AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

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AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por RONALDO ALMEIDA em Qui Fev 26, 2009 10:34 am

Sociedade
por Ana Albuquerque
(Arquitecta Paisagista, membro da Amnistia Internacional)



Ahmed o porteiro do harém - mulheres e direitos humanos


"Nasci em 1940 num harém em Fez, uma cidade marroquina do séc. IX, cinco mil quilómetros a ocidente de Meca e mil quilómetros a sul de Madrid, uma das perigosas capitais dos cristãos. O meu pai costumava dizer que os problemas começavam quando as fronteiras sagradas, ou hudud, não eram respeitadas. Nasci em pleno caos, uma vez que nem os cristãos nem as mulheres aceitavam as fronteiras".
Fátima Mernissi In “Sonhos proibidos, Memórias de um harém de Fez”, colecção documento, edições ASA, Lisboa, 1997.

Fátima Mernissi é uma socióloga marroquina de renome internacional e uma das vozes do feminismo do mundo árabe. Neste delicioso livro, ela guia-nos pelas suas memórias de infância vivida no harém familiar. Este tipo de harém não corresponde às nossas fantasias cinematográficas, ele incluía-se nos denominados haréns domésticos, que eram na verdade famílias alargadas, sem escravos nem eunucos e com casais monogâmicos, mas onde a tradição da reclusão das mulheres era mantida. Numa narrativa mágica e envolvente, a autora descreve-nos o quotidiano das mulheres que com ela partilhavam um mundo feminino feito de proibições, de leis e tabus, mas também de segredos, de sonhos e desejos de igualdade.


Em 1969, no ano em que eu nasci, em Portugal era revogada a lei que obrigava á necessidade de autorização do marido para a saída do país das mulheres casadas, mas só com a revolução de 25 de Abril é que a igualdade de direitos entre homens e mulheres passou dum mero sonho, para uma realidade possível e concreta.


Tudo isto porque no dia 8 de Março comemorou-se mais uma vez o Dia Internacional da Mulher.


Um mês depois é interessante a interrogação sobre que direitos, que igualdades? Com que sonhos e que com que tabus é que vivem hoje as mulheres em todo o mundo?



Enquanto preparava este artigo, uma das questões que coloquei a mim mesma foi que, se em algum momento eu me tinha sentido discriminada por ser mulher. Na verdade a resposta é negativa. Na escola, na universidade e no mundo do trabalho, o facto de ser mulher nunca foi um obstáculo para alcançar os meus sonhos, para exercer a minha profissão, para ser eu própria, (pelo menos até hoje...).



No entanto eu sei que o meu percurso não é regra para todas as mulheres portuguesas. Existem ainda hoje no nosso quotidiano questões importantes ao nível da efectiva igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, tal como existem questões ao nível da igualdade entre pessoas de diferente cor da pele, religião, origem social ou de diferente capacidade física e mental (como é o caso dos deficientes e dos doentes mentais que são ainda hoje considerados como cidadãos de segunda classe).


A defesa dos direitos da mulheres (que me perdoem as feministas, se existe alguma coisa a ser perdoada), para mim só faz sentido quando inserida numa abordagem mais vasta da defesa dos direitos humanos. Ou seja, a defesa dos direitos de todos aqueles que numa uma determinada sociedade são diferentes e por isso mais frágeis e susceptíveis de serem discriminados no seu quotidiano.


Por isso no dia 8 de Março o meu pensamento foi principalmente para as mulheres do Afeganistão, da Arábia Saudita, do Bangladesh, dos EUA, Gâmbia, Geórgia, do Paquistão, do Peru, do Sudão, da Tanzânia, do Uzbequistão, entre tantas outras.


No Afeganistão as leis dos Taliban baniram as mulheres de procurar emprego, de terem acesso à educação e de saírem das suas casas sem a companhia dum familiar do sexo masculino. Presas nas suas próprias casas, as mulheres que desafiaram estas leis foram sujeitas a maus tratos sistemáticos


Na Arábia Saudita as mulheres de todas as classes sociais vivem sujeitas a leis igualmente restritivas da sua liberdade. As cidadãs da Arábia Saudita não possuem bilhete de identidade próprio, não podem conduzir e vivem num regime em todo semelhante ao descrito por Fátima Mernissi no seu livro.



