O que as escolas nos EUA ensinam sobre a guerra do Iraque?
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O que as escolas nos EUA ensinam sobre a guerra do Iraque?
O que as escolas nos EUA ensinam sobre a guerra do Iraque?
22.03.2013 |
Fonte de informações: Pravda.ru
Dez anos após a invasão de Bagdá, "silêncio constrangedor" nas salas
de aula afasta debate; jovens pouco sabem sobre como e o que foi feito
pelas tropas dos EUA
Completados dez anos da incursão
norte-americana em Bagdá, a Guerra do Iraque gradualmente deixa o campo
das "atualidades" para passar a ser estudada nas páginas dos livros de
história. À medida que o assunto míngua do noticiário, muitos começam a
se perguntar como o tema é abordado nas escolas dos Estados Unidos. Será
que os jovens norte-americanos confrontam e discutem a presença das
tropas do seu país em outro continente?
Para achar a resposta, Jonathan Zimmerman, da publicação Salon,
foi às apostilas e livros didáticos usados nos colégios dos EUA. E teve
uma feliz surpresa. "Os livros apresentam um balanço complexo e
equilibrado da guerra no Iraque, sem as manipulações que diversas vezes
mancharam a historiografia norte-americana", diz.
Aparentemente livres de propaganda
chapa-branca das ações dos EUA, as apostilas incluem passagens de fôlego
sobre temas controversos. Tanto os prisioneiros torturados e abusados
pelas tropas dos EUA fora do país, quanto a volta da vigilância interna
são lembrados nas páginas dos livros.
O buraco, no entanto, é mais embaixo:
uma combinação de política educacional com decisões judiciais
restritivas parece fazer com que os jovens pouco ou nada saibam sobre o
que foi empreendido no Iraque.
Política educacional e tribunais
Zimmerman lembra ainda que nunca houve
uma "era de ouro" para as escolas dos EUA - em que professores e alunos
protagonizassem debates e discussões profundas sobre os assuntos do
cotidiano. Durante as duas grandes guerras, por exemplo, houve demissões
dos professores que ousaram fazer um contraponto. No Vietnã, o
contrário: docentes tentavam frear manifestações vindas dos próprios
alunos.
Atualmente, o problema é outro e o
pensamento crítico, ainda mais rarefeito. Estudiosos reclamam que não há
mais tempo para tentar levantar questões desse tipo. Desde os anos
1980, o sistema educacional nos EUA passa por um processo forte de
padronização do ensino, que impõe exames periódicos para avaliar os
alunos e, por extensão, as escolas. A pressão por bons resultados nos
testes acaba por ditar o ritmo (intenso) e o conteúdo (canônico) nas
salas de aula - sem que haja brechas para digressões.
Pior que isso, está se consolidando uma
jurisprudência nas cortes norte-americanas que impõe limites às
liberdades de discurso dos professores dentro das suas próprias salas de
aula. Basta ver o caso de Deborah Mayer, professora de uma escola
primária no estado de Nova York. Em 2003, durante uma das suas
atividades surgiu na sala de aula uma discussão a respeito de uma
manifestação antiguerra. Uma de suas alunas perguntou a Mayer se ela
iria a um protesto desse tipo. Ela disse que sim e que as pessoas
deveriam procurar maneiras pacíficas de resolver os conflitos. A
declaração foi repudiada pelos pais e, após a polêmica, a escola não
quis renovar o contrato de trabalho com Mayer.
Ela acionou a Justiça e, após diversas
cortes locais validarem a decisão da diretoria do colégio, o caso chegou
até a Suprema Corte dos EUA em 2006. Julgando a questão, os magistrados
do mais alto tribunal do país decidiram que funcionários públicos não
têm liberdade irrestrita para manifestar seu pensamento no local de
trabalho. Suas palavras pertencem ao empregador.
Em suma, o professor atua como um
"ventríloquo cívico", pago para repetir frases que são colocadas na sua
boca. Não importa que o professor tenha uma opinião própria, se a matriz
curricular do colégio compactua com o discurso "Support our Troops",
então é o que será feito.
O resultado é o que Zimmerman chama de
"silêncio ensurdecedor" a respeito da Guerra do Iraque nas escolas dos
EUA. O assunto não é discutido e os jovens não percebem a sua ausência. A
escola da filha de Zimmerman, por exemplo, adota um dos livros
didáticos completos e balanceados sobre o conflito. No entanto, a versão
utilizada em sala de aula é a edição de 2002, impressa antes das terras
iraquianas serem invadidas.
http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=9601
22.03.2013 |
Fonte de informações: Pravda.ru
Dez anos após a invasão de Bagdá, "silêncio constrangedor" nas salas
de aula afasta debate; jovens pouco sabem sobre como e o que foi feito
pelas tropas dos EUA
Completados dez anos da incursão
norte-americana em Bagdá, a Guerra do Iraque gradualmente deixa o campo
das "atualidades" para passar a ser estudada nas páginas dos livros de
história. À medida que o assunto míngua do noticiário, muitos começam a
se perguntar como o tema é abordado nas escolas dos Estados Unidos. Será
que os jovens norte-americanos confrontam e discutem a presença das
tropas do seu país em outro continente?
