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Mensagem por Viriato Sex Abr 09, 2010 12:26 pm

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Em 1923, ainda no tempo da União Sul-Africana (1910-61), predecessora da República da África do Sul como a conhecemos desde Maio de 1961, foram criadas as townships. As townships são áreas localizadas em zonas industriais, nem sempre na periferia das grandes cidades, para onde foi “deportada” a população rural negra. Khayelitsha e Langa, ambas no perímetro metropolitano de Cape Town, são as maiores do país. O que não deixa de ser curioso, porquanto Cape Town, sede do Parlamento sul-africano, não se distingue especialmente pela indústria (ao contrário de Johannesburg, rodeada de minas de ouro a toda a volta). Qual é o problema das townships?

Dando de barato a violência que representou a deslocação maciça de populações rurais, uma consequência da política do desenvolvimento separado prosseguida durante décadas pelo Partido Nacional de Hendrik Verwoerd, Balthazar Vorster e outro pessoal menor, as townships tiveram como consequência o desenraizamento cultural de populações que desse modo perderam todo o contacto com as suas raízes. A única região que ficou a salvo do processo foi Kwazulo-Natal, que faz fronteira com o Lesotho, a Swazilândia e o extremo sul de Moçambique.

Ao contrário dos bantostões, zonas administrativas interditas a brancos, gozando de relativa autonomia (onde, portanto, a população negra podia manter as suas tradições e modo de vida), as townships são reservas de homens, desligados do seu habitat natural, cuja única finalidade é constituir uma força de trabalho a preços de subsistência. Com a queda do apartheid e a chegada de Mandela ao poder, em Abril de 1994, as townships foram progressivamente absorvendo uma percentagem dos brancos pobres. Estima-se que 1,7% da população branca do país viva hoje em townships. Do meio milhão de portugueses que vive na África do Sul, quantos estão nas townships? Não faço ideia. Saberá, acaso, o consulado-geral de Portugal em Pretória?

O que essa população desapossada vê quando sai das townships para ir trabalhar nas pequenas profissões e ocupações do distrito financeiro de Johannesburg, ou como serviçais dos elegantes bairros residenciais de Cape Town (para onde se deslocou o que resta das elites europeias radicadas; a grande maioria emigrou para a Austrália e Nova Zelândia, e continua a emigrar a uma média de 90 pessoas por mês), é exactamente o que via antes de 1994. Ou seja, uma sociedade próspera, sofisticada, alinhada com o primeiro mundo. Já não há brancos a mandar, mas a distribuição de riqueza permanece imutável.

Os negros que em 1994 tinham mais de 40 anos, e estão hoje à beira dos 60, talvez não estejam interessados em grandes solavancos. Mas os miúdos que nasceram e cresceram nas townships, e são aos milhões, e não têm nada a perder, vêem em Julius Malema o Moisés dos amanhãs que cantam.

Como se viu ontem, quando Malema expulsou da conferência de imprensa um jornalista da BBC, ele leva o papel muito a sério.


posted by Eduardo Pitta
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Mensagem por Vitor mango Sab Abr 10, 2010 12:34 am

interessante analise
Vitor mango
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