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Mensagem por Vitor mango Seg Maio 31, 2021 1:13 pm

Faça-se a luz!
[size=48]CONFÚCIO[/size]

Max Eastman
[size=32]S[/size]e o víssemos agora, em pessoa, achar-lhe-íamos o aspecto um tanto cómico, com as narinas largas, olhos oblíquos, com uma protuberância no alto da cabeça, a barba e Q bigode caindo em três largas franjas. Vestia uma túnica que lembrava um quimono japonês. Era um homem de elevada estatura e de compleição vigorosa. Caçador incansável, músico inspirado, foi sobretudo um génio no campo intelectual. Embora o mundo ocidental não tenha ainda alcançado todo o valor da sua perspicaz sabedoria, Confúcio ocupa um lugar destacado em toda a História da Humanidade. Foi o único homem que conseguiu moldar, com a sua influência, o pensamento e os hábitos de uma nação.
Confúcio viveu na China mais de quinhentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Foi Um dos mais notáveis mestres da arte de viver, e exerceu o seu magistério com singeleza insuperável. Não foi santo nem profeta. Não possuía a chave dos segredos do Universo. Embora se diga com frequência que as suas teorias influíram na religião da China, a verdade é que se preocupou pouco com a religião ou com o conceito da vida eterna. O seu empenho mais ardente era conseguir que o homem agisse moralmente bem.
Confúcio reuniu a sua doutrina num preceito, uma norma fundamental de conduta que tem o seu equivalente no Evangelho «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.»
Por vezes, os ensinamentos de Confúcio revelam-se singularmente análogos aos contidos nas Escrituras. Esta similaridade deu, aliás, matéria para um livro em que se estabelecem as analogias e as diferenças entre uns e outros. Por exemplo, o mandamento cristão: «Não julgues, se não quiseres ser julgado» equivale à sentença de Confúcio segundo a qual, para julgarmos os outros devemos servir-nos do nosso foro íntimo como termo de comparação. Não poderíamos ter nós cometido o mesmo pecado? Por outro lado, a contrastar com o preceito cristão de retribuir com o bem a quem nos faz mal, Confúcio sustentava que se devia responder «ao mal com a justiça e ao bem com a bondade.»
Confúcio mostrou, desde criança, grande inclinação para toda espécie de ritos e cerimónias. Apreciava a música e sabia cantar e tocar alaúde e cítara. Na idade madura, quis adestrar-se em tudo o que tivesse relação com a arte de viver; abandonou, então a sua província natal de Lu e partiu para a capital, a fim de estudar com aplicação «as leis da música e da etiqueta».
Confúcio ganhava a vida como mestre. Não cobrava dos seus alunos uma importância fixa e ensinava gratuitamente os jovens pobres mas dotados. O que chegou até nós da sua doutrina devemo-lo às extensas compilações feitas pelos seus discípulos sob a forma de máximas soltas e troços de conversa. Infelizmente não formam um conjunto relacionado com a história da sua vida como é o caso de Jesus, e de facto torna menos interessante a s leitura. Também lhes falta a eloquência dos Evangelhos cristãos; mas Confúcio desconfiava dela. «Em matéria de linguagem», sustentava, «o que importa é exprimir a ideia.» A sua prosa é, de  facto, sempre tão linear e límpida como a destes ditames:
                   Aonde fores vai com todo o teu coração.
                  O
maior dos defeitos é ter defeitos e não procurar corrigi-los.
                  Não te suponhas tão grande que os outros te pareçam pequenos.

A sua inteligência tinha um pendor cientifico. Ao acentuar a necessidade da maleabilidade de espirito, de substituir o dogma, pela investigação dos factos, de evitar conclusões definitivas, adiantou-se mais de dois mil anos em relação à sua época. Foi ele quem primeiro formulou a norma que podemos considerar a regra de ouro da ciência: «Quando ignoramos uma coisa, reconhecer que a ignoramos é sabedoria.» Desta forma, repudiava as crenças supersticiosas e a subordinação do pensamento ao desejo. Igual finalidade pretendia ao insistir na importância da sinceridade, não simplesmente no discurso mas também no diálogo intimo de meditação. Para seguir o que ele chamava «o caminho da verdade», devemos procurar não nos enganarmos a nós mesmos. «O caminho da verdade», dizia, «é largo e fácil de descobrir. 0 mal está em que os homens não o procuram.»

