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Mensagem por Vitor mango em Sab Jul 15, 2017 8:16 am

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A presença muçulmana na península ibérica é vista sempre de uma forma predominantemente romantizada e alguns historiadores contemporâneos destacam que foi esta presença que retirou a Europa da “idade das trevas” e serviu de base para o renascimento. Porém, quando analisamos as obras dos historiadores Richard Fletcher, Ramón Menéndez Pidal e Évariste Lévi-Provencal, que dedicaram a vida ao estudo do Al-Andalus (infelizmente já todos falecidos), concluímos que essa dita natureza exótica torna-se menos exótica e muito mais conturbada. Richard Fletcher explica que o Al-Andalus era um termo usado para fazer referência a toda a península ibérica durante o século VIII (sob domínio islâmico), mas já no século XIII apenas se referia ao reino de Granada. A maior parte dos historiadores de facto usa a expressão Al-Andalus para designar as zonas/áreas da península que se encontravam sob domínio muçulmano e as expressões/palavras como mourisco ou moçárabe são usadas nesse contexto. De qualquer maneira, não se pode negar que o conhecimento dos Gregos e Persas tenha sido herdado pelos árabes e foi por eles traduzido, codificado e de certa forma redescoberto por cristãos que depois traduziram estes escritos para o Latim entre 1150 e 1250. Também alguns conhecimentos de matemática e medicina foram baseados em observação e prática árabe e a sua presença na Europa contribuiu, de certa forma, para a formação da civilização como conhecemos hoje. No entanto, não se pode cair no romantismo e dizer que era uma civilização muito ou mais avançada que as outras, pois naquela altura "avanço ou progresso" era relativo e bastante lento. O próprio historiador árabe, Ibn Khaldun, aponta para o baixo nível cultural dos árabes antes do seu contacto com a cultura Grega e Persa.
Pensa-se que uma das expedições à península (antes da invasão de 711) teve lugar em Julho de 710, e foi liderada por Tarif ben Malluk, que atravessou o estreito de Gibraltar com cerca de 4 navios (e 400 homens), emprestados por um tal conde Julían, (que parece que era cristão), desembarcando num ilhéu que hoje se chama Tarifa. Durante essa expedição foram feitas várias incursões no território da península, onde se obteve um valioso saque, sobretudo de cativas Espanholas de "singular formosura". As razões desta primeira expedição não são bem conhecidas, mas terá sido um sucesso tão grande que em 711, e aproveitando a fragilidade política, social e económica do reino (as vezes referido como império) Visigótico, Tariq ben Ziyad lidera a expedição (a mando de Musa Ibn Nusayr) que marcou a derrota fulminante do rei Visigótico, Rodrigo, e a consequente conquista de toda a península ibérica. Foi em Julho de 711 que foi travada a batalha de Guadalete, que opôs o rei Visigótico Rodrigo ao exército de Tariq (com cerca de 12,000 homens, árabes e berberes), sensivelmente entre Algeciras e Jérez, em que Rodrigo foi completamente derrotado e morto. Musa, com o seu exército, continuou até Toledo (onde estava a sede da igreja Espanhola) onde executou grande parte da nobreza Visigótica (o arcebispo de Toledo conseguiu escapar e fugiu para norte) e devastou muita da terra ao redor da cidade. Antes do fim do ano de 712, Musa foi chamado a Damasco pelo califado Omíada levando com ele algumas pessoas ilustres do reino Visigótico e um abundante saque de joias e ouro. Seguiu-se a tomada de Saragoça em 714 onde também se verificou um grande número de mortes e devastação. Esta versão dos acontecimentos, nomeadamente a fuga do arcebispo de Toledo, pode ser verificada pelo nome do mesmo que aparece, anos mais tarde, numa lista de presenças de uma missa em Roma. Também algumas escavações arqueológicas em Espanha, mostram sinais de uma violenta destruição entre 711-713, e que pode ser atestada devido à existência de moedas desse período e que sobreviveram até aos tempos de hoje. Muito se pode dizer, e será analisado a seu tempo, sobre a “convivência” entre os invasores e o povo conquistado. Por exemplo, há documentos que mostram que em April de 713, um tal de Teodemiro, que era senhor de várias cidades e vilas no sul de Espanha, entra num acordo com Abd al-Aziz em que este último garantia a segurança e a liberdade de exercício da fé cristã a essas cidades em vilas, em troca de submissão e do pagamento de um imposto anual, parte em dinheiro e parte em espécie (azeite, vinagre, trigo, etc.) aos novos senhores da península. Este acordo baseado em tributos e impostos, bem como a violência da guerra, terá contribuído para a redução da população na península, e deu origem a um fenómeno migratório para locais mais seguros a norte (Astúrias, Compostela, etc.), como foi o caso do arcebispo de Toledo que fugiu para Roma.
A crónica Moçárabe de 754 (anónima e que descreve com precisão os acontecimentos em Espanha durante a primeira metade do século VIII, portanto entre 700 e 754), explica que por volta de 720, todas as terras, antes sob domínio Visigótico, eram agora controladas pelos invasores que eram predominantemente berberes do norte de África. Os berberes eram um povo nativo do norte de África, dividido em várias tribos, que por sua vez estavam divididas em clãs/famílias, com uma economia predominantemente pastoril e que saqueavam as diferentes tribos para obter gado, escravos e mulheres. Não tinham organização política e encontravam-se num estado menos desenvolvido que os povos que estavam do "outro lado" do mediterrâneo. As conquistas árabes foram talvez as mais longas e sangrentas na extraordinária expansão árabe, que se seguiu à morte de Maomé em 632, e que culminaram, um século mais tarde, no império muçulmano que se estendia desde Kabul a Agadir. Este movimento de expansão tem que ser visto no contexto do tempo, ou seja, devido ao estado enfraquecido (devido a surtos de peste e crises económicas sucessivas) do império romano do Oriente (que era na altura controlado por Constantinopla), estas conquistas foram feitas com pouca resistência à força dos Árabes. Tendo em conta este quadro geopolítico, conquistaram o Egipto entre 640-42, a Líbia em 643-47, dirigindo-se à península ibérica em 711. No norte de África, os berberes ainda resistiram fortemente, mas foram aliciados a juntarem-se aos exércitos árabes com a promessa de saques e riquezas bem como mulheres e terrenos férteis para a prática da agricultura.
Este contexto ajuda a perceber o próximo post em relação ao fenómeno de islamização Espanhola.









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Comentários

Ercilia Silva Muito interessante obrigado.

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Natividade Martins gostei imenso obrigado

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Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
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Vitor mango

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