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Mensagem por Vitor mango em Sex Jan 25, 2013 5:29 am


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Padrão-tudo Sell_gold
Imaginemos que em determinado território vigora o apdrão ouro. Só
existem depósitos bancários no sentido mais estrito do termo, com
reservas a 100% e taxas de juro negativas. Um dia, um construtor civíl
decidido a criar um novo edifício procura quem lhe empreste o ouro
necessário para o fazer. Após várias tentativas falhadas, ocorre-lhe uma
ideia: titularizar os futuros apartamentos e pagar a empregados e
fornecedores com esses títulos. Chama-lhe títulos apartamento e cada um
vale 0,1% duma futura venda. Ao princípio desconfiados, alguns
fornecedores fazem as contas e concluem que quando os apartamentos
estiverem concluidos até conseguirão reaver mais do que recebariam
imediatamente se fossem pagos em ouro. Os trabalhadores fizeram as
contas e também resolveram aceitar o pagamento em títulos-apartamento,
influenciados pelo facto de o merceeiro da urbanização, perante a
oportunidade de fazer negócio, ter garantido que aceitaria esses títulos
na sua loja. Eventualmente os títulos começam a circular na cidade como
moeda de troca, inclusivé para...comprar ouro. Acabado o prédio,
vendidos os apartamentos, os donos dos títulos podem redimi-los com o
empreiteiro.
Motivado com o sucesso da primeira operação, o empreiteiro decide
alargar a experiência, desta vez para um empreendimento. Os novos
títulos-apartamento são imediatamente aceitas como termos de troca um
pouco por toda a cidade. O merceeiro, vendo o sucesso daquela moeda
decide fazer algo semelhante, lançando cupões-mercearia. Em vez de pagar
o almoço no restaurante com 5mg de ouro, dá um cupão ao dono do café,
valendo 6mg de ouro em compras na mercearia. Eventualmente, os
cupões-mercearia também começam a circular. A ideia alastra e começam a
aparecer diferentes moedas de troca. O valor do ouro cai, levantando
suspeitas que toda aquela criação monetária estava a causar inflação.
Mais tarde descobrem que afinal o ouro é que estava a perder valor
porque, antes, as pessoas eram obrigadas a guardar ouro em casa para
terem com que transaccionar e agora basta-lhes utilizar os cupões.
O alastrar de moedas lança alguma confusão, até que o empreiteiro
original tem mais uma brilhante ideia: criar uma unida única de medida o
"délar". Ele oferece-se para guardar os títulos apartamento, dando 10
délares por cada um. Pelos cupões-restaurante paga 7 délares e pelos
títulos-alfaiate entretanto lançados paga 3 délares.
Os délares passam a circular em paralelo com o ouro. Até existem casas
de câmbio em que se pode trocar délares por ouro e vice-versa. Rumores
de que os apartamentos podem não ser tão bons como planeado ou que
demorarão mais tempo a fazer, levam a que o valor do délar caia.
Entretanto é criada a "lébra", por um empresário que garante que não irá
emitir lébras ao alfaiate, que tende a não entregar as roupas aos
clientes conforme o acordado.
As notícias desta criação monetária chegam ao governo central que envia
um emissário à cidade. O emissário vai ao banco emissor de délares e
pergunta ao dono: "Mas você não sabe que por lei tem que ter 100% de
reservas do dinheiro depositado? Pelas minhas contas, à cotação actual,
você só tem 5% dos délares que criou em barras de ouro.", ao que ele
responde "Errado, os délares emitidos têm reservas a 100%: 5% em ouro,
40% em apartamentos, 30% em mercearias, 15% em têxteis e 10% em várias
outras coisas. Porquê um padrão ouro, quando podemos ter um
padrão-tudo?".




Posted by



Carlos Guimarães Pinto




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11:41





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