No Bangladesh as mulheres continuam a ser alvo de violência em incidentes relacionados com os dotes, assassinadas, mutiladas em ataques com ácido as cicatrizes são graves, profundas e diversas.



Nos EUA as mulheres reclusas são objecto de abusos sexuais vários, de cuidados médicos inadequados, do uso cruel de instrumentos de imobilização principalmente em reclusas doentes, grávidas e requerentes de pedido de asilo.



Na Gâmbia as mulheres continuam a ser alvo de discriminação e violência em particular a prática da mutilação genital feminina.


Na Geórgia as mulheres continuam a ser alvo de discriminação resultante da persistência duma cultura patriarcal. A solicitação à prostituição não é crime, o que gerou um ambiente no qual as mulheres e as crianças não estão protegidas do “turismo sexual”, do tráfego e da pornografia.



No Paquistão a vida das mulheres é restringida por tradições e leis que as forçam a um isolamento, submissão aos homens, sendo uma mulher considerada propriedade do homem. As “mortes por honra” e homicídios domésticos de mulheres são em número assustador e proporcional à reivindicação das mulheres dos seus direitos e à indiferença da polícia e do governo que tomam o partido dos homens.


No Peru as mulheres sofrem em silêncio o controlo forçado da natalidade, as violações e abusos verbais humilhantes. Na sua maioria as mulheres discriminadas são jovens pobres ou de zonas rurais ou urbanas marginalizadas.


No Sudão o controlo sobre os movimentos das mulheres, sobre o seu corpo, os seus filhos e propriedades é feito pelos seus guardiões masculinos. No seu quotidiano elas são sofrem graves restrições à sua liberdade, os seus direitos são continuamente violados e as reivindicações fortemente reprimidas com violência.


Na Tanzânia o assassinato de mulheres idosas com base em acusações de bruxaria foi considerado pelo próprio governo como catástrofe nacional.



No Uzbequistão existem relatos de mulheres que são detidas e torturadas pelas autoridades com o intuito de averiguar sobre o paradeiro dos seus maridos ou filhos membros de organizações independentes.


Talvez tenha parecido demasiado longa esta lista de países onde hoje as mulheres são discriminadas, no entanto ela foi retirada apenas do último relatório da Amnistia Internacional – relatório de 200, e diz respeito ás questões ocorridas durante o ano de 1999.


No entanto não nos devemos esquecer da violação sexual utilizada com instrumento de limpeza étnica nas guerras na Bósnia – Herzegovina, no Kuwait, no Ruanda, na Libéria, em Timor Leste e em muitas outras guerras; da violência doméstica no contexto das disputas de dotes na Índia; da mutilação genital feminina que afecta mais de 110 milhões de mulheres em 20 países de África, provocando danos graves e irreversíveis para toda a vida; das mulheres e adolescentes da Coreia, China e outras nações que foram obrigadas à prostituição como “mulheres de consolação” pelos militares japoneses durante a II Guerra Mundial.


“....Mas havia outra razão mais solene pela qual as mulheres como Chama e a minha mãe consideravam que escapar pelo terraço não era uma alternativa viável ao portão principal. O acesso ao terraço tinha um aspecto clandestino e furtivo que repugnava àqueles que defendiam o direito de as mulheres se movimentarem livremente. Confrontar-se com Ahmed (o porteiro do harém) era um acto heróico, mas escapar pelo terraço não trazia consigo a chama inspiradora e subversiva da libertação.“

Fátima Mernissi in “Sonhos proibidos, Memórias de um harém de Fez”

As mulheres continuam ainda hoje no inicio do novo milénio a serem as principais vitimas dos conflitos armados, o grosso do número de refugiados e deslocados, a maior percentagem de pobres e de analfabetos, a maioria das vitimas de violência doméstica e de restrições sociais, políticas e culturais.


