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Mensagem por Joao Ruiz em Dom Mar 28, 2010 5:07 am

Relembrando a primeira mensagem :

"O primeiro-ministro é um general perdido no seu labirinto"

por JOÃO MARCELINO (DN) e PAULO BALDAIA (TSF)
Hoje

Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Ng1272587

O líder do Bloco de Esquerda defende que a Comissão de Inquérito ao caso TVI não é para julgar ou fragilizar Sócrates, nem pode servir como uma "instância de recurso para decisões da própria justiça". Francisco Louçã garante que só conhece um membro do BE que já declarou apoio ao "monárquico" Fernando Nobre, candidato a Belém.

O Bloco de Esquerda (BE) é um dos partidos proponentes da Comissão de Inquérito ao frustrado negócio PT/TVI. Está convencido de que José Sócrates mentiu ao Parlamento sobre o seu conhecimento da operação?

A Comissão de Inquérito ainda não começou a funcionar. Quando a propus, os partidos todos mantiveram reserva, para rapidamente se perceber que era a única solução. O Parlamento tem uma obrigação de fiscalizar a actividade do Governo. E uma grande intervenção na comunicação social, eventualmente para a condicionar, como foi toda a operação da PT ou da Ongoing sobre a TVI, exige um esclarecimento de transparência absoluta. O primeiro-ministro apresentou esta iniciativa sob vários ângulos diferentes. A Comissão de Inquérito quer saber factos. Não tiro conclusões antes de ela fazer as suas audições. Não estamos a julgar o primeiro-ministro, estamos a apurar a verdade dos factos sobre como o Governo terá agido ou não no contexto da sua relação com a PT e com a TVI.

A questão não é saber, na sua opinião, se mentiu ou se não mentiu, se tinha conhecimento ou não, mas se interferiu no negócio.

Esse é o objectivo da Comissão de Inquérito: saber que tipo de interferência houve ou não do Governo na operação da PT para comprar a TVI e se, face a isso, o primeiro-ministro deu informações verdadeiras ou não ao Parlamento quando disse que não conhecia o negócio. Se assim se concluir, assim os factos o dirão. Por outro lado, também devo dizer-lhe que não concordo de forma nenhuma com qualquer jogo político sobre a Comissão. A Comissão foi usada por candidatos do PSD como instrumento da sua luta interna para as suas eleições - isto é indignificar o Parlamento. Isto significa reduzir a política à sua expressão mais demagógica. E já vi mesmo o PSD pedir a vinda do procurador-geral da República ou documentos judiciais. Ora, o Parlamento não é, não quer ser, não vai ser instância de recurso para decisões da própria justiça.

Mas a verdade é que o PSD e o Bloco coincidiram na proposta desta Comissão de Inquérito. Há aqui uma iniciativa comum. Depois, é óbvio que esta Comissão terá sempre um âmbito político, terá sempre conclusões que serão interpretadas politicamente.

Com certeza.

Se a "verdade dos factos" viesse a apontar no sentido de uma eventual mentira do primeiro-ministro ao Parlamento, que conclusões políticas tiraria o BE?

O BE fez esta proposta, o PSD depois apoiou-a e os outros partidos da oposição, todos, apoiaram-na, porque houve um acordo geral sobre esta obrigação do Parlamento de obter o esclarecimento completo. E este é nosso dever perante o País. A Comissão de Inquérito não é um alvo pessoal. Estamos a fazer um levantamento político de como o Governo actuou no contexto da PT. E percebemos já enormes contradições. Tudo isto é um mar de confusão. E o que o País exige, simplesmente, é o rigor dos factos e a informação concreta. Perante ela tiraremos todas as conclusões políticas. Mas se o que quer perguntar-me é se é isto que fragiliza o Governo, isto exige esclarecimento. O Governo hoje está fragilizado por razões muito mais profundas.

Pode ficar mais fragilizado?

Veremos as conclusões. São as conclusões concretas que têm de dizer como deve o Parlamento actuar.

Esta Comissão vai estar a trabalhar cerca de dois meses.

Espero até que menos.

Mas essa vai ser a janela de oportunidade para haver eleições em Portugal este ano. Isso vai condicionar ou não os trabalhos, a conclusão e o relatório?

De forma nenhuma! A Comissão tem de fazer o seu trabalho sério. Mas não há nenhuma relação entre esta Comissão e qualquer jogo político de eleições antecipadas. Sei que o primeiro-ministro é hoje um general perdido no seu labirinto e não quer outra coisa senão repetir o episódio Cavaco Silva de 1983 e provocar eleições com qualquer crise artificial. Quem quer que faça da política um jogo de poder está condenado perante a democracia. Nós agora temos de ter toda a responsabilidade - é por isso que a Comissão de Inquérito tem o seu lugar. O debate sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é o debate essencial do País.

Se diz que o Governo já está fragilizado e, portanto, não é precisa esta Comissão de Inquérito para o fragilizar…

Mas não é esse o objectivo da Comissão de Inquérito; é saber a verdade!

Mas diz que o Governo já está fragilizado. O que falta para que um partido da oposição apresente uma moção de censura a este Governo, minoritário no Parlamento?

Quem tem procurado provocar crises artificiais é o PS, por um jogo político. O PS não aceita, José Sócrates em particular não aceita, governar sem maioria absoluta. E por isso o jogo dele não é responder ao País. É, pelo contrário, usar qualquer pretexto para precipitar eleições. Foi o que fez a propósito da Lei das Finanças Regionais. Acho espantoso que, quando o Presidente da República promulgou a Lei das Finanças Regionais, que introduzia critérios mais rigorosos que os do passado - que foram laxistas, desastrosos, desorçamentais e prejudiciais ao País no facilitismo em relação à Madeira, do qual, aliás, este Governo de José Sócrates foi um dos grandes promotores -, o primeiro partido que veio registar essa decisão do Presidente foi o PS, e veio felicitar o Presidente! Ora, há três meses, esta lei provocaria eleições antecipadas.

