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O absinto (I)

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Mensagem por O dedo na ferida Dom Nov 16, 2008 3:38 pm

O absinto (I)

Poucas bebidas terão a capacidade de provocar nas pessoas sensações sem que tenham sido provadas.

Isso não se aplica ao absinto, que provavelmente nenhum de nós experimentou, mas sobre o qual todos sentimos uma misto de receio e atracção.

( Poster Arte Nova de publicidade ao Absinto)

O absinto (I) Absinthe-Robette

O absinto é uma bebida amarga feita pela destilação de uma planta a Artemisia Absinthium, a que se adicionam outras ervas como o anis, funcho, hissopo, etc., numa receita que varia segundo o produtor e o país.

A planta Artemisia Absithium L.

O absinto (I) Fig+1+-ArtimisiaAbsinto

Embora tivesse sido usada pelos antigos egípcios (1552 A.C.) como medicamento e tenha sido recomendada por Hipócrates (~460-337 A.C.) para as dores menstruais e reumatismo, seria no século XIX que o seu uso atingiria o apogeu ao tornar-se na bebida mais consumida da Europa. A sua fama como afrodisíaca e os seus atributos de estimulante intelectual, com consequente capacidade criativa, fizeram com que se divulgasse sobretudo na alta sociedade e nos meios artísticos, com destaque para Paris e Praga.

Nomes como os dos escritores Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Edgar Allan Poe e dos pintores Toulouse-Lautrec, Gauguin e Vincent van Gogh ficaram conhecidos como consumidores ou chegaram mesmo a retratar esta bebida ou locais de consumo nas suas obras. Van Gogh pintou em 1887 uma «natureza morta com absinto» e há quem afirme que a sua loucura poderia estar relacionada com o consumo de absinto, embora tal nunca tivesse sido provado.

Os cartazes publicitários Arte-Nova, de grande beleza, estimulavam também o imaginário e a aceitação desta bebida.

O absinto (I) Absinthe-Rosinette

No final do século XIX o consumo do absinto tinha atingido proporções alarmantes e a bebida, inicialmente considerada um luxo, havia baixado o preço e era agora vendida sem controlo em todos os estabelecimentos. Para além dos problemas do alcoolismo surgiram problemas mais graves como quadros convulsivos, semelhantes aos observados na epilepsia, alucinações, perturbações do sono, aparecimento de outras doenças psiquiátricas e mortes tóxicas ou por suicídio. Esta dependência ficou conhecida com «Absintismo».
Vários estudos vieram provar que os problemas surgidos com a bebida Absinto não se deviam a esta e provavelmente também não decorriam de uma substância que surge após a sua destilação, a «trujona», que só é tóxica em altas doses. As principais toxicidades deveram-se a adulterações da bebida, frequentes na época, com adição de outras ervas com maior percentagem de trujona, ao uso de produtos tóxicos, como o antimónio, e à utilização de álcool adulterado. Foi o uso destas bebidas baratas, produzidas em destilarias clandestinas, que levou à proibição europeia do consumo desta bebida, no início do século XX.

A mística que envolvia a «bebida verde» não desapareceu com a proibição. Tratando-se de uma bebida amarga, necessitava da adição de açúcar, não sendo portanto uma bebida pronta a consumir. O ritual da sua preparação, aumentando o tempo de espera que antecedia a sua degustação, adensavam o mistério. Os objectos próprios, usados para esse fim, foram desde sempre alvo de coleccionismo e sobre eles falaremos em breve.
Hoje a bebida está de novo autorizada, já sem os riscos anteriormente descritos, mas também sem o mistério que a envolvia. É produzida em toda a Europa e certamente ficarão surpreendidos ao saberem que existem pelos menos quatro marcas portuguesas nessa lista.

E termino com as palavras de Oscar Wilde sobre os efeitos do absinto:
«Depois do primeiro copo vêm-se as coisas como desejávamos que elas fossem. Depois do segundo copo vêm-se como elas não são. Finalmente vêm-se as coisas como elas são na realidade e esta é a coisa mais horrível do mundo».

Publicada por Ana Marques Pereira
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