Crise grega

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Mensagem por Vitor mango em Sab Abr 03, 2010 1:49 am

Crise grega

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Os líderes europeus congratularam-se, no final de mais um encontro, pelo “acordo de financiamento de emergência” à Grécia. Parecia ter polpa mas, bem vistas as coisas, é uma decepção.

O que mais me espantou, porém, foi saber que a ajuda viria sob a forma de financiamento a taxas de juro a preços de mercado, o que tem implícito que o mercado não estaria disposto a emprestar dinheiro à Grécia a taxas de juro a preços de mercado. Ora, isto é absurdo.

Não imagino, por mais hipotético que fosse, um cenário em que a União Europeia (UE) estivesse disposta a desembolsar uma ajuda de emergência. A julgar por alguns comentários das autoridades gregas, desconfio que a ideia é sobreviver sem ajuda usando a promessa de um fundo de emergência que funcione como apoio psicológico para o mercado. Perigoso, sem dúvida, uma vez que o feitiço pode, mais tarde ou mais cedo, virar-se contra o feiticeiro. Não admira, pois, que a agência de notação financeira Standard & Poor's não tenha tido este "acordo" em consideração quando da revisão do ‘rating' da Grécia.

A UE não gizou este acordo para criar um mecanismo de resolução de crises, mas para pôr fim a duas posições conflituosas. Angela Merkel tinha como prioridade salvaguardar a cláusula ‘no bail out' e o direito de veto em relação a toda e qualquer ajuda financeira de emergência. O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, tinha como prioridade reduzir o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) para este não poder influenciar indevidamente as políticas económicas da zona euro nem pôr em causa a independência do BCE. Foi preciso criar um mecanismo engenhoso e extremamente restritivo para acomodar ambas as posições, ainda que, muito provavelmente, nunca venha a ser utilizado.

Este acordo não vai resolver os problemas da Grécia nem de qualquer outro país que venha a enfrentar as mesmas dificuldades, mas resolve os problemas de Angela Merkel e do BCE, pelo menos parcialmente. No entanto, os líderes europeus em nenhum momento pensaram resolver a dupla ameaça que paira sobre o futuro do Euro: a inexistência de um sistema de resolução de crises e a questão dos desequilíbrios internos da zona euro.

Entretanto, continuamos todos a fazer as mesmas perguntas incómodas que fazíamos na semana passada. Será que o plano de austeridade do governo grego é realista? Será que a Grécia vai cumpri-lo? O que pode acontecer se Portugal ficar em situação idêntica? E Espanha? E Itália? Existe uma agenda específica para lidar com os desequilíbrios da balança de transacções correntes? Berlim aceitará alguma vez a sua quota-parte de responsabilidade na coesão da zona euro, salvo esperar pela convergência dos outros estados membros com a Alemanha? Tudo perguntas sem resposta.

Admito que as reuniões pela noite dentro, as conferências de imprensa e o anúncio dramático de um acordo surtam algum efeito no mundo exterior, mas a política de "atirar areia para os olhos" não engana ninguém durante muito tempo. Algo me diz que isto vai acabar mal.


Tradução de Ana Pina
Vitor mango
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