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Um elefante ocupa muito espaço

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Mensagem por Vitor mango Sab Nov 01, 2014 2:55 am

 Um elefante ocupa muito espaço
 
Que um elefante ocupa muito espaço, já todos sabemos. Mas o que muitos não sabem é que Vítor, um elefante de circo, resolveu uma vez pensar “à elefante”, isto é, teve uma ideia tão grande como o seu corpo... Por isso eu vou contá-la.
Era verão e os domadores dormiam nas suas caravanas, alinhadas ao lado de um grande toldo. Os animais velavam desconcertados. Não era caso para menos: cinco minutos antes, o papagaio voara de jaula em jaula comunicando-lhes a inquietante notícia. O elefante tinha declarado uma greve geral e sugeria que nenhum deles atuasse na sessão do dia seguinte.
— Estás maluco, Vítor? — perguntou o leão, assomando o focinho por entre as grades da sua jaula. — Como te atreves a ordenar uma coisa dessas sem me teres consultado? Eu é que sou o rei dos animais!
O risinho do elefante espalhou-se na escuridão da noite como pedacinhos de papel.
— Ah, o rei dos animais é o homem, companheiro, principalmente aqui, tão longe das nossas selvas...
— De que te queixas, Vítor? — interrompeu um pequeno urso, gritando da sua prisão. — Não são por acaso os homens quem nos dá abrigo e comida?
— Tu nasceste aqui no circo... — respondeu-lhe Vítor docemente. — A mulher do tratador criou-te a biberão... Só conheces o país dos homens e não podes entender, ainda, a alegria de se ser livre...
— Pode-se saber para que é a greve? — resmungou a foca, abanando a cauda, nervosa.
— Até que enfim que alguém faz uma boa pergunta! — exclamou Vítor, entusiasmado, e logo lhes explicou que eles eram prisioneiros... que trabalhavam para o dono do circo encher os bolsos de dinheiro... que eram obrigados a executar ridículas provas para divertir as pessoas... que eram forçados a imitar os homens... que não deviam suportar mais humilhações, e assim e assado, mais isto e mais aquilo. (E que isto foi o aviso de fazer ver aos homens que os animais queriam voltar a ser livres... E que aquilo foi a ordem de greve geral...).
— Bah... Lérias... — riu-se o leão. — Como pensas comunicar com os homens? Algum de nós fala porventura a sua língua?
— Sim — assegurou Vítor. — O papagaio será o nosso intérprete — e enroscando a tromba nas grades da jaula, dobrou-as sem dificuldade e saiu. Em seguida, abriu uma a uma todas as jaulas dos seus companheiros.
Daí a nada, todos pulavam cá para fora. Até o leão!
 
Já os primeiros raios de sol picavam como abelhas zumbidoras na pele dos animais, quando o dono do circo se espreguiçou diante da janela da sua caravana. O calor parecia cortar o ar numa infinidade de linhas alaranjadas... (os animais nunca souberam se foi por isso que o dono do circo desatou a pedir socorro e desmaiou depois, mal pôs o pé em terra...).
Os domadores acorreram imediatamente em seu auxílio.
— Os animais soltaram-se! — gritaram em coro, antes de correr em busca dos seus chicotes.
— Agora vão usá-los para nos espantarem as moscas! — comunicou-lhes o papagaio logo que os domadores os rodearam, no intuito de os encerrarem de novo.
— Já não vamos trabalhar no circo! Greve geral, decretada pelo nosso delegado, o elefante!
— Que disparate é esse? Já para as jaulas! — e os chicotes sibilantes ondularam ameaçadoramente.
— Vocês é que vão para as jaulas! — grunhiram os orangotangos. E lançaram-se logo sobre eles e encerraram-nos. Dando patadas, furioso, o dono do circo foi quem mais resistiu. Por fim, também ele ficou a ver correr o tempo atrás das grades.
 
Nessa tarde, as pessoas aglomeraram-se diante das bilheteiras. Encontraram-nas fechadas, com grandes cartazes que diziam: CIRCO TOMADO PELOS TRABALHADORES. GREVE GERAL DE ANIMAIS.
Entretanto, Vítor e os seus companheiros procuravam treinar os homens.
— Caminhem em quatro patas e depois saltem pelo meio destes arcos de fogo! Mantenham-se em equilíbrio, de pernas para o ar, e apoiados sobre a cabeça!
— Não usem as mãos para comer! Zurrem! Miem! Ladrem! Rujam!
— BASTA, POR FAVOR, BASTA! — gemeu o dono do circo ao concluir a sua volta número duzentos em redor do recinto, a andar sobre as mãos. — Damo-nos por vencidos! O que é que querem?
O papagaio pigarreou, tossiu, bebeu uns goles de água e pronunciou então o discurso que o elefante lhe havia ensinado:
— ... Isto assim não, e aquilo também não, e aqueloutro nunca mais, e não é justo, e assim e assado... porque... ou nos enviam de volta para as nossas selvas... ou inauguramos o primeiro circo de homens animalizados, para divertimento de todos os gatos e cães da vizinhança. Disse.
 
Naquele fim-de-semana, a televisão transmitiu um espetáculo insólito: no aeroporto, cada um levando o seu correspondente bilhete de passagem nos dentes (ou seguro no bico, no caso do papagaio), todos os animais se puseram em fila ordeiramente em frente da porta de embarque com destino a África.
É claro que o dono do circo teve de contratar dois aviões: num viajaram os tigres, o leão, os orangotangos, a foca, o pequeno urso e o papagaio. O outro foi totalmente utilizado por Vítor... porque todos sabemos que um elefante ocupa muito, muito espaço...
 
Elsa Bornemann
http://www.geocities.ws/

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Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
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