Sendo os partidos da oposição tão críticos com este Governo - e no caso do Bloco, que diz que o futuro do País está a ser posto em causa com este tipo de políticas -, como se explica isso e ao mesmo tempo se deixa que seja o PS e José Sócrates a continuar a governar?

Mas José Sócrates tem neste momento o apoio do PSD e do CDS no Orçamento. E o Orçamento e o PEC são as discussões sobre a política do País. As moções de censura que o BE já apresentou são a rejeição do Orçamento e a resolução para rejeitar o PEC, em que tivemos o cuidado detalhado de apresentar alternativas sobre a política social e económica. O PS sabe que tem do seu lado os partidos da direita. E a discussão que importa aos portugueses é sempre sobre alternativas, e é isso que vai disputar-se. E vai disputar-se intensamente: saber se há ou não outra forma de consolidação orçamental - e eu digo que existe, acho que é possível reduzir o desperdício e cortar três mil milhões de euros no desperdício, na extravagância, nas mordomias e nas benesses já este ano. É possível fazer um ajustamento orçamental de mais de 2%, ao contrário dos objectivos medíocres do Governo. Bastava retirar mil e tal milhões de euros que se pagam no offshore da Madeira - nós pagamos todos, todos os contribuintes. Bastava reavaliar ou renegociar os contratos militares cujas contrapartidas não foram pagas a Portugal. Quem fez negócios connosco está em falta.

Podia rasgar-se esse contrato?

Não, tem de se renegociar, foi o que eu utilizei. Nós comprámos equipamento militar em três mil milhões de euros e havia contrapartidas de três mil milhões de euros. Neste momento…

O próprio ministro já disse isso.

Porque reconheceu a nossa razão a esse respeito! Agora, se os vendedores não executaram a sua parte do contrato, temos de lhes bater à porta e dizer: "Meus amigos, nós comprámos a um preço mais alto que o preço verdadeiro porque nos garantiram contrapartidas." Devem-nos 2300 milhões de euros! Mais que 1% do produto…

E, já agora, como é que chegava a essa poupança dos três mil milhões?

Mil milhões de euros nos offshores, renegociar os contratos militares, vender os submarinos - são mil milhões de euros -, renegociar as parcerias público-privadas, porque elas implicam 45 mil milhões de euros durante os próximos 30 anos. E basta dizer aos construtores das auto-estradas, que ganham por tráfego que não existe, ou a quem está a construir os hospitais para os gerir e para lucrar com eles durante 30 anos, que agora é tempo de repartir sacrifícios.

É professor de Economia. Que preço pagaria o País por essa política anticapitalista?

Isto é, em primeiro lugar, uma política decente. Isto é uma política de negociação contratual.

No caso do offshore da Madeira, só será possível quando houver um acordo, pelo menos a nível europeu, para tratar dos offshores.

Sabe que isso não é verdade...

Dizem muitos economistas.

Pois dizem!

E, digo eu, haverá menos economistas a dizer o contrário.

Mas isto não é uma questão de voto. Digo-lhe simplesmente o seguinte: em Espanha, qualquer transferência para o offshore das Canárias paga à partida 25%. Extraordinário que os espanhóis são capazes de fazer isso e em Portugal não é capaz de se fazer! Há uma lei que determina que o Banco de Portugal tem de ter o registo de todas as transferências para offshores. Sabe que essa lei não está a ser aplicada? Sabe que não há nenhum registo? E sabe quanto houve o ano passado, o recorde em Portugal? Dezoito mil milhões, ou seja, 10% do produto, dez euros em cada cem do que é produzido em Portugal foi transferido para os offshores para não pagar imposto. Se tivessem pago os 25% de IRC - que é o que paga uma mercearia ou uma tabacaria, o que pagam os donos da TSF e do DN como imposto normal -, nós tínhamos pago este ano metade do ajuste orçamental para o défice de que precisamos, 4500 milhões de euros.

O PEC também prevê novas privatizações. De que sectores acha que o Estado não deve abdicar, de onde não deveria sair?

Este PEC propõe algumas privatizações que são dramáticas, que são, aliás, as que têm provocado uma resposta directa de Manuel Alegre, ou de Mário Soares, ou de João Cravinho, e creio que têm razão. Dou-lhe três exemplos: Correios e Caminhos-de-Ferro são dois serviços públicos essenciais para o conjunto do território nacional. Poucos países europeus privatizaram os Correios. Não tem sentido entregar empresas de distribuição de serviço pelo território a empresas que possam utilizá-lo com um princípio de lucro, o que quer dizer que muitas das estações de correios no interior do País vão fechar. Em segundo lugar, este Governo, pela primeira vez, atreveu-se a privatizar uma parte da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que é uma parte importantíssima, um terço do sector segurador do País. Lembro-me quando Durão Barroso e Paulo Portas formaram o Governo; chegou a falar-se nessa campanha de privatizar a CGD e imediatamente recuaram, e estabeleceu-se um tabu em Portugal - não se mexe na CGD.

E um bom tabu.

Correctíssimo! Provou-se, aliás, nesta crise que ter um banco público que pode ter confiança, gestão pública, que pode ter um princípio de utilização do crédito como um instrumento para a política económica num momento de crise, de seriedade, é importantíssimo. Agora, pela primeira vez, vai ser privatizado. Mas, digo--lhe também, as redes de alta tensão: não há concorrência nas redes de alta tensão! Como é possível vender as redes de alta tensão a uma empresa privada! Aliás, os privados já têm 49%, o primeiro-ministro garantiu-me num debate que nunca ia privatizar os 51% da REN - cá está, vai privatizá-los agora. O primeiro-ministro tem pouca preocupação com a palavra.

