mas, qualquer que seja o equilíbrio final, a magnitude da retirada
norte-americana do Médio Oriente dependerá da resposta a duas perguntas
fundamentais. Em primeiro lugar, uma retirada militar (ainda que
parcial) pode criar um vazio de segurança passível de ser aproveitado
por algum rival, como a China ou o Irão? Em segundo lugar, a diminuição
da presença norte-americana pode incitar o tipo de instabilidade
conducente à criação de estados falidos e paraísos de terroristas?




A actual estratégia de segurança do presidente do Barack Obama para o
Afeganistão, Iémen e outros países sugere que os Estados Unidos vão
procurar mitigar o segundo risco, continuando com as suas intervenções
secretas – em particular no uso de veículos aéreos não tripulados. Mas,
para prevenir que algum rival dos Estados Unidos obtenha demasiada
influência na região, será necessária uma resposta muito diferente – uma
resposta que vai exigir o apoio de antigos aliados, como o Japão, e
novos amigos, como a Índia.



A razão para isso é clara: a dependência da China das importações de
energia do Médio Oriente significa que é quase certo que o país vai
procurar preencher qualquer vazio de segurança regional. De facto, a
China previu, há muito tempo, as mudanças na estrutura de segurança que
se produziriam na região, e já parece preparada para aproveitá-las se
tiver oportunidade. O seu "colar de pérolas" através do Oceano Índico -
uma série de potenciais bases navais que ligam a China ao Médio Oriente e
a África – apoiaria uma frota chinesa com capacidade para patrulhar os
corredores marítimos do Golfo Pérsico.




Mas, no momento de negociar outros acordos com novos produtores de
petróleo do Médio Oriente, a China estará comprometida pelo seu forte
apoio ao Irão, que está envolvido numa luta de poder com os principais
estados sunitas da região, especialmente a Arábia Saudita. Na ausência
de uma mudança completa nas relações da China com o Irão, pode ser
impossível alcançar uma parceria estratégica com as monarquias do Golfo
Pérsico. E, mesmo que consiga, a repressão interna da China contra os
muçulmanos de Xinjiang, que provocou uma disputa feroz com
primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, há alguns anos atrás,
pode impedir que se estabeleça a confiança necessária.




Ainda assim, é inevitável que a China procure obter uma maior
influência no Médio Oriente, o que implica que países como a Índia,
Indonésia, Japão e a Coreia do Sul também criem uma estrutura nacional
de segurança que proteja os seus interesses nacionais. Mas precisam de
verificar se têm os meios necessários para alcançar os seus objectivos
de segurança nacional. Por exemplo, podem garantir parte da segurança
que os Estados Unidos garantiam aos estados árabes da região?



Uma tal projecção do poder asiático – e das lutas de poder – no Médio
Oriente pode parecer uma perspectiva distante hoje em dia. Mas, há dez
anos, também era distante a possibilidade de uma retirada americana da
região.



Yuriko Koike, ex-ministra da Defesa do Japão e conselheira de
segurança nacional, foi presidente do Partido Democrata Liberal do
Japão, e actualmente é membro da Dieta Nacional do Japão.

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ

Vitor mango

Pontos : 106508

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você pode responder aos tópicos neste fórum