Não se deve deduzir destas razões que Confúcio aconselhasse a frouxidão moral ou a auto-indulgência. Era um mestre tão rigoroso como exigente. Os seus discípulos deviam ser «rápidos na percepção, precisos no juízo, ambiciosos nas aspirações intelectuais e possuidores de conhecimentos amplos que lhes servissem para exercer a autoridade e suficientemente generosos para usarem de clemência». Também deviam adquirir «dignidade, seriedade, firmeza de propósito, lealdade, bondade e atenção reverente àquilo a que se dedicarem».
Tal como o faria Platão duzentos anos mais tarde, Confúcio traçou as traves-mestras de uma república ideal, que difere consideravelmente da sociedade que, posteriormente, o filósofo grego iria delinear. A república imaginada por Confúncio nasce da nostalgia de um mundo em que os homens viviam como membros de uma única família. Tal conceito era utópico, particularmente na China, nação na qual os vínculos familiares eram mais estreitos e exigentes do que em nenhuma outra. Pedir aos Chineses que tratassem todos os homens como seus irmãos era exigir demais. Muito embora o soubesse, Confúcio quis fazer com que o Mundo se encaminhasse para este ideal. E julgou que a única maneira de lhe dar forma seria confiar o desempenho dos principais cargos do governo a homens virtuosos e sábios. Tal como Platão, Confúcio lutou corajosamente toda a sua vida para que um dos príncipes feudais lhe confiasse um cargo importante na administração pública. Se bem que vários dos seus discípulos tenham sido chamados para exercer tais funções, não parece que ele houvesse alguma vez chegado a alcançar posição superior à de um sábio mestre tido em grande estima pelos funcionários públicos.
Embora Confúcio tenha viajado vários anos pela China acompanhado de um reduzido grupo de discípulos, na esperança de encontrar um monarca que lhe oferecesse a oportunidade de realizar as reformas com que sonhava, alguns traços do seu carácter contrariaram a sua própria ambição. Em primeiro lugar, falava com mais franqueza do que convém a um político. A um príncipe violento que pediu conselhos sobre a arte de governar os homens, limitou-se a responder: «Começa por aprender a governar-te a ti mesmo.»
Além disso, Confúcio não acreditava na aristocracia do sangue. Asseverava que «por natureza todos os homens são iguais». Se bem que, naquela época, não se concebesse a democracia tal como hoje é entendida, Confúcio sustentou - porventura pela primeira vez na História - que a verdadeira função do governo é velar não só pela prosperidade pública mas também pela felicidade do povo.
Velho e cansado, pensando que a sua pregação fora inútil, Confúcio retirou-se para a sua terra natal. Aí viveu ainda alguns anos, dedicando-se ao ensino, e morreu convencido de que a sua vida fora um fracasso.
Os discípulos choraram-no como a um pai. E, como derradeira homenagem, e porque na China era costume os filhos guardarem três anos de luto pelo progenitor, os discípulos empregaram todo este tempo inventariando e anotando as instruções do mestre.
Estas compilações converteram-se na Bíblia do povo chinês. Mais do que Bíblia, tornou-se o tratado de civilidade, a origem das leis e do procedimento político pelas quais aspirava a guiar-se todo o bom príncipe.
No século III antes de Cristo, déspotas brutais proscreveram e queimaram os textos de Confúcio e condenaram à morte os seus adeptos. Esta perseguição, porém, em vez de acabar com os discipulos da filosofia de Confúcio, multiplicou o seu número, tal como um temporal que em lugar de apagar as chamas de um incêndio as activa e propaga. Mais tarde, reinou um Imperador sensato que adoptou o confucionismo e lhe deu a aprovação oficial.
Tantos livros se escreveram acerca da sabedoria de Confúcio que a vida inteira de um homem não seria suficiente para os ler .
A simplicidade, a pureza, a elevação da arte de viver ensinada e praticada pelo mestre farão que o seu pensamento resplandeça perpetuamente.

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Só discuto o que nao sei ...O ke sei ensino ...POIZ
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Vitor mango
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