Deve o Estado manter a golden share na PT, que tantas polémicas tem criado ao longo dos tempos?

Acho que sim. Deve manter a golden share ou a capacidade de intervenção estratégica em empresas estratégicas: comunicações, energia são sectores estratégicos do ponto de vista do desenvolvimento do País e da criação da sua capacidade, da infra-estrutura tecnológica moderna.

Essa golden share, se fosse primeiro-ministro, equivaleria a dizer que teria de ser informado de um negócio de aquisição?

Absolutamente! Se é Rui Pedro Soares que vai a Madrid de jacto privado com um documento na mão, tendo ele sido nomeado pelo Estado para a PT…

O senhor primeiro-ministro teria de saber?

Com certeza que teria de saber.

Quando se define que um banco deve ser público, deve ou não clarificar-se em nome da transparência em que empresas e sectores este pode vir a estar interessado, e ter posições? Acha aceitável que um banco como a Caixa, público, tenha posições em empresas privadas?

Acho aceitável que tenha posições em empresas privadas. É evidente que tudo isso obriga à total transparência do mercado, porque se trata numa parte de empresas cotadas na bolsa. Tem de ser público qual é a componente de capital que corresponde a cada um dos accionistas. E a acção da Caixa deve ser absolutamente transparente, a Caixa não pode ser um instrumento de jogo de poder do Governo para nomear um administrador da Cimpor, por exemplo, ou para arranjar uma reforma dourada para ex-ministros. Tem de ter uma capacidade de actuação estratégica. Se os cimentos interessam do ponto de vista da actuação económica para ajudar a uma construção civil, que é uma parte importante da economia do País, deve ser em nome dessa actuação económica que a Caixa deve agir.

E acha que a Caixa esteve bem no caso da Cimpor?

Acho que fez muitíssimo mal. Contestei na altura, tive discussões acaloradas com o ministro das Finanças, porque a Caixa comprou uma parte de Manuel Fino dando--lhe opção de recompra sem risco uns anos depois por 25% acima do valor de mercado. Perdeu 62 milhões de euros - 62 milhões de euros! Não se brinca com o dinheiro dos contribuintes! A Caixa agiu mal nesse negócio, já vi até Manuel Fino vir dizer que queria agora recuperar os direitos de voto da Caixa, coisa absolutamente espantosa.

E, agora, a Caixa esteve bem na guerra entre brasileiros pelo controlo da Cimpor?

Não se deveria ter facilitado o controlo da Cimpor por um jogo de concorrência entre duas empresas brasileiras para a sua internacionalização. É evidente que naquele mercado têm de seguir-se regras e essas não têm que ver com a nacionalidade do capital, mas com um objectivo estratégico. Há um sector importante de emprego cuja capacidade de produção tem de ser garantida que exista em Portugal e que sobreviva e se desenvolva.

Como vê o corte nas despesas sociais? O ministro da Economia, Vieira da Silva, já disse aqui que, apesar de tudo, em 2013 o Estado gastará mais em despesas sociais que em 2008. Como vê a polémica à volta desta questão?

O Governo falsifica as contas com uma sem-vergonha sem limites. O produto desceu ao longo do último ano, e o que pode recuperar este ano quer dizer que o produto português é mais pequeno em 2010 do que era em 2008. Jogar com pequenas diferenças de percentagem sobre um produto que é mais pequeno é, evidentemente, tentar lançar areia para os olhos das pessoas. O que o Governo faz é simplesmente dizer: "Retirámos 130 milhões de euros do rendimento social de inserção (RSI)" sem fazer qualquer investigação sobre fraudes, sem separar quem merece e quem não merece, simplesmente porque o dr. Paulo Portas pediu que se retirassem.

Foi uma condição para a viabilização do PEC?

Obviamente! Foi uma condição no jogo político entre o PS e o CDS, porque os números são exactamente esses: 130 milhões de euros, dizia Paulo Portas na campanha eleitoral, porque acha que é aos pobres que tem de se retirar dinheiro. E 130 milhões de euros cá está José Sócrates a retirar do RSI quando sabemos que os 300 mil desempregados que ainda recebem subsídio de desemprego agora e que já não vão receber daqui a três anos, quando acabar o PEC, só vão poder bater à porta do rendimento social. Portanto, não vão ter nada, nem aqueles 80 euros por família dados pelo RSI. Mas o Governo tira 600 milhões de euros também da dotação orçamental da Segurança Social. Portanto, vai reduzir, congelar, o que quer dizer retirar a inflação no conjunto das pensões, reduzir o conjunto das despesas sociais. Como dizia o Pedro Adão e Silva, isto é dramático: os mais pobres vão pagar o ajustamento orçamental. Sempre tem sido assim e é por isso que sinto uma revolta enorme, de muita gente que sente que o PS é hoje um partido vendido às políticas liberais mais agressivas. É o que acontece com o subsídio de desemprego também: a limitação do total do subsídio de desemprego e das prestações sociais leva o Governo a propor que se possa impor a uma pessoa que tem subsídio de desemprego a obrigação de ir trabalhar por um pouco mais do que o subsídio que recebia

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/discursodirecto.aspx?content_id=1530515

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Última edição por João Ruiz em Sex Maio 07, 2010 9:13 am, editado 1 vez(es)

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Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Empty Passos Coelho: "Há riscos na execução do Orçamento"

Mensagem por Joao Ruiz em Qui Dez 01, 2011 4:56 pm

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Passos Coelho: "Há riscos na execução do Orçamento"

por DN.pt
Ontem

Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Ng1730619

O primeiro-ministro considerou hoje que há um risco de o "declínio económico" em 2012 ser maior do que o previsto pelo Governo e admitiu que nesse cenário sejam adoptadas novas medidas de austeridade.

