Conversa de gajas

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Conversa de gajas

Mensagem por Vitor mango em Sex Maio 01, 2015 9:35 am

ulio Machado Vaz
7 h ·
JN.
Conversa de gajas
01.05.2015INÊS CARDOSO

São campanhas publicitárias a falar em "corpos de praia". Anúncios que promovem as mulheres como donas de casa perfeitas ou cabeças ocas com desejos de verão tão elaborados como ter uma dezena de novos pares de sandálias. Marcas como a Zara a apostar em linhas de roupa que consideram os meninos "fixes e inteligentes" e as meninas "bonitas e perfeitas". É impressão minha, ou a publicidade está a regredir quando o discurso de género deveria ganhar alguma profundidade?Questões como a violência doméstica ou a desigualdade salarial tendem a ser vistas com seriedade. Indignam, merecem estudos e posições políticas como a criação de quotas. Já temas como a ditadura da imagem e a maquilhagem são vistos como minudências que não devem fazer perder tempo. E é um risco ignorar que em coisas simples como um anúncio televisivo se perpetuam estereótipos e condicionamentos à verdadeira liberdade e igualdade de oportunidades.Amy Schumer, comediante americana conhecida pela série de televisão "Inside Amy Schumer", conseguiu nas últimas horas lançar um debate viral sobre a maquilhagem, através de um vídeo em que aparece rodeada por uma "boysband". A contradição é básica: de início, cantam-lhe o quanto é uma princesa que não precisa de maquilhagem para ser bonita, para logo que o rosto surge despido a incitarem a maquilhar-se.Sempre que se fala do tema, ou de dietas, ou de saltos altos, ou de operações plásticas, o argumento mais frequente é o mesmo: o importante é que cada mulher faça aquilo que a faz sentir-se bem. Seria simples, se não fosse preciso ter em conta que o que a mulher quer é influenciado - como evidencia a sátira de Amy Schumer - pelo que pressupõe que socialmente é esperado dela.Duvido que alguma mulher se sinta feliz a ressuscitar a sufocante moda dos corpetes, relançada pelas irmãs Kardashian, apenas para conseguir uma cintura mais esbelta. Duvido que uma mulher vá para uma entrevista de emprego sem ter de se preocupar muito mais do que um homem com a aparência (sem evidências do visual indicado, porque apresentar-se demasiado bem tem tantas contraindicações como o contrário).Tudo isto é conversa de gajas? Não. É conversa de uma sociedade que gere mais expectativas do que valoriza a autenticidade. Lamentavelmente, nem homens nem mulheres percebem o alcance de se mudar esta agulha.
P. S. Por motivos pessoais, o embaixador Francisco Seixas da Costa não escreve hoje. A sua opinião regressa na próxima sexta-feira, como habitualmente.

Opinião deste gajo - estou de acordo com a Inês, mas receio que a autenticidade ande pelas ruas da amargura frown emoticon.

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