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Um pouco de silêncio

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Mensagem por Vitor mango Qui Ago 06, 2015 12:40 am

Um pouco de silêncio


 
 
Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações. Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas que não combinam connosco nem nos interessam.
Não há perdão nem amnistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço da sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência. O normal é ser atualizado, produtivo e bem informado.
 
É indispensável circular, ser bem-relacionado. Quem não corre com a manada, praticamente nem existe. Se não tomar cuidado, põem-no numa jaula: um animal estranho. Pressionados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou por trilhos determinados – como hamsters que se alimentam da sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença. Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo ameaça quem apanha um susto de cada vez que examina a sua alma. Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não «se arranjou» ninguém – como se a amizade ou o amor se «arranjassem» numa loja. Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Pensamos logo em depressão: quem sabe terapia e antidepressivos? Uma criança que não brinca ou salta ou participa de atividades frenéticas está com algum problema.
 
O silêncio assusta-nos por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incómodas e mal-‑resolvidas, ou se observa outro ângulo de nós mesmos. Damo-nos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre a casa, o trabalho e o bar, a praia ou o campo. Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo para além desse alguém que paga as contas, faz amor, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse que afinal sou eu? Quais os seus desejos e medos, os seus projetos e sonhos? No s usto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos a casa e ligamos a televisão antes de largarmos a carteira ou a pasta. Não é para assistirmos a um programa: é pela distração.
 
O silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de vermos quem – ou o que – somos, adiamos o confronto com a nossa alma sem máscaras. Mas, se aprendermos a gostar um pouco de sossego, descobrimos – em nós e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente negativas. Nunca esqueci a experiência de quando alguém me pôs a mão no ombro de criança e disse:
— Fica quietinha um momento só, escuta a chuva a chegar.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela nos refazemos para voltarmos mais inteiros ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.
 
Então, por favor, dêem-me isso: um pouco de silêncio bom, para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito para além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.
 
Lya Luft
Pensar é transgredir
Lisboa, Presença, 2005
 
(Adaptação)

  


______________________________________   
 

TEMPO PARA BRINCAR!

(PDF a cores em anexo)

 

 

 

 

Arranja um passatempo, pratica um desporto, procura realizar um sonho teu — mas fá-‑lo sempre pela alegria que isso pode trazer-te. Brincar e divertires-te não significa teres de atingir uma meta ou venceres alguém ou alguma coisa…
 

 

Brincar implica unicamente boa disposição e alegria, ser criativo e ter humor! Sem magoar ninguém e não permitindo que ninguém te magoe! Brinca despreocupadamente. Todos os divertimentos que tenham como finalidade vencer, passar à frente, dominar — não têm graça e acabam por te cansar.
 

 

Procura ser amigo dos que contigo partilham o tempo de diversão. E respeita sempre os que consideras não tão bons como tu em qualquer atividade…Podes aprender muito com eles: a ser humilde, simples e tolerante. Afinal, todos temos muitos talentos escondidos….
 

 

Arranja momentos para te divertires sozinho. Verás que o estar só te ajudará a refletir sobre coisas que são importantes na tua vida.
 

 

Repara como a própria natureza é divertida: o murmúrio dos riachos, a luz cintilante do sol, o cantar dos pássaros, as pequenas folhas que lentamente vão caindo do cimo das árvores, as estrelas cintilantes no véu escuro da noite…E vê como todas estas criações se divertem a brincar contigo!
 

 

E, não esqueças: responde sempre aos convites que os teus animais de estimação te fazem para brincares com eles. Eles estão só a lembrar-te que esse é o melhor momento para te divertires… e para lhes agradeceres a ternura que te dão!
 

 
Michael Joseph

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