Por isso não pudemos cobrir o rosto e contentarmo-nos com a vida no pátio, não devemos refugiarmo-nos na pequena liberdade do terraço, o nosso papel é o de enfrentar Ahmed, o porteiro do harém.

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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por Admin em Qui Fev 26, 2009 11:39 am


Em 1969, no ano em que eu nasci, em Portugal era revogada a lei que obrigava á necessidade de autorização do marido para a saída do país das mulheres casadas, mas só com a revolução de 25 de Abril é que a igualdade de direitos entre homens e mulheres passou dum mero sonho, para uma realidade possível e concreta.

este tema é deveras interessante
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por RONALDO ALMEIDA em Qui Fev 26, 2009 11:52 am

Hoje em dia assistimos a que? Quem mandam sao as mulheres, nas SOCIEDADES AVANCADAS OCIDENTAIS!!
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por Vitor mango em Qui Fev 26, 2009 12:08 pm

RONALDO ALMEIDA escreveu:Hoje em dia assistimos a que? Quem mandam sao as mulheres, nas SOCIEDADES AVANCADAS OCIDENTAIS!!

olá ...ganda boca
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por RONALDO ALMEIDA em Qui Fev 26, 2009 12:13 pm

Shocked Shocked Shocked Shocked eu nao tenho vergonha de dizer. A MINHA MANDA EM MIM, e agora a FILHA também !Aqui na MANSAO!! Laughing Laughing Laughing Laughing
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por RONALDO ALMEIDA em Qui Fev 26, 2009 12:15 pm