"Claro que há riscos no Orçamento, mas é cumprível. É por isso que em Dezembro vamos criar dispositivos que garantam a melhor execução do Orçamento", afirmou Passos à SIC, admitindo tratar-se do "orçamento mais difícil de executar da história da democracia portuguesa".

"O maior risco que nós enfrentamos nesta altura é o de declínio económico", afirmou Pedro Passos Coelho, acrescentando que se a recessão económica no próximo ano for superior aos três por cento previstos pelo Governo a meta do défice ficará posta em causa.

"Perante uma circunstância dessas, claro que nós teríamos de adoptar novas medidas. Não quero nesta altura dizer que medidas poderão ser. Julgo que não é a altura adequada para estar a falar disso", declarou o primeiro-ministro, que tinha sido questionado se podia garantir aos portugueses que em 2012 não vai apresentar, por exemplo, um imposto extraordinário sobre os subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do setor privado.

O líder do Governo referiu também que o objectivo a longo prazo do seu programa passa por reduzir "em duas legislaturas a despesa pública para 40 a 42% da riqueza gerada no país". E questionado sobre a abstenção do PS na votação do Orçamento, elogiou a postura de António José Seguro, notando, contudo, alguma "apreensão quando o maior partido da oposição tem menos firmeza na posição que adopta" - em alusão às polémicas internas entre os socialistas na votação no OE.

Sobre as divergências com Cavaco Silva, referiu que o Presidente da República tem todos os "poderes constitucionais" para um eventual veto ao OE: "O Presidente da República não foi eleito para representar o PSD e o Governo não foi eleito para representar o Presidente da República".

O primeiro-ministro desvalorizou ainda algumas críticas internas que têm surgido no PSD. "Não vivo com fantasmas, nem tenho medo de fantasmas internos", disse


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Mensagem por Joao Ruiz em Dom Mar 25, 2012 8:44 am

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"Governo não está focado nos problemas das famílias"

Hoje

Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Ng1875203

Economista de formação e novo "chairman" do Banif, Luís Amado defende que, se há crítica a fazer ao Governo de coligação, é a falta de atenção aos problemas essenciais das empresas e das famílias portuguesas.

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2382915

Em entrevista ao Gente que Conta, conduzido por João Marcelino, diretor do DN, e Paulo Baldaia, diretor da TSF, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo socialista de José Sócrates afirma, no entanto, que Pedro Passos Coelho tem sabido honrar os compromissos do País, inspirando confiança e segurança. Mas admite que Portugal não pode correr o risco de uma eventual saída da zona euro, mesmo que essa hipótese não esteja totalmente afastada.

Acrescenta ainda que a zona euro irá viver sobressaltos até atingir a estabilidade, mas diz que a crise europeia está já a encaminhar-se para a sua resolução. Comentando a atualidade nacional, refere-se ao processo instaurado na Procuradoria-Geral da República aos membros do Governo socialista em que tomou parte dizendo que nunca viu nenhum cartão de crédito, nem foi contactado no sentido de prestar declarações.

Sobre a comissão de inquérito à venda do BPN, diz ser legítima. Sugere que a banca nacional não voltará a ser o que foi no passado e, questionado sobre uma eventual candidatura à Presidência da República, afasta liminarmente esse cenário.

In DN

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Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Empty "Estamos muito longe de ter um diagnóstico desta crise"

Mensagem por Joao Ruiz em Dom Abr 15, 2012 4:21 pm

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"Estamos muito longe de ter um diagnóstico desta crise"

Hoje

Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Ng1901254

O antigo líder da CGTP coordena o novo Observatório Sobre Crise e Alternativas, organismo que resulta de uma parceria entre o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e a Organização Mundial do Trabalho. E defende que falta uma análise sustentada da realidade portuguesa no que à crise diz respeito.

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2420588

Em entrevista ao Gente que Conta, conduzido por João Marcelino, diretor do Diário de Notícias, e Paulo Baldaia, diretor da TSF, Carvalho da Silva admite que há falta de perceção sobre o que está a acontecer em Portugal e critica a governação dizendo que "as receitas passadas para o futuro do País não têm saída".

Crítico também quanto à forma como foi conduzida a integração de Portugal na União Europeia, diz que o País tem "a pior postura" possível na relação com os restantes países-membros da UE, seguindo a agenda determinada pelos poderosos e tentando ser um bom aluno na procura de consensos que servem apenas os interesses dos maiores.

E afirma que, nos dias de hoje, é necessário "acabar com a ideia de que os direitos são regalias", reclamando que a democracia tem custos e é necessário ponderar até que ponto os direitos dos cidadãos podem ser reformulados.

In DN

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Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Empty "Governo achou que a passividade era eterna"

Mensagem por Joao Ruiz em Seg Ago 06, 2012 10:12 am

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"Governo achou que a passividade era eterna"

29 Julho 2012

Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Ng2049462

O ministro da Saúde mais polémico da última década vê o atual governante para o sector com uma atitude de protesto contra mais cortes.

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2692352

"O que acontece é que o Governo, no início, se sentiu muito forte com a passividade dos portugueses e achou que era eterna. Mas não é, basta ver o episódio da greve dos médicos que teve a simpatia natural da população. Não por os grevistas serem médicos, mas por sentir que estava de certo modo a protestar contra as medidas de austeridade. Há uma transferência de protesto", afirmou numa entrevista ao jornalista João Céu e Silva.

