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Mensagem por Vitor mango Sex Maio 13, 2011 12:29 am

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— Queres casar comigo? — perguntou Jorge.
Com as mãos no corrimão da varanda do quarto de hotel, Vera pousou o olhar nas palmeiras ondulantes, recortadas a negro no céu violeta do pacífico e ficou em silêncio, à procura de um sinal que denunciasse um sonho. Ele terminou o gin tónico e abraçou-a.
— Querida, queres casar comigo?
Ela voltou-se e agarrou-lhe o roupão aberto, torcendo o tecido, encostou a face ao seu peito e suspirou:
—Sim. Oh sim querido…
— Ok querida, era para saber — afastou-a com delicadeza foi para dentro do quarto. Vera ficou encolhida como um animal ferido, a ofegar baixinho para não ser ouvida por predadores. Depois riu-se sozinha e depois ficou muito séria.
Jorge abriu o mini bar e serviu-se de outra schweppes e de outra miniatura de Gordons e depois deitou-se na cama. Tentou ligar a televisão mas o comando não tinha pilhas e apesar das pancadinhas não conseguia.
— Jorge, estou farta disto.
Soprava um vento quente do mar, quente, as cortinas do quarto agitavam-se, como as palmeiras, como o cabelo e o vestido de verão e as mãos dela.
— O que foi? — tinha aberto o comando do ar condicionado para ver se as pilhas eram do mesmo tipo do comando da televisão, mas não eram. —O que foi, porra? — perguntou outra vez, agastado pelo contratempo.
—Devia ter acabado contigo o verão passado…
— O verão passado? — bebeu um pouco do gin tónico e tirou o maço do bolso do roupão. Só via a silhueta de Vera a contra-luz, à porta da varanda. Acendeu um cigarro e deixou-se hipnotizar pela chama do fósforo até esta lhe queimar o polegar.
— Sim, o verão passado, o jardim zoológico de Madrid, os crocodilos, lembras-te? ‘Aproxima-te, não tenhas medo, aproxima-te mais?’
— Isso foi um acidente.
— Não foste tu que me foste lá buscar ao fosso, de qualquer forma.
— Eram grandes, os crocodilos.
—Eu sei que eram grandes, os filhos da puta dos crocodilos.
— O que é que adiantava Veruska? Ia fazer o quê, eu, aos crocodilos? Não sou a porra do crocodilo dundee…
—Tu pareceste quase desiludido de não acontecer nada!
— Pedi-te desculpa na altura, pensei que esse assunto estivesse arrumado.
— Estou a dar em doida! Nunca saímos deste quarto de hotel! —foi para a varanda e fincou as unhas no corrimão —ESTOU A DAR EM DOIDA!
Ele levantou-se da cama e foi para a varanda com o copo e o cigarro. Com o vento o roupão abriu-se totalmente, estava nu por baixo.
— Por amor de Deus, tapa-te — gritou ela — não é preciso dares escândalo no hotel.
No pátio em frente ao hotel, dois tipos mergulhavam à vez na piscina. Esforçavam-se para fazer chapões e bombas e os salpicos de água faziam uma rapariga numa chaise longue rir muito.
— Então o episódio dos crocodilos ficou-te entalado. Já vi que és do tipo de pessoa que guarda ressentimentos de tudo e depois manda à cara. Vou ter isso em consideração para decidir se caso contigo ou não…
—EU NÃO QUERO CASAR CONTIGO!
— Ainda há bocado disseste que querias, ali na varanda... ainda não estou com os copos Veruksinha.
— És cruel. Não tens coração.
— Pedi-te desculpa uma vez por aquilo dos crocodilos, peço outra vez, pronto, descuuuulpa… — rolou os olhos.
—Se fosse só os crocodilos Jorge… só esta semana foram tantas… não encontrava o meu passaporte no aeroporto e tu passaste na mesma e encolheste-me os ombros, só me fizeste sinal que me ligavas quando chegasses.
—Mas encontraste o passaporte, estava na tua mala e vieste na mesma.
— A questão não é essa, tu vinhas para aqui sem mim!
— Já tínhamos pago isto. Aliás, eu já tinha pago isto. Vais continuar Vera? Eu também tenho razões de queixa, nem tudo é perfeito.
— Ai sim? O que foi? — meteu-se à frente dele. —diz! Vá diz lá uma! — empurrou-o.
— Não quero, não vou dizer, não sou de guardar ressentimentos.
Terminou o gin tónico e sentou-se na cama, a olhar para os chinelos do hotel. Eram felpudos demais para um clima tão quente e os pés transpiravam.
— Nunca te apetece fazer amor, por exemplo! —gritou de dentro do quarto para a varanda. Ela não respondeu. —E nunca fizeste um esforço para ver futebol! No início disseste que farias um esforço!
—Acabou, Jorge.
Com o fim do por do sol o vento amainou e as palmeiras imobilizaram-se. Ouviam-se risos e alguns splashes de mergulhos tardios.Vendo o seu próprio reflexo na tv desligada, ele enfiou as mãos nos chinelos e fez deles fantoches felpudos. Os fantoches ora discutiam e davam turras um ao outro, ora começaram aos beijinhos e a roçar-se. Parecia bastante entretido com isso.

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Mensagem por Vitor mango Sex Maio 13, 2011 12:30 am

in ....????

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