Tudo é bem pensado desde que não se sofra as consequências = Come e cala-te, para além do célebre dividir do concentrado onde alguns se aconchegam!!!

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Mensagem por TheNightTrain em Sex Dez 18, 2009 3:56 pm

Visto de fora


Desastre e negação

por Paul Krugman, Publicado em 18 de Dezembro de 2009


O Partido Republicano está comprometido com uma ideologia falida, que não o deixa apoiar a regulação financeira. Já só os democratas do Senado podem evitar futuras crises financeiras

Tudo é bem pensado desde que não se sofra as consequências = Come e cala-te, para além do célebre dividir do concentrado onde alguns se aconchegam!!! 0000086690
Quando comecei a escrever para o "The New York Times" era ingénuo em relação a muitas coisas. Entre as minhas ideias erradas, a principal era acreditar genuinamente que as pessoas influentes podiam ser levadas a agir perante os dados e que mudariam os seus pontos de vista se os acontecimentos desmentissem as suas convicções.

Sejamos justos: isso até acontece uma vez por outra. Fui muito crítico em relação a Alan Greenspan ao longo dos anos (muito antes de isso se tornar moda), mas dou a mão à palmatória relativamente a uma coisa: o antigo patrão da Reserva Federal reconheceu que estava errado no que dizia respeito à capacidade de autopoliciamento dos mercados financeiros.

Mas Greenspan é caso raro. A medida dessa raridade foi revelada na sexta-feira passada na Câmara dos Representantes: tendo ainda muito vivo na memória o desastre causado por um sistema financeiro à rédea solta, todos os representantes republicanos e 27 dos democratas votaram contra uma proposta que visava uma modesta limitação dos excessos de Wall Street.

Recapitulemos a maneira como nos vimos atolados na confusão.

Os Estados Unidos saíram da Grande Depressão com uma banca sujeita a uma regulamentação rigorosa. As regras funcionavam: o país foi poupado a crises financeiras de grandes dimensões durante as cerca de quatro décadas que decorreram desde a Se-gunda Guerra Mundial. Mas a memória da Depressão ia-se esbatendo e os banqueiros começaram a querer sacudir as restrições. E os políticos, cada vez mais sob a influência da ideologia do mercado livre, mostravam uma disposição cada vez maior para concederem aos banqueiros o que eles queriam.

A primeira vaga de desregulamentação teve lugar com Ronald Reagan - e conduziu rapidamente ao desastre, sob a forma da crise das poupanças e empréstimos da década de 1980. Os contribuintes acabaram por ter de pagar mais de 2% do PIB, o que corresponde a 300 mil milhões de dólares de hoje, para que o problema fosse resolvido.

No entanto, os defensores da desregulamentação não se deram por vencidos e, na década que levou à actual crise, os políticos de ambos os partidos acabaram por se convencer de que as restrições à banca da era do New Deal não passavam de burocracia inútil.

E a banca - libertada quer pela legislação que removeu as tradicionais restrições, quer pela atitude de não ingerência dos reguladores que não acreditavam na regulamentação - reagiu afrouxando dramaticamente as normas que regiam a concessão de empréstimos. O resultado foi um surto de crédito e uma monstruosa bolha imobiliária, seguida pela pior ruptura económica desde a Grande Depressão. Ironicamente, o esforço para conter a crise exigiu uma intervenção governamental a uma escala muito maior que a que teria sido necessária para a evitar: os salvamentos de instituições em apuros, os empréstimos em larga escala da Reserva Federal ao sector privado, e por aí fora.

Perante este historial, poderia esperar-se um consenso nacional a favor da reposição de regulamentações financeiras mais eficazes, de maneira a evitar uma repetição do desastre. Puro engano.

Uma simples conversa com um conservador acerca da crise faz--nos penetrar num universo alternativo e bizarro no qual terão sido os burocratas governamentais, e não os banqueiros gananciosos, os causadores do desastre. Um universo em que as entidades prestamistas com aval governamental terão sido as causadoras da crise, embora se saiba que foram os prestamistas privados os autores da grande maioria dos empréstimos subprime. Um universo em que terão sido os regulamentadores a coagir a banca a conceder empréstimos a pessoas não qualificadas para os contraírem, embora se saiba que só um dos 25 principais prestamistas estava sujeito aos regulamentos em questão.

Ah, e os conservadores limitam-se pura e simplesmente a ignorar a catástrofe no sector imobiliário comercial: nesse seu universo, o único crédito malparado tinha sido o entregue a pobres e a membros de minorias, porque os empréstimos concedidos a empreiteiros de centros comerciais e torres de escritórios não encaixam na pintura.

Em parte, a influência desta narrativa reflecte o princípio enunciado por Upton Sinclair: "É difícil fazer que um homem compreenda uma coisa quando o seu salário depende de não a compreender." Como fizeram notar os democratas, três dias antes de a Câmara dos Representantes votar a reforma bancária, os líderes republicanos reuniram-se com mais de 100 membros de grupos de pressão do sector financeiro para coordenar estratégias. Mas isso também reflecte a medida em que o moderno Partido Republicano está comprometido com uma ideologia falida, uma ideologia que não o deixa encarar o que aconteceu à economia dos EUA.

A bola está no campo dos democratas - mais especificamente, uma vez que a Câmara aprovou a lei, no campo dos democratas centristas do Senado. Estarão dispostos a aprender com o desastre que atingiu a economia dos EUA e a apoiar a reforma financeira?

Esperemos que sim. Uma coisa é certa: se os políticos se recusarem a retirar lições da crise, estamos condenados a vê-la repetir-se. Economista Nobel 2008

Exclusivo i/The New York Times

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