Correia de Campos acha que, a continuar o ajustamento para além do aceitável, Paulo Macedo poderá deixar de ser o executor. "Paulo Macedo

In DN

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Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Empty António Costa abre porta ao PCP para Lisboa

Mensagem por Joao Ruiz em Seg Ago 06, 2012 10:22 am

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António Costa abre porta ao PCP para Lisboa

por Lusa, publicado por Ana Meireles
30 Julho 2012

Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Ng2050909

A confirmar-se a recandidatura para a presidência da Câmara de Lisboa nas autárquicas de 2013, António Costa quer manter a coligação com os movimentos de Helena Roseta e Sá Fernandes e mostra abertura à participação do PCP.

Em entrevista à agência Lusa para assinalar o quinto ano da sua liderança da capital, que se regista na quarta-feira, o autarca admitiu que "se as eleições fossem amanhã" seria o candidato socialista na disputa da Câmara de Lisboa em 2013.

"Em condições normais serei naturalmente candidato: se estiver de boa saúde, se estiver de consciência tão tranquila quanto tenho estado quanto ao trabalho que tenho feito e se tiver condições para uma equipa e um projeto mobilizadores e bons para a cidade", reafirmou o autarca.

António Costa mostrou também a intenção de manter a coligação com os movimentos liderados por Helena Roseta (Cidadãos por Lisboa) e por José Sá Fernandes (Lisboa é muita gente), com os quais conseguiu a maioria no executivo da capital.

"Da minha parte, não há razão nenhuma para alterar uma equipa que funciona, por isso deve-se manter", afirmou.

Recordando que na maioria que lidera no executivo camarário apenas três dos nove vereadores são militantes do PS, António Costa elogiou o trabalho de uma equipa "muito plural".

"A experiência destes anos de trabalho com estas pessoas, que são independentes, como Manuel Salgado, Maria João Mendes, José Sá Fernandes, Helena Roseta ou Nunes da Silva, tem sido positiva. Nem sempre estamos todos de acordo uns com os outros relativamente a tudo, mas temos criado um quadro de governabilidade na câmara que é muito importante", considerou.

O autarca socialista deixa a porta aberta também à participação do PCP numa candidatura alargada nas autárquicas do próximo ano, uma hipótese discutida desde 2007 e que, da sua parte, "nunca esteve fechada".

"Têm sido as outras partes a fechá-la [a coligação], nunca eu. Mas não posso passar a vida a insistir naquilo que os outros não querem. A minha vontade é conhecida desde 2007 e não está alterada. A porta está aberta", disse o autarca.

Referindo-se ao trabalho do vereador do PCP na câmara, Rúben de Carvalho, António Costa recordou que tem havido "convergência em muitas das matérias", mas que em algumas situações o autarca comunista "faz questão de marcar a diferença" quanto à maioria.

"Pode ser que haja evolução [nas próximas eleições], mas não sei mesmo. Por mim tenho a porta aberta e continuará a estar. São precisos sinais de convergência, mas não notei nada nesse sentido", referiu.

No entanto, e devido à "situação complexa do país e da vida municipal", o autarca da capital mostrou-se mais concentrado "cumprir o mandato", antes de começar a pensar nas próximas eleições.

"Até as autárquicas temos muita coisa para fazer. Há um quadro legislativo novo com as empresas municipais, pode haver um novo quadro da lei das competências das autarquias, há a aplicação prática da lei dos compromissos... E obras que temos em mãos. Temos muita coisa para nos concentrarmos para começarmos a pensar nas autárquicas", defendeu.

António Costa foi eleito pela primeira vez como presidente da Câmara de Lisboa nas eleições intercalares de 2007 com 29,54% dos votos e cumpriu um mandato de dois anos, após o qual reconquistou a presidência da autarquia em 2009, em coligação com Helena Roseta e José Sá Fernandes, conseguindo assim uma maioria no executivo.

In DN

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Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Empty "Há um enorme risco de retrocesso social"

Mensagem por Joao Ruiz em Dom Dez 30, 2012 3:59 am

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"Há um enorme risco de retrocesso social"

por Miguel Marujo
Ontem

Manuela Silva é economista e professora catedrática reformada. Em entrevista ao DN, que integra a edição especial de aniversário, analisa a presença da dimensão social no económico, num tempo de crise como o que hoje se vive. Transcrição na íntegra.

Deve garantir-se um espaço para o social nas políticas macroeconómicas e nas práticas económicas?

As políticas macro económicas serão sempre, em última análise, um conjunto de decisões e correspondentes medidas concretas de afectação de recursos, que se irá repercutir, directa ou indirectamente, no nível de rendimento e na sua repartição, com consequências sobre as condições e qualidade de vida das pessoas, o emprego e o desemprego, a coesão social, etc. É, pois, fundamental que as políticas macro económicas não percam de vista estas relações intrínsecas, nomeadamente no que se refere à definição dos objectivos que se propõem atingir. Esta será sempre a melhor via de garantir a devida articulação da economia com o social.

Temos, porém, de reconhecer que, com frequência, a ideologia reinante em muitas esferas de decisão política, nacionais e supranacionais, tende a erguer falsos muros de separação entre o económico e o social, reservando, para este último, o campo restrito da reparação dos danos causados por políticas macro económicas direccionadas para a prossecução, a qualquer preço, de equilíbrios financeiros os quais acabam como sendo considerados fins em si mesmos. Estamos perante opções políticas de fundo que importa não ignorar ou subestimar.

Neste domínio, a minha opção é clara: a política macro económica tem de ser concebida, executada e avaliada, tendo em conta objectivos sociais fundamentais, como sejam: o nível de rendimento e a correcção das desigualdades na sua repartição, a melhoria da saúde, da educação, da habitação e da segurança social dos cidadãos, as oportunidades de trabalho digno incluindo remunerações justas, o desenvolvimento sustentável dos diferentes territórios e seus recursos potenciais.

A empregabilidade social é um caminho possível para a inclusão de gente excluída ou desempregados de longa duração?

