NEGÓCIOS PRIVADOS, PÚBLICAS VIRTUDES

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NEGÓCIOS PRIVADOS, PÚBLICAS VIRTUDES

Mensagem por Viriato em Dom Jan 02, 2011 4:11 pm

NEGÓCIOS PRIVADOS, PÚBLICAS VIRTUDES




Lembra hoje o Diário de Notícias (e lembra bem) que Soares e Sampaio, nos anos das respectivas reeleições, prescindiram das charlas de Ano Novo. Em 1991, ano em que a independência de Timor estava em jogo, Soares incumbiu o presidente da Assembleia da República, o social-democrata Vítor Crespo, de falar aos portugueses. Em 2001, Sampaio não falou nem mandou falar.

Ontem, Cavaco falou. Não havia necessidade. Mais valia que tivesse vindo explicar aos portugueses em que circunstâncias comprou 105.378 acções de uma empresa não cotada em bolsa — a Sociedade Lusa de Negócios, proprietária do BPN —, as quais vendeu depois com 144% de lucro, operação que lhe rendeu a mais-valia de 147.500 euros. (A da filha foi de 209.400 euros.) Negócios privados, públicas virtudes. OK.

Se isto se tivesse passado com Sócrates ou algum dirigente do PS, o colunismo filet mignon estaria a arrancar as vestes, pedindo a dissolução do Parlamento e o julgamento sumário do primeiro-ministro. Como é com Cavaco, Presidente da República, ninguém pergunta o óbvio: onde comprou? a quem? quem deu a ordem de compra? quem vendeu e a quem? quem determinou a valorização de 1 para 2,4 euros por acção? E como, se o BPN era uma ficção?

posted by Eduardo Pitta

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