Discurso de Assad foi sectário e unilateral, diz enviado especial da ONU

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Discurso de Assad foi sectário e unilateral, diz enviado especial da ONU

Mensagem por Vitor mango em Qui Jan 10, 2013 5:12 am

Discurso de Assad foi sectário e unilateral, diz enviado especial da ONU



Lakhdar Brahimi vai se reunir com representantes de Moscou e da Casa Branca nesta sexta-feira






















O último discurso do presidente Bashar al Assad sobre o conflito sírio
foi ainda mais sectário e unilateral do que seus pronunciamentos
anteriores, afirmou o Enviado Especial da ONU e da Liga Árabe para o
país, Lakhdar Brahimi.

Em entrevista divulgada nesta quarta-feira (09/01), o diplomata
argelino endureceu as críticas ao posicionamento do presidente,
afirmando que houve retrocesso no processo de paz. Para ele, concessões
reformistas do governo não podem mais resolver a crise no país que clama
por verdadeiras transformações.

Reprodução/BBC

O Enviado Especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, fez críticas duras ao presidente Assad

“As pessoas querem ter o seu próprio governo, querem tomar controle de seu futuro”, disse ele à emissora britânica BBC. “Na Síria, as pessoas estão dizendo que 40 anos é muito tempo para a família Assad estar no poder”.

O diplomata contou que sabia dos planos do presidente sírio de anunciar
uma nova proposta de paz. Duas semanas antes de seu discurso, Assad
havia se encontrado com Brahimi e lhe disse que “estava pensando em
tomar uma iniciativa” em relação ao conflito.







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“Eu lhe disse para ter certeza de que essa iniciativa fosse diferente
das anteriores, que não funcionaram”, afirmou o enviado. No entanto, em
sua avaliação, o plano apresentado por Assad foi uma repetição de
pronunciamentos anteriores e não uma mudança da política de Damasco.

“Eu acho que o presidente Assad deve responder às aspirações do povo
sírio ao invés de resistir”, opinou o diplomata que insistiu na
negociação entre as partes. “Os sírios têm que se falar para conseguirem
resolver o conflito”, acrescentou.

Novo plano de paz?

Brahimi vai se reunir com representantes de Moscou e da Casa Branca
nesta sexta-feira (11/01) para continuar com as discussões sobre uma
possível resolução da Síria, informou a agência russa Interfax.

Agência Efe

Enquanto negociações se arrastam, a crise humanitária se agrava na Síria, onde mais de 600 mil já fugiram

No mês passado, o diplomata organizou três encontros com as autoridades
russas e norte-americanas antes de ter viajado à Síria para se reunir
com membros do governo e da oposição. Como resultado dessas negociações,
o enviado anunciou que iria apresentar, em breve, à comunidade
internacional uma nova proposta de solução da crise no país.

Em entrevista coletiva no dia 30 de dezembro, o enviado explicou que a
nova iniciativa "contém bases válidas para o lançamento de um processo
de paz" e inclui um cessar-fogo, a formação de um governo "com todos os
poderes" e a convocação de eleições para escolher o sucessor de Bashar
al Assad e um sistema parlamentar.

Impasse "quase impossível" de ser resolvido

No entanto, o recente pronunciamento de Assad – o primeiro em cinco
meses – sinaliza que um acordo de paz entre o governo e os opositores
pode estar distante. Neste domingo (06/01), o presidente reiterou que
sua missão atual é "defender a Síria de seus inimigos" e rejeitou
negociar com “terroristas”, como define os grupos rebeldes.

Enquanto os apoiadores de Assad classificam os rebeldes como
“traidores” e se recusam a admitir a saída do presidente, os opositores
afirmam que o regime matou muitas pessoas para poder fazer parte de
qualquer acordo.

Crise humanitária

Com a intensificação da luta e a falta de um acordo de paz, a crise
humanitária se agravou ao redor de todo o território sírio. O número de
deslocados internos chegou a 2 milhões e, neste mês de janeiro, a ACNUR
registrou 600 mil refugiados da Síria.

Além disso, a ONU afirmou nesta terça-feira (08/01) que não consegue
providenciar alimentação para cerca de 1 milhão de pessoas famintas. A
organização estima que 4 milhões de pessoas precisam de assistência
humanitária urgente.

O conflito completou 21 meses e de acordo com estimativas da ONU, já deixou ao menos 60 mil mortos.

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