Vagueando na Notícia


Participe do fórum, é rápido e fácil

Vagueando na Notícia
Vagueando na Notícia
Gostaria de reagir a esta mensagem? Crie uma conta em poucos cliques ou inicie sessão para continuar.

Trump, populismo, Europa

Ir para baixo

Trump, populismo, Europa Empty Trump, populismo, Europa

Mensagem por Vitor mango Ter Fev 23, 2016 1:11 am

Trump, populismo, Europa
Paulo Rangel
23/02/2016 - 00:20
O fenómeno Trump mostra bem que a crise é uma crise das democracias ocidentais representativas.





1. À medida que crescem as oportunidades de Donald Trump se tornar o candidato republicano às eleições presidenciais norte-americanas, confesso que o meu grau de preocupação e de receio aumenta exponencialmente. Trump representa o advento e o triunfo do mais puro e mais básico populismo e oportunismo políticos. O seu profundo desprezo pela igual dignidade de todos os seres humanos, o seu nacionalismo exacerbado e folclórico, a sua arrogância para com os restantes países (de que a ridicularização México é apenas o exemplo mais frisante), o simplismo e imediatismo das soluções que apresenta (designadamente, em sede militar) são de molde a fazer soar todas as campainhas de alerta, a tinir todos os sinos de alarme. Já não bastava o alinhamento de sectores substanciais do Partido Republicano com as posições retrógradas do Tea Party, só faltava agora que elas fossem veiculadas e lideradas por um carismático exótico e histriónico, produto típico das nossas sociedades mediáticas. Tudo em Trump é paradoxal: trata-se de um capitalista multimilionário que tem a sua grande base de apoio nas classes trabalhadoras; é um dos mais célebres membros da elite americana, muito liberal em matéria de costumes, que agora se converteu no candidato “anti-establishment”, professando um credo conservador de perfil evangélico (bem patente no apoio de Sarah Palin).
2. Como compreender este fenómeno e este paradoxo? Julgo que confluem aqui três causas fundamentais, de resto, profundamente entrelaçadas. A primeira é um cansaço enorme do eleitorado com a classe política, com os políticos e com a política. A segunda é a alta mediatização da política, que fez erodir os mecanismos de temperança e moderação da representação e aproximou as democracias hodiernas das clássicas democracias directas (e, consecutivamente, das “demagogias” no sentido aristotélico). Finalmente, é a percepção e sensação dos eleitores (que corresponde, aliás, à realidade) de que o seu voto perdeu peso e importância e, por isso, é preciso apostar em protagonistas que lhes prometam restaurar o efectivo valor do “seu” voto.
3. O fenómeno Trump é ainda relevante – muitíssimo relevante – porque desmente muitas das explicações que têm sido avançadas para o preocupante recrudescimento do populismo e até do nacionalismo na Europa. A explicação mais vezes adiantada – e curiosamente, cada vez mais em voga, nos comentadores nacionais e em bastantes responsáveis políticos, arvorados em neonacionalistas de ocasião – é o “fracasso colossal” da União Europeia e das suas políticas. A crise do euro e das chamadas dívidas soberanas, a crise dos refugiados e do controlo de fronteiras, a questão britânica, as derivas húngara e polaca, o caos grego, os secessionismos escocês e catalão, a impotência nas crises ucraniana, síria e líbia e a duplicidade do relacionamento da e com a Turquia mostram, entre muitas outras fracturas expostas e feridas abertas, uma séria paralisia e um impasse das instâncias europeias. Este impasse e esta incapacidade seriam a razão para um alheamento e um distanciamento cada vez maior dos eleitorados, para um refúgio no voto nos partidos radicais e extremistas (mais de direita, mas também de esquerda), para uma aposta em líderes carismáticos, de discurso simples e soluções imediatas. O sucesso do movimento “cinco estrelas” em Itália, a emergência segura de Le Pen em França, a subida meteórica de De Wilders na Holanda que já chegou aos 41% nas sondagens, a liderança dos Democratas Suecos na Suécia, o regresso pujante da eminência parda de Kaczinsky à Polónia, a resiliência de Orbán na Hungria, os sucessos de Tsipras e do Syriza na Grécia de 2015, o confisco dos refugiados aprovado na Dinamarca, a voz grossa de Iglesias e do Podemos no actual interregno espanhol, a subida à tona da Alternativa para a Alemanha nas eleições regionais que aí vêm, a força do UKIP no Reino Unido, agora fortalecido pela jogada de mais um exótico mediático de cabelo louro como Boris Johnson – tudo seria o resultado meridiano e automático da degenerescência da União e da sua rematada incapacidade para lidar com as crises que lhe caíram no colo. Populismo e nacionalismo exacerbado teriam uma só explicação – também ela, muito coerentemente, populista e nacionalista – a falência da Europa, das instâncias europeias, das políticas europeias…

_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
Trump, populismo, Europa Batmoon_e0
Vitor mango
Vitor mango

Pontos : 115074

Ir para o topo Ir para baixo

Ir para o topo


 
Permissão neste fórum:
Você não pode responder aos tópicos