A Mulher no Mundo Muçulmano
Clube de História 7, Porto Editora

"A mulher ocupa uma posição de inferioridade na sociedade muçulmana. Quando falamos na mulher muçulmana, dois símbolos logo nos ocorrem: o harém e o véu. Estes sinais distintivos das mulheres muçulmanas sugerem a sua subordinação ao homem, apesar da igualdade espiritual das mulheres estar expressa no Corão: "...e os homens que se lembram constantemente de Deus, tal como as mulheres que o fazem, para todos eles Deus preparou o perdão e uma enorme recompensa" (33:35)
A subordinação da mulher é demonstrada e justificada pela lei, costumes e tradições da Civilização Muçulmana, dizendo mesmo que há apenas um reconhecimento dos diferentes papéis dos dois sexos e não uma inferioridade efectiva.
Assim, as marcas jurídicas da inferioridade da mulher são as seguintes:
- a mulher só pode ter um marido, ao contrário do homem, que pode ter quatro mulheres ao mesmo tempo;
- a mulher só pode casar com um muçulmano, ao contrário do homem, que pode casar com uma mulher de outra religião;
- a mulher apenas pode pedir o divórcio em casos extremos, ficando a custódia dos seus filhos para o pai, e o testemunho do homem tem o dobro do valor do da mulher;
- a herança da mulher é duas vezes inferior à do homem.
- A maioria das mulheres vive na reclusão, poucas foram as que tiveram papéis activos em questões públicas, embora actualmente haja uma crescente liberalização do papel das mulheres fora de casa que começou sob a influência ocidental. Em alguns países, porém, verifica-se um retrocesso aos valores islãmicos, através do fundamentalismo islãmico."
A mulher árabe tem uma prática de vida completamente diferente da mulher ocidental, tendo de obedecer a regras muito estritas. No entanto, a forma de viver das mulheres não é igual em todo o mundo árabe. Em alguns países árabes as mulheres vivem enjauladas e maltratadas e noutros alcançaram a sua emancipação.
Apresentámos aqui dois exemplos contrastantes: a mulher afegã em que a “desobediência equivale à morte” e a mulher do Sara emancipada.
Algumas das principais regras que a mulher afegã tem de obedecer durante o regime da milícia islâmica talibã:
1. É absolutamente proibido às mulheres qualquer tipo de trabalho fora de casa, incluindo professoras, médicas, enfermeiras, engenheiras, etc.
2. É proibido às mulheres andar nas ruas sem a companhia de um “nmahram” (pai, irmão ou marido).
3. É proibido falar com vendedores homens.
4. É proibido ser tratada por médicos homens, mesmo que em risco de vida.
5. É proibido o estudo em escolas, universidades ou qualquer outra instituição educacional.
6. É obrigatório o uso do véu completo (“burca”) que cobre a mulher dos pés à cabeça.
7. É permitido chicotear, bater ou agredir verbalmente as mulheres que não usarem as roupas adequadas (“burca”) ou que desobedeçam a uma ordem talibã.
8. É permitido chicotear mulheres em público se não estiverem com os calcanhares cobertos.
9. É permitido atirar pedras publicamente a mulheres que tenham tido sexo fora do casamento, ou que sejam suspeitas de tal.
10. É proibido qualquer tipo de maquilhagem (foram cortados os dedos a muitas mulheres por pintarem as unhas).
11. É proibido falar ou apertar as mãos de estranhos.
12. É proibido à mulher rir alto (nenhum estranho pode sequer ouvir a voz da mulher).
13. É proibido usar saltos altos que possam produzir sons enquanto andam, já que é proibido a qualquer homem ouvir os passos de uma mulher.
14. A mulher não pode usar táxi sem a companhia de um “mahram”.
15. É proibida a presença de mulheres em rádios, televisão ou qualquer outro meio de comunicação.
16. É proibido às mulheres qualquer tipo de desporto ou mesmo entrar em clubes e locais desportivos.
17. É proibido andar de bicicleta ou motocicleta, mesmo com seus “maharams”.
18. É proibido o uso de roupas que sejam coloridas, ou seja, “que tenham cores sexualmente atraentes”.
19. . Os transportes públicos são divididos em dois tipos, para homens e mulheres. Os dois não podem viajar no mesmo.
20. É proibida a participação de mulheres em festividades.
21. É proibido o uso de calças compridas mesmo debaixo do véu.
22. As mulheres estão proibidas de lavar roupas nos rios ou locais públicos.
23. . As mulheres não se podem deixar fotografar ou filmar.
24. Todos os lugares com a palavra “mulher” devem ser mudados, por exemplo : O Jardim da Mulher deve passar a chamar Jardim da Primavera.
25. Fotografias de mulheres não podem ser impressas em jornais, livros ou revistas ou penduradas em casas e lojas.
26. As mulheres são proibidas de aparecer nas varandas das suas casas.
27. O testemunho de uma mulher vale metade do testemunho masculino.
28. Todas as janelas devem ser pintadas de modo a que as mulheres não sejam vistas dentro de casa por quem estiver fora.
29. É proibido às mulheres cantar.
30. É proibido a homens e mulheres ouvir música.
31. Os alfaiates são proibidos de costurar roupas para mulheres.
32. É completamente proibido assistir a filmes, televisão, ou vídeo.
33. As mulheres são proibidas de usar as casas-de-banho públicas (a maioria não as tem em casa).
Fonte: Revista Notícias Magazine, 21 de Outubro de 2001.
HOJE, GRACAS aos USA e BUSH isto ja nao e permitido.
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por Vitor mango em Qui Fev 26, 2009 12:57 pm

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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por Vitor mango em Qui Fev 26, 2009 3:30 pm

Este assunto merecia um maior cuidado analitico
Porque a mulher muda de lugar conforme ...os conformes
Ha talvez nao uma causa mas varias causas
A primeira situa-se na posse da terra e onde o Pai dono da terra a iria passar para o filho mais velho garantindo assim uma estabilidade tribal
and ...
Em africa o homem assume a garantia de viuvas casando-se com elas
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por RONALDO ALMEIDA em Qui Fev 26, 2009 10:58 pm

Vitor mango escreveu:
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

Mensagem por Vitor mango em Sab Ago 18, 2012 9:30 am

amen

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
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Re: AS MULHERES ARABES, NAO SABEM O QUE E A LIBERDADE.

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