No actual contexto de elevado nível de desemprego, incluindo o desemprego de longa duração, como o que se verifica em Portugal, são de encorajar todos os esforços que possam promover novas oportunidades de aproveitamento do potencial de recursos humanos disponíveis e seu direccionamento para a satisfação de necessidades das populações, através do fomento de empreendimentos sustentáveis.

A empregabilidade social que visa promover a inclusão social é, certamente, uma iniciativa louvável, desde que o trabalho oferecido respeite os requisitos do trabalho decente, no que se refere a nas condições e a nível de remuneração e não contribua, por alguma forma, para a estigmatização das pessoas mais carenciadas e frágeis ou mesmo para as explorar.

A responsabilidade social tem sido mera propaganda empresarial ou é importante para outra ética nas empresas?

O conceito de responsabilidade social tem vindo a merecer um crescente interesse por parte da investigação e do ensino em gestão de empresas. Gradualmente, tem vindo a ser integrado na visão estratégica das empresas, na cultura e nas suas práticas, sobretudo no caso das empresas de maior dimensão.

Hoje, em Portugal, uma boa parte das empresas de certa dimensão apresenta o seu balanço social em conjunto com o respectivo balanço económico e ambos estes instrumentos são tidos em conta na avaliação do desempenho das empresas e dos seus respectivos gestores. Todavia, o perímetro deste conceito não está ainda bem definido e estabilizado. Para algumas empresas, a responsabilidade social traduz-se em donativos feitos a organizações de solidariedade social, em promover o voluntariado entre os seus trabalhadores, ou em organizar festas em ocasiões especiais.

Sem negar esta dimensão, que é uma forma de partilha de resultados, na expectativa de que dela resulte benefícios para a própria empresa, entendo que a responsabilidade social da empresa deve assumir contornos muito mais amplos, nomeadamente no que se refere ao como no tratamento justo dos respectivos trabalhadores, integrando neste preocupações de valorização pessoal dos mesmos e de conciliação do trabalho com a vida familiar, a transparência nas relações da empresa com clientes e com fornecedores, o escrupuloso respeito pela sustentabilidade ambiental, o incentivo à participação no desenvolvimento das comunidades em que está inserida.

No atual quadro de crise, é possível conciliar uma efetiva dimensão social no mercado laboral?

Considero muito negativo que a situação de crise sirva para justificar atropelos vários a direitos básicos das pessoas enquanto trabalhadores/as ou cidadãos e cidadãs, como, infelizmente, temos assistido nos últimos anos.

Com efeito, pesa sobre as nossas sociedades, ditas de desenvolvimento avançado, um enorme risco de retrocesso social, agravado por uma globalização não regulada e por um crescente poder financeiro que, perigosamente, se sobrepõe à democracia. O mercado laboral, em Portugal, é, neste contexto, uma presa fácil que merece, por isso, uma atenção vigilante por parte dos políticos, governantes, sociedade civil e da cidadania, em geral. O que está em causa é a resposta que, colectivamente, queremos dar à pergunta: que economia e que sociedade queremos construir?

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Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Empty «A Igreja tem que se renovar e contribuir para se renovar a Europa»

Mensagem por Joao Ruiz em Dom Jul 07, 2013 8:09 am

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Padre Armando Azevedo

«A Igreja tem que se renovar e contribuir para se renovar a Europa»

Na Páscoa do próximo ano a Igreja de Santo André deve estar concluída

“Agora, ao fazer 50 anos de ordenação, começo a olhar para trás, para aminha vida, fazendo um retrospectiva e sinto que Deus me conduziu, me ajudou e emparou, colocando à minha volta um conjunto de pessoas trabalhadoras, generosas, dedicadas, que realmente têm sido o apoio fundamental para alguma coisa se fazer aqui nesta freguesia” – refere o Padre Armando Azevedo, numa entrevista ao jornal «Rostos».

“O mundo Ocidental, principalmente a Europa, pelo menos os dirigentes deste mundo, entenderam que o paraíso se pode construir na terra prescindindo de Deus” - refere.
Padre Armando Azevedo, um homem de Trás-os-Montes, concelho de Mirandela, freguesia de Avidagos, onde nasceu no dia 21 de Março de 1934 – “posso dizer que tenho 79 Primaveras em cima de mim”, diz-nos com um sorriso, - “nasci no primeiro dia da Primavera”.
Recorda que as condições de vida na sua aldeia, no seu tempo de infância – “era um ambiente ainda do estilo medieval, que só mudou os costumes após a Grande Guerra e a chegada da televisão, com alterações na situação económica. Hoje existe um padrão de vida normal. Mas lembro as dificuldades do tempo da guerra, nomeadamente o racionamento dos géneros alimentares. Era uma vida difícil.”

Aguentávamos tudo porque já estávamos habituados

Para frequentar o Ensino Primária, refere que tinha que se deslocar cerca de 4 km, da sua aldeia até ao centro da freguesia.
“Era a pé que íamos e vínhamos, mesmo com neve, sobretudo gelo e o frio pela manhã, essa era a grande dificuldade. Mas aguentávamos tudo porque já estávamos habituados” – recorda.

Disse à minha mãe que gostava de ser Padre

“Eu andava na 3ª classe e recordo ainda hoje, perfeitamente, o local, o momento, quando disse à minha mãe que gostava de ser Padre. O Pároco da freguesia teve uma grande influência na minha decisão. Era um homem bom, com um grande prestígio na aldeia, nós tinhamos uma simpatia muito grande. Talvez, por isso, Deus serviu-se dessa circunstância para chamar-me ao sacerdócio” – refere.
Terminado o Ensino Primário ingressou no Seminário – “entre na Congregação dos Salesianos, em Poiares da Régua. Entramos nesse ano 72 crianças, chegámos ao fim, ao sacerdócio oito, desses oito estamos vivos três, os outros já faleceram e um deixou o sacerdócio”.