Para achar a resposta, Jonathan Zimmerman, da publicação Salon,
foi às apostilas e livros didáticos usados nos colégios dos EUA. E teve
uma feliz surpresa. "Os livros apresentam um balanço complexo e
equilibrado da guerra no Iraque, sem as manipulações que diversas vezes
mancharam a historiografia norte-americana", diz.
Aparentemente livres de propaganda
chapa-branca das ações dos EUA, as apostilas incluem passagens de fôlego
sobre temas controversos. Tanto os prisioneiros torturados e abusados
pelas tropas dos EUA fora do país, quanto a volta da vigilância interna
são lembrados nas páginas dos livros.
O buraco, no entanto, é mais embaixo:
uma combinação de política educacional com decisões judiciais
restritivas parece fazer com que os jovens pouco ou nada saibam sobre o
que foi empreendido no Iraque.
Política educacional e tribunais
Zimmerman lembra ainda que nunca houve
uma "era de ouro" para as escolas dos EUA - em que professores e alunos
protagonizassem debates e discussões profundas sobre os assuntos do
cotidiano. Durante as duas grandes guerras, por exemplo, houve demissões
dos professores que ousaram fazer um contraponto. No Vietnã, o
contrário: docentes tentavam frear manifestações vindas dos próprios
alunos.
Atualmente, o problema é outro e o
pensamento crítico, ainda mais rarefeito. Estudiosos reclamam que não há
mais tempo para tentar levantar questões desse tipo. Desde os anos
1980, o sistema educacional nos EUA passa por um processo forte de
padronização do ensino, que impõe exames periódicos para avaliar os
alunos e, por extensão, as escolas. A pressão por bons resultados nos
testes acaba por ditar o ritmo (intenso) e o conteúdo (canônico) nas
salas de aula - sem que haja brechas para digressões.
Pior que isso, está se consolidando uma
jurisprudência nas cortes norte-americanas que impõe limites às
liberdades de discurso dos professores dentro das suas próprias salas de
aula. Basta ver o caso de Deborah Mayer, professora de uma escola
primária no estado de Nova York. Em 2003, durante uma das suas
atividades surgiu na sala de aula uma discussão a respeito de uma
manifestação antiguerra. Uma de suas alunas perguntou a Mayer se ela
iria a um protesto desse tipo. Ela disse que sim e que as pessoas
deveriam procurar maneiras pacíficas de resolver os conflitos. A
declaração foi repudiada pelos pais e, após a polêmica, a escola não
quis renovar o contrato de trabalho com Mayer.
Ela acionou a Justiça e, após diversas
cortes locais validarem a decisão da diretoria do colégio, o caso chegou
até a Suprema Corte dos EUA em 2006. Julgando a questão, os magistrados
do mais alto tribunal do país decidiram que funcionários públicos não
têm liberdade irrestrita para manifestar seu pensamento no local de
trabalho. Suas palavras pertencem ao empregador.
Em suma, o professor atua como um
"ventríloquo cívico", pago para repetir frases que são colocadas na sua
boca. Não importa que o professor tenha uma opinião própria, se a matriz
curricular do colégio compactua com o discurso "Support our Troops",
então é o que será feito.
O resultado é o que Zimmerman chama de
"silêncio ensurdecedor" a respeito da Guerra do Iraque nas escolas dos
EUA. O assunto não é discutido e os jovens não percebem a sua ausência. A
escola da filha de Zimmerman, por exemplo, adota um dos livros
didáticos completos e balanceados sobre o conflito. No entanto, a versão
utilizada em sala de aula é a edição de 2002, impressa antes das terras
iraquianas serem invadidas.
http://www.iranews.com.br/noticias.php?codnoticia=9601
_________________
Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
Vitor mango- Pontos : 118212
Re: O que as escolas nos EUA ensinam sobre a guerra do Iraque?
O resultado é o que Zimmerman chama de
O resultado é o que Zimmerman chama de
"silêncio ensurdecedor" a respeito da Guerra do Iraque nas escolas dos
EUA. O assunto não é discutido e os jovens não percebem a sua ausência. A
escola da filha de Zimmerman, por exemplo, adota um dos livros
didáticos completos e balanceados sobre o conflito. No entanto, a versão
utilizada em sala de aula é a edição de 2002, impressa antes das terras
iraquianas serem invadidas.
"silêncio ensurdecedor" a respeito da Guerra do Iraque nas escolas dos
EUA. O assunto não é discutido e os jovens não percebem a sua ausência. A
escola da filha de Zimmerman, por exemplo, adota um dos livros
didáticos completos e balanceados sobre o conflito. No entanto, a versão
utilizada em sala de aula é a edição de 2002, impressa antes das terras
iraquianas serem invadidas.
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