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Pobre futuro ...

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Mensagem por Viriato Qui Abr 15, 2010 4:56 pm

Pobre futuro ...


Pobre futuro ... Remuneration+of+nurses

Hospital nurses remuneration, 2007


Quero começar por cumprimentar o Hórus (grande post) link assim como os consagrados Brites, Aidenós e Távisto (citação do TM). Depois deles pouco ficou por dizer tão certeira é a sua argumentação. Resta ligar as práticas dos últimos 20 anos ao descalabro financeiro actual e trazer alguns números esclarecedores da “justa” luta dos enfermeiros.

A) Ninguém é responsável, «é a vida…»

1- Ninguém é responsável pelo actual descalabro financeiro do país que fará com que o nível de vida da população desça ainda mais, os contribuintes vão pagar mais, a vida dos jovens fique comprometida e se criem poucos e mal pagos empregos. Que se passou nos últimos 20 anos no Estado?

2- Os nossos governantes (todos mesmo o actual PR), irresponsavelmente, foram dando tudo a todos, cada vez mais serviços em todo o lado, mais pessoas, mais regalias e direitos. Procuravam mais os votos que o serviço da população, e para isso é mais fácil e eficaz dar que gerir e racionalizar a rede (excepcione-se CC). Assim os défices foram surgindo e foram sendo transferidos para a dívida pública (alguém a vai pagar no futuro com menos empregos e menos nível de vida … «ora, isso agora não interessa nada»). Foi com os principais sectores -saúde, educação, justiça, …-, não com o ambiente ou a cultura, que se foi criando a gigantesca dívida.

3- Neste doce engano o que se passou com o pessoal? Bem, a avaliação continuou e continua a ser uma ficção - tipo 95% são «muito bons» os restantes são apenas «bons» –, mas as carreiras foram sendo actualizadas ou ajustadas – isto é cada vez mais dinheiro e mais direitos para todos, perdão apenas para os que tiverem pelo menos bom! Se isto não é brincar com os contribuintes e comprometer o futuro do país o que é? As promoções em vez de limitadas com o mérito ficam acessíveis a todos, nivelando-se por baixo e promovendo de facto por idade. Não resisto a contar um caso, verdadeiro, passado num grande hospital do Norte. Um Ortopedista estava proibido pelos colegas de ver e tratar doentes, tal era o perigo inerente, mas continuou a receber «tudo a que tinha direito» e ser pontualmente classificado de Bom. O problema foi quando o quiseram convencer a não se candidatar a chefe do serviço (com tantos bons ganhava), não foi fácil!

4- De facto os serviços públicos estavam capturados pelos profissionais e as pessoas sofriam de duas maneiras, como utentes e como contribuintes, porque a irresponsabilidade cai sempre naqueles que são os mais fracos, nunca nos “Sim, Senhores Ministros”. Por isso a empresarialização se impunha, para evitar o descalabro financeiro e eliminar a insensibilidade ou mesmo desprezo pelos doentes.

5- Só que em Portugal tudo descamba pela politiquice, chico espertismo e pela irresponsabilidade. Assim: i) Bons coladores de cartazes foram convertidos em gestores de hospitais, que obviamente havia que não avaliar; ii) Um ministro confundiu a saúde com fábricas de sapatos e deixou o mercado de trabalho completamente desregulamentado, entregue aos tais gestores e sem qualquer controlo – o resultado só podia ser inflação geral de salários, o salve-se quem puder das empresas de trabalho e outros esquemas de desenrasca; iii) A incapacidade e a difícil situação financeira «desaconselhavam» a opção por mercado regulado com incentivos em função dos resultados avaliados, assim optou-se por voltar a colocar no centro as carreiras e as «justas reivindicações» resolvidas em Lisboa. Como é que se gerem empresas públicas com funcionários públicos? «Ora, isso agora não interessa nada». A actual situação de desorientação e de actuação a reboque da agenda dos sindicatos permite afirmar que o SNS ficará a um passo do precipício, quem dará os «Passos» seguintes?

B) Enfermeiros ganham pouco?

1- Alguns enfermeiros ganham muito pouco dado o trabalho e resultados excepcionais que conseguem, mas muitos ganham demais para o que fazem entre os múltiplos empregos e os vários esquemas que adoptam para conciliar o inconciliável – se é carreira desgastante e muito exigente como tantos conseguem ter dois empregos a tempo completo simultaneamente?

2- Vejamos:

a) Quem duvida do valor da retribuição paga aos enfermeiros vá ver as pensões atribuídas no mesmo dia, um administrador hospitalar consagrado ficou com uma pensão inferior ao de uma qualquer enfermeira chefe. Que fará se ganhassem bem!

b) Como seria possível ter enfermeiros espanhóis radicados em Portugal, se aqui não se pagasse bem, sabendo que o nível de vida em Espanha é 50% superior ao nosso?

c) Como se compreende que no mercado privado aceitem 900 euros de entrada e no SNS não cheguem 1200 e se exige as promoções e os horários (vide INEM) que eles querem, enquanto no privado sujeitam-se ao que os patrões lhes impõem? Só pode ser por amor ao SNS…

d) Mas ainda haverá quem ache que ganham pouco. Olhemos então para o que nos diz a informação da OCDE link : i) Concluímos que o ordenado das enfermeiras era 1,7 vezes o salário médio da população Portuguesa (mais ou menos o que ganha em média o «rico contribuinte»), muito mais que nos restantes países europeus! ii) Depois em USD e PPP, em Portugal ganhavam mais que os enfermeiros do Japão e da Finlândia; iii) Finalmente de 1997 a 2005 tiveram um aumento de 2,4% ao ano, quando o «rico contribuinte» médio teve apenas 0,6% - isto é 4 vezes mais, valor relativo que não tem paralelo em nenhum outro país naquele período. É assim tão pouco?

Só espero que com tanto hesitantismo e tanta irresponsabilidade os nossos governantes não continuem a ceder alegremente («ora isso agora interessa MUITO»!) aos sindicatos da saúde, porque atrás dos enfermeiros e dos médicos virão os Técnicos, atrás desses virão os juízes, polícias, exército, etc.

Pobre país este, mas também pobres contribuintes, pobres doentes e pobre futuro que reservamos para os nossos filhos….

Simplesmente Constança em Saude SA



Joaopedro said...
Excelente.
A deixar cheio de orgulho o mestre Correia de Campos.
Viriato
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