Como tornar o brexit gerível

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Mensagem por Vitor mango em Seg Jul 18, 2016 8:17 am

a-Feira18 de julho de 201615:13 Fundado em 29 de dezembro de 1864

Como tornar o brexit gerível

O golpe falhado na Turquia e o mais recente atentado terrorista em França poderão desestabilizar ainda mais a União Europeia

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Já ultrapassámos a fase do "brexit significa brexit". Sabemos que o novo governo do Reino Unido está à procura de um relacionamento com a União Europeia regido por um acordo comercial. Ele não quer aderir ao Espaço Económico Europeu - uma área alargada do mercado interno da UE.
Philip Hammond, o ministro das Finanças, falou sobre o acesso ao mercado único, mas sem adesão. Após o encontro com Jack Lew, o secretário do Tesouro dos EUA, em Berlim, na semana passada, Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, adjetivou esta proposta de razoável. Não há ainda nenhum acordo sobre nada, mas o Reino Unido e a União Europeia podem, pelo menos, concordar sobre o que falar. Vindos de onde viemos, isto é um progresso.
Além da orientação geral, podemos analisar mais três pontos. O plano diretor elaborado por David Davis, ministro para a saída da UE, era tão claro na orientação geral como ingénuo nos detalhes técnicos. A campanha acabou, o Sr. Davis irá ter de se sentir excitado com coisas verdadeiramente chatas.
O que também está a ficar cada vez mais claro é que Theresa May, a primeira-ministra do Reino Unido, pode querer desencadear o procedimento de saída nos termos do artigo 50.° antes do fim do ano. Vai levar algum tempo para chegar a uma posição de negociação conjunta para os termos da saída que satisfaça tanto a Escócia como a Inglaterra. Terão de ser feitos compromissos. Mas o processo não pode ser adiado por muito tempo. A economia pode deixá-la sem opções. Os negociadores não se devem deixar enganar pela reação relativamente benigna do mercado após o referendo e pela queda limitada do valor da libra.
O terceiro ponto que se tornou claro é que o brexit vai acontecer antes das eleições gerais no Reino Unido em 2020. É o único cenário em que o Partido Conservador se manterá unido.
Nos próximos meses, a principal tarefa da equipa do brexit será compreender em detalhe as posições negociais dos outros 27 Estados membros. O que cada um deles pensa sobre o acesso da Grã-Bretanha ao mercado financeiro da União Europeia.
Sabemos que a França é a favor de restrições, mas será essa a posição universal? Esse exercício irá também mostrar que o princípio da livre circulação de pessoas não pode ser facilmente negociado. A livre circulação não é uma política nem uma mentalidade, mas um princípio profundamente consagrado no direito europeu.
Eles devem pensar também sobre a transição. Não há qualquer hipótese de um acordo comercial poder ser alcançado e implementado no prazo de dois anos. Os acordos são tecnicamente complicados, porque têm de ser negociados capítulo a capítulo, indústria a indústria. Serão necessárias compensações complexas. A ratificação pode ser demorada. Felizmente, a Grã-Bretanha mantém um grande défice comercial com o resto da UE, por isso vários países, entre eles a Alemanha, vão querer concluir um acordo rapidamente. Isto também significa que o processo poderá ficar encalhado se os outros não conseguirem chegar a acordo.
Entretanto, está prestes a dar-se um desenvolvimento importante que poderá revelar-se uma grande oportunidade para o Reino Unido: os sociais-democratas alemães, parceiros no governo de coligação da chanceler Merkel, estão prestes a recusar o apoio ao Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento - um acordo entre a UE e os EUA. O que eu penso é que aquele está praticamente morto.
Um veto alemão ao APT daria ao Reino Unido e aos EUA a hipótese de negociarem a sua própria versão bilateral. Neste caso, o Reino Unido poderia, teoricamente, acabar numa posição mais favorável do que a anterior: com acesso ao mercado único da UE e uma maior integração económica com os EUA.
A UE está em grave perigo. Por razões geopolíticas eu teria preferido que o Reino Unido tivesse votado pela permanência. O golpe falhado na Turquia e o mais recente atentado terrorista em França poderão desestabilizar ainda mais a União Europeia.
Mas no ponto em que estamos hoje, há hipóteses de o brexit poder ser gerido de uma forma, pelo menos, economicamente neutra. Tal resultado não é garantido. Para que isso aconteça, a Sra. May terá de continuar com a mesma forma de agir implacável e com sentido dos objetivos com que atuou na semana passada, quando deu por terminada a estratégia económica de austeridade de David Cameron, o seu antecessor, e encostou à parede ministros de longa data.
Editor do Financial Times

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