Encontrado estudo de Vieira Lusitano para teto de igreja destruída em 1755

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Encontrado estudo de Vieira Lusitano para teto de igreja destruída em 1755

Mensagem por Vitor mango em Ter Maio 31, 2016 1:15 am

Encontrado estudo de Vieira Lusitano para teto de igreja destruída em 1755


Pedro Alexandrino é o autor da pintura do medalhão central da atual Basílica dos Mártires

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Um estudo para o teto de uma igreja destruída no terramoto de Lisboa, criado pelo pintor português setecentista Francisco Vieira de Matos (1699-1783), conhecido por Vieira Lusitano, foi encontrado por um antiquário, anunciou hoje a Universidade de Lisboa.
De acordo com um comunicado da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), o desenho foi descoberto pelo antiquário António Pereira da Trindade e analisado por Victor dos Reis, professor e presidente da instituição de ensino.
Segundo a FBAUL, a obra, datada de 1750, foi uma encomenda do rei D. João V para o teto da antiga Basílica dos Mártires de Lisboa, completamente destruída em 1755.
A igreja foi mandada construir por D. Afonso Henriques, para sepultar os cruzados que pereceram na conquista de Lisboa, em 1147, e agradecer a intervenção de Nossa Senhora na batalha pelo domínio da cidade, acrescenta o comunicado da faculdade.
Recorda ainda que, após o incêndio de 1746, que destruiu totalmente a igreja, o então rei Dom João V mandou reconstruir a Basílica pedindo a Vieira Lusitano para fazer a decoração do teto da igreja, sendo este o estudo para o medalhão central.
O trabalho foi concluído em 1750, ano da morte do rei, e destruído cinco anos depois, com o Terramoto de 1 de novembro de 1755, pelo que a obra do mestre só pôde ser vista durante um curto período de tempo.
Após a reconstrução de Lisboa, a antiga Basílica dos Mártires, situada junto ao Convento de São Francisco no Chiado (atual FBAUL), foi reerguida na rua Garrett, sendo o teto atual obra de Pedro Alexandrino de Carvalho (1729-1810), respeitando o mote do desenho original.
O desenho - criado em sanguínea sobre papel, com 63 centímetros por 37 centímetros -, referido por diversos autores, mas desaparecido há várias décadas, é um dos dois que se conhecem do teto da igreja.
O outro, com as mesmas dimensões, pertenceu à coleção de Frei Manuel do Cenáculo e encontra-se hoje no Museu de Évora.
Para o atual proprietário, António Pereira da Trindade, "este desenho representa um documento histórico de grande relevância para a história da cidade de Lisboa e de Portugal, sendo por isso fundamental que a obra fique disponível para ser vista por todos os portugueses", defende, no comunicado da FBAUL.
"Numa época como a que estamos a viver, em que muitas peças saem de Portugal para fazer face à atual crise, é importante resistir à venda de obras de arte desta importância", sustenta ainda o antiquário.
A FBAUL considera que a obra, "tanto pelas diferenças formais, como de trajeto histórico relativamente ao desenho de Évora, lança uma nova luz sobre um dos mais importantes autores e empreendimentos do Barroco português".
O desenho vai ser apresentado publicamente na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, na quinta-feira, às 18:00, por Victor dos Reis e António Pereira da Trindade.
Durante a conferência, será feita uma apresentação comparativa do desenho de Vieira Lusitano com o seu outro estudo pertencente ao Museu de Évora, com a atual pintura do teto da Basílica dos Mártires da autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho.
A Lusa contactou o Ministério da Cultura para saber, se há alguma proposta da tutela para aquisição do desenho de Vieira Lusitano, e aguarda uma resposta.

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