Grécia. Medo de contágio drena dinheiro da zona euro

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Mensagem por Vitor mango em Seg Jun 27, 2011 9:19 am

Grécia. Medo de contágio drena dinheiro da zona euro
por Carlos Ferreira Madeira, Publicado em 27 de Junho de 2011 | Actualizado há 2 horas
Europa falha em estancar gangrena da dívida: a crise da Grécia tornou-se a crise do euro. Só Berlim está imune

A estratégia política para conter a crise da dívida soberana na periferia da zona euro (Grécia, Irlanda e Portugal), através de resgates sucessivos, está a falhar.

Michael Noonan, ministro irlandês das Finanças, disse ontem que "as autoridades europeias estão mais preocupadas com países como Espanha do que com Portugal ou Irlanda. Têm preocupações quanto aos maiores países da Europa e vão travar a crise nesse ponto. Presumo que, se for necessário, irão avançar com outros instrumentos políticos", disse Noonan, sem especificar os instrumentos.

Enquanto a dívida pública da Grécia ronda os 340 mil milhões de euros e o país necessita de cerca de 100 mil milhões adicionais para se financiar até 2014, a incerteza quanto à aprovação do plano de consolidação orçamental a cinco anos, a votar no parlamento grego a 30 de Junho, multiplica os factores de risco.

Portugal e Irlanda são os alvos evidentes do contágio da crise grega, com os juros dos seus títulos a bater recordes históricos no mercado secundário. Mas Itália e Espanha não estão imunes: os investidores estão a cobrar prémios de risco mais altos para comprar os seus títulos de dívida e as yields dos seguros contra incumprimento dispararam. Madrid e Roma já tornaram públicos os planos de consolidação orçamental adicionais para tentar recuperar a confiança dos mercados. Até ao momento, os esforços foram inúteis.

A crise da dívida tornou-se a crise do euro e Atenas ameaça ser a bomba de implosão da moeda única. Os gregos protestam violentamente nas ruas contra a austeridade, enquanto os finlandeses, holandeses e alemães (quase 50%) estão contra um novo resgate grego.

O contágio de uma falência em Atenas começa a ganhar proporções gigantescas. A dívida pública de Espanha ascende a 640 mil milhões de euros e a de Itália é de 1,8 biliões de euros. Ambos começam a sentir a pressão que empurrou Atenas, Dublin e Lisboa para o precipício: juros a subir, seguros a disparar e avisos ameaçadores das agências de rating. Por muito menos, o mundo entrou em convulsão quando o Lehman Brothers (431 mil milhões de euros) faliu em 2008.

Outro sintoma do contágio encontra- -se na moeda única, que continua a derrapar. Só na semana passada perdeu 0,9% para o dólar, 0,5% para o iene e 2,2% para o franco suíço. Também as acções e as bolsas europeias somam perdas à medida que o tempo passa.

Há ainda registo de uma rarefacção da liquidez nos mercados de capitais: os investidores estão a retirar dinheiro dos mercados expostos à divida bancária europeia de curto prazo. Nas últimas duas semanas foram retirados 35 mil milhões de euros dos fundos norte-americanos expostos à dívida europeia, segundo os dados do Company Investment Institute. A agência Fitch estima que as obrigações emitidas por dez das 15 maiores instituições bancárias do mundo são europeias, e detêm nos seus balanços 30% do total de activos dos fundos do mercado de capitais. A crise está também a afugentar os bancos norte-americanos, dispostos a libertarem-se da dívida europeia (excepto a germânica) e a procurar refúgio nas obrigações do Tesouro dos EUA - cujos juros baixam devido à forte procura dos investidores. Simultaneamente, os bancos americanos estão a deixar de emprestar dinheiro aos bancos europeus no mercado grossista, revela o "Financial Times".

É neste cenário que os governos europeus tentam envolver os privados no reescalonamento da dívida grega (30 mil milhões). A ideia é fazer um rollover da dívida que vence até 2013 (ver tabela). Os bancos nacionais da Grécia são os primeiros interessados em participar neste esquema. O Deutsche Bank e a seguradora Allianz garantem que participam se houver "garantias" estatais. E os bancos franceses decidiram reinvestir 70% do valor dos títulos gregos que chegam à maturidade em nova dívida (50%) a 30 anos e em acções (20%) - possivelmente através das privatizações da Grécia - segundo o jornal "Le Figaro".

Atenas tem de cortar mais 28 mil milhões de euros no défice, reduzir em 150 mil o número de funcionários públicos e arrecadar 50 mil milhões de euros em privatizações até 2015. Mas até Julho, a Grécia só se salva com a quinta tranche do empréstimo (12 mil milhões) da UE/FMI.


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