Fui ordenado sacerdote em Angola

Armando Augusto Azevedo é o seu nome de baptismo. Nome que manteve. No seu último ano de Teologia deixou a Congregação dos Salesianos, transferindo-se para a Diocese de Luanda.
“Fui ordenado sacerdote em Angola, onde estive durante treze anos, donde saí no período da descolonização, no ano de 1975 vim para o Barreiro.” – refere.

Uma guerra que estava a ser preparada

O Padre Armando Azevedo viveu a guerra colonial – “na zona onde estava fazíamos uma vida normal, existiam umas bolsas de guerrilha, que estavam perfeitamente localizadas, a população vivia a sua vida normal” – refere.
“Após o 25 de Abril é que tudo se modificou, a guerra generalizou-se por toda a Angola. Na terra onde eu estava, onde era Pároco – Dondo, no Quanza Norte – ali começou a Guerra Civil entre o MPLA e o FNLA. Recordo foi precisamente no dia 30 de Junho de 1975, às 9h35 da manhã, foi disparado o primeiro óbus que foi o despoletar de uma guerra que, notava-se perfeitamente, estava a ser preparada.” - refere Armando Azevedo, sentindo-se emoção nas suas palavras.

Estive 32 horas debaixo de fogo

“Estive 32 horas debaixo de fogo, sentindo o tiroteio e andar a correr de um lado para outro, a salvar pessoas e levá-las para um local combinado. Era um hotel, de 48 camas, onde estavam cerca 800 pessoas, sem água, sem alimentação. Passámos dias difíceis” – refere com emoção.
“Ali, um grupo do MPLA, comandado por um jovem de uns 16 anos, foi incomodar-nos e foi preocupante e um caos” - salienta.

Cerca de 550 pessoas que participam nas Missas aos domingos

Regressou a Portugal nos «comboios aéreo da descolonização». Refere que veio directamente para o Barreiro porque, aqui, vivia uma sua irmã.
“Em 27 de Março de 1977, o Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, convidou-me para tomar conta de Santo André. Nesse dia rezei a primeira Missa em Santo André.” – recorda.
Recorda que a sua integração inicialmente foi difícil – “no tempo do PREC, quando celebrei a primeira missa estava 26 ou 27 pessoas, começámos, nunca desanimámos, e Deus deu-nos a graça de abrir um caminho, com as comunidades da Paróquia, que foi um recomeço”.
“As coisas foram acalmando também e hoje pudemos dizer que temos cerca de 550 pessoas que participam nas Missas aos domingos, com regularidade” – salienta.

Não sou de nenhum partido

Na nossa conversa recorda que viveu algumas situações conflituosas, refere um dia, quando acompanhou um funeral de um militante do Partido Comunista Português – “eu sabia quem era a pessoa e a sua ideologia e fui fazer o funeral, mas quando chegámos ao cemitério, houve todo um aparato de exaltação do Partido Comunista, então, eu entendi, que tinha acabado as minhas funções. Não sou de nenhum partido, não podia estar a colaborar naquela situação, até porque se estava num tempo de eleições. Terminadas as minhas funções, fiz a encomendação e retirei-me, da parte de algumas pessoas, naquele clima de exaltação e entusiasmo, caiu mal, ao ponto de o Chefe Mira, tomar a decisão de vigiar a Capela, para evitar situações dado que existiam ameaças. Mas, não aconteceu mais nada”.

Ajudámos muitos jovens a procurar emprego

“Nós, ao longo dos anos temos procurado ter uma actividade regular na freguesia. A preocupação primeira foi encontrar instalações para desenvolvermos alguma actividade. Começámos aqui na Casa dos Rapazes, onde funcionava o Lar de Crianças e Jovens. Esse foi o nosso ponto de partida” - refere.
“Em 1984, criámos o Centro Social e Paroquial de Santo André, juridicamente instituído, depois começámos a pensar na construção de uma Igreja.
Fomos a primeira instituição, no Distrito de Setúbal, a promover Formação Profissional, no período após a entrada de Portugal na União Europeia. Durante quatro anos formámos jovens. Passaram por aqui 348 jovens, que aqui fizeram a sua formação profissional. Depois, perante as exigências legais, pois tínhamos que garantir emprego a metade dos formandos e não era possível. Terminámos essa actividade. Mas ajudámos muitos jovens a procurar emprego e a preparar-se para o mundo do trabalho.” – salienta Armando Azevedo.

Na Páscoa do próximo ano a Igreja deve estar concluída

“Em 1986, recebemos através do Centro Paroquial Padre Abilio Mendes um terreno que agora está ocupado pelo Parque da Cidade, fizemos então uma permuta de terrenos com a Câmara, em 1996, onde ficámos com o terreno onde estamos a construir a nossa Igreja Paroquial.
Tem sido um processo difícil, com avanços e recuos, mas agora está a avançar a sua construção. Em 24 de Junho de 2012 foi lançada a 1ª pedra, na Páscoa do próximo ano deve estar concluída, no que diz respeito ao edifício, ficará a faltar a parte do mobiliário e artística do interior. Essa será a segunda fase.” – refere.

Apoio de um conjunto de pessoas trabalhadoras, generosas, dedicadas

“Hoje, sinto um motivo muito forte interior para dar graças a Deus, porque tenho a consciência muito profunda que isto não é obra minha, foi Deus que se serviu de mim para construir esta comunidade humana e cristã, e, agora, completando com a construção da Igreja que é uma aspiração profunda.
Agora, ao fazer 50 anos de ordenação, começo a olhar para trás, para aminha vida, fazendo um retrospectiva e sinto que Deus me conduziu, me ajudou e emparou, colocando à minha volta um conjunto de pessoas trabalhadoras, generosas, dedicadas, que realmente têm sido o apoio fundamental para alguma coisa se fazer aqui nesta freguesia” – sublinha o Padre Armando Azevedo.

