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Mensagem por Vitor mango em Qui Jul 12, 2018 12:18 am

Aldeia recordo os abraços de mãe nas noites de trovoada e de lhe perguntar se aquela chuva toda ia inundar o mundo. recordo aquela manta que servia toda a família quando chegava a hora da novela. e aqueles passeios pelo campo sem destino ou direção. as lareiras iluminavam as noites de cheiro a madeira queimada, a escuridão combatia-se com a luz fraca dos candeeiros da rua. e nós cantávamos canções, dizíamos boas noites aos avós e tios, e depois mergulhávamos nos lençóis gélidos. ao nascer do dia seguíamos em excursões sem fim, prometendo a nós próprios desbravar o mundo. e o mundo era aquele campo de milho, a ribeira e os sapos, as pinhas (que aqueciam a casa) e as amoras (que davam para fazer geleia). recordo as incursões ao rio e de como invejava o miúdo que nadava até uma pedra. tão distante como daqui à lua, julgava eu. recordo os dias de feira, das galinhas, patos e perus. recordo aqueles homens e mulheres com as linhas da mão sujas pelas enxadas que trabalhavam a terra e pela lenha que tinham de cortar para vencer o frio. vivia-se com pouco, mas vivia-se com um sorriso. agora parecem memórias distantes, impossíveis de repetir. resta este poema e a alegria de saber que tudo isto existiu — a memória deixa assim de morrer comigo
. Rodrigo Ferrão

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