Galardão «Barreiro Reconhecido 2013»

A entrega do Galardão «Barreiro Reconhecido 2013» ao Centro Social e Paroquial de Santo André – “é o reconhecimento do trabalho e de uma obra que temos feito em beneficio da juventude e também da terceira idade”, sublinha.
Recorda que o Centro Social e Paroquial de Santo André garante 54 postos de trabalho – “estamos equilibrados e com o necessário para viver, procuramos manter esses postos de trabalho”.

A Igreja tem que se renovar e contribuir para se renovar a Europa

No final da nossa conversa pedimos ao Padre Armando Azevedo para nos transmitir o seu olhar sobre o mundo de hoje, onde as questões de fé se afastam das vivências quotidianas.
“Tenho reflectido sobre isso e chego a duas conclusões. O mundo Ocidental, principalmente a Europa, pelo menos os dirigentes deste mundo, entenderam que o paraíso se pode construir na terra prescindindo de Deus. A Europa pôs como meta e objectivo construir o bem estar económico e social, em que tudo estava pensado e organizado na economia. Este ídolo tem pés de barro, tremeu e está a cair por completo.
Eu creio que o nosso mundo Ocidental tem que rever todos os objectivos e começar de novo a pensar nos valores fundamentais, porque houve uma rejeição de tudo o que é Cristianismo. Observo que há uma tolerância, até simpatia com certas religiões, e tudo o que soa a Jesus Cristo e ao Cristianismo é rejeitado. Cristo para o Homem moderno tornou-se um adversário a abater, quando isso não é verdade, porque a Europa foi construída com os seus objectivos, com os seus valores, com a sua dinâmica, partindo de Jesus Cristo, no respeito pela pessoa humana, respeito pelo lugar que o homem deve dar a Deus, respeito pela Fraternidade, já que somos todos filhos do mesmo Pai que é Deus, nós podemos trabalhar como irmãos em fraternidade. Despindo-se dessa ideia, não há nenhuma força que seja capaz de aglutinar os homens, de os unir numa fraternidade e construir a Paz, sem Cristo soa a vazio.” – salienta.
“A Igreja tem que se renovar e contribuir para se renovar a Europa, porque a Igreja presta um grande serviço à sociedade.A história prova que sempre que o homem se afastou de Deus, surge a violência gratuita que não conduz a nada.” – acrescenta o Padre Armando Azevedo.

A fé não é uma ideologia

Viver numa terra com a cultura comunista como força dominante cria dificuldades a ser Cristão? – perguntámos.
“Eu julgo que não. Temos muita gente que partilha a Igreja e vota no Partido Comunista, pelo menos votar. Quanto a ideologia o Marxismo choca com o Cristianismo, mas as pessoas vivem em torno do ambiente social e colocam de lado a ideologia.
As ideologias mudam, desaparecem, a única coisa que não desaparece é a verdade, porque a fé não é uma ideologia, é aderir a Cristo, que ama o homem e quer o bem do homem.

Uma graça que Deus me deu foi ter-me dado Santo André
“Hoje sou um homem do Barreiro. A maior parte da população do Barreiro é de fora. Uns mantêm laços com as suas terras. Outros sentem-se como pertencendo aqui, eu sou dessas pessoas que diz que Santo André é hoje a sua terra. Esta é a minha terra.
Uma graça que Deus me deu foi ter-me dado Santo André, uma terra magnífica, onde tenho amizades e sinto-me acarinhado como pessoa de cá” - sublinha.
“Aproveito para agradecer às autoridades e à população que nos tem ajudado a construir uma obra que começou do nada e hoje está a crescer” – refere o Padre Armando Azevedo ao fechar a nossa entrevista.

S.P.

Nota - Hoje, dia 29 de Junho, data que assinala os 50 anos de ordenação do Padre Armando Azevedo, na Escola Básica 2+3 da Quinta da Lomba, foi concelebrada uma missa, presidida por D. Gilberto Canavarro, Bispo de Setúbal e todos os Padres das Vigararias dos Concelhos do Barreiro e Moita.


rostos.pt, 2013-07-02

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Mensagem por Joao Ruiz em Dom Set 01, 2013 10:16 am

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"Não vejo drama numa aliança entre PS e CDS"

por João Céu e Silva
Hoje

Estamos a ouvi-lo(a) - Página 4 Ng2737052
António Bagão Félix, ex-ministro das Finanças e da Segurança Social Fotografia © Sara Matos- Global Imagens

O ex-ministro das Finanças e da Segurança Social não vê drama numa aliança entre o PS e o CDS: "É uma aliança onde do ponto de vista doutrinário e ideológico é mais nítida a sua diferença e, assim sendo, a dialética da coligação pode ser mais positiva."

Para Bagão Félix, a próxima chegada da troika vai redefinir o papel do vice-primeiro-ministro Paulo Portas: "Não sei qual é a delegação de poderes que o primeiro-ministro dará ao vice mas, pelo que até agora pudemos assistir, evidentemente será Paulo Portas o protagonista dessa diferente maneira de encarar a relação com a troika." Para o economista, o futuro exige o "aumento de uma austeridade inteligente e exemplar em vez de nova carga [fiscal] muito pesada sobre os portugueses".

Acrescenta: "Penso que Paulo Portas tem sensibilidade social e um compromisso político, e que ele é que estará a protagonizar essa situação, com a ajuda da ministra das Finanças."

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=3397447

Para Bagão Félix, a prioridade é o novo Orçamento de Estado. Que não deverá possibilitar novas penalizações do Tribunal Constituciaonal nem desafiar o próprio presidente da República.

Leia a entrevista completa na edição em papel e e-paper